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PACOTE DE R$ 12 BILHÕES

Agricultores que tiveram perdas consecutivas por conta do clima poderão acessar crédito

Conselho Monetário Nacional elaborou pacote de socorro às dívidas com mudanças em critérios ao acesso do recurso financeiro anunciado pelo governo federal

Publicado em: 18/12/2025 às 00h:00 Última atualização: 21/12/2025 às 14h:21
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Em setembro, o governo federal anunciou a abertura de crédito no valor de R$ 12 bilhões para beneficiar produtores rurais e cooperativas impactados por perdas acumuladas em função de eventos climáticos.

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Embora o valor fosse expressivo, havia dificuldade para acessar os recursos, segundo entidades representativas do setor. Por essa razão as cobranças continuaram.

No dia 18 de dezembro, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou um pacote de medidas que amplia o apoio financeiro a produtores rurais impactados por eventos climáticos adversos e promove ajustes nas regras do crédito rural.

As decisões, propostas pelo Ministério da Fazenda, buscam preservar a atividade produtiva no campo, reduzir riscos de inadimplência e garantir a continuidade do financiamento, sem afastar critérios socioambientais.

Entre as principais medidas está a ampliação da linha de crédito destinada à liquidação ou amortização de dívidas de produtores que sofreram perdas relevantes em razão do clima.

A iniciativa beneficia operações de custeio contratadas entre 1º de janeiro de 2024 e 30 de junho de 2025, inclusive aquelas que já tenham sido renegociadas ou prorrogadas.

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Também passam a ser contempladas Cédulas de Produto Rural (CPRs) emitidas no mesmo período e registradas em favor de instituições financeiras, desde que estivessem inadimplentes em 15 de dezembro deste ano.

Financiamento permite a reorganização das dívidas dos agricultores

Segundo o Ministério da Fazenda, o objetivo é evitar a quebra financeira de produtores atingidos por eventos extremos e permitir a reorganização das dívidas, mantendo a atividade produtiva.

“O foco é garantir acesso ao crédito rural, com previsibilidade para produtores e instituições financeiras, sem abrir mão do alinhamento com políticas ambientais”, informou a pasta, em nota.

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O CMN também aprovou ajustes nas normas que tratam dos impedimentos sociais, ambientais e climáticos para a concessão de crédito rural. As alterações criam um período de transição para a aplicação das exigências, com o objetivo de evitar bloqueios imediatos ao financiamento.

Pelas novas regras, a verificação de desmatamento ilegal em imóveis com área superior a quatro módulos fiscais será obrigatória a partir de abril de 2026. Para agricultores familiares e propriedades de até quatro módulos fiscais, a exigência passa a valer em janeiro de 2027.

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Juros altos ainda não um problema para os produtores rurais

As alterações firmadas pelo CMN atenderam em parte as reivindicações. Um dos pontos atendidos, diz o presidente da Fetag, foi a inclusão das dívidas de 2024 e 2025 no pacote, “mas não incluiu a questão das garantias exigidas pelos bancos”, ressalta.

Carlos Joel da Silva diz que a renegociação dos produtores rurais esbarra nas altas exigências que os bancos fazem – as garantias reais -, como bens, terras e maquinários. “Essas garantidas já foram dadas em dívidas anteriores e os produtores não tem mais de onde tirar”, justifica.

Outro ponto criticado são os juros altos, o que dificulta para os médios e grandes produtores, porque deixa o empréstimo muito caro. O presidente da Fetag reconhece que os R$ 12 bilhões são significativos, mas pondera que desse valor, dados entraves para contratação de crédito, somente R$ 4 bi foram aproveitados.

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Operações de crédito por meio do BNDES

O recurso anunciado é operado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ou por meio das instituições financeiras habilitadas. Podem ser beneficiados agricultores familiares no Pronaf: taxa de 6% ao ano e limite de até R$ 250 mil; médios produtores, vinculados ao Pronamp: taxa de 8% ao ano e limite de até R$ 1,5 milhão; além de demais produtores com dívidas de custeio e investimento: taxa de 10% ao ano e limite de até R$ 3 milhões; e operações vinculadas a Cédulas de Produto Rural: registradas e emitidas em favor de bancos.

Preço mínimo e reforço ao Pronaf

No pacote aprovado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) ainda há outros detalhes que devem impactar nos produtores rurais. Além do socorro financeiro, o CMN aprovou novos preços de garantia do Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF), válido de 10 de janeiro de 2026 a 9 de janeiro de 2027.

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O mecanismo funciona como um preço mínimo para produtos financiados pelo Pronaf e garante desconto no financiamento sempre que o preço de mercado ficar abaixo do valor de referência definido pelo governo.

O desconto é calculado com base na diferença entre o preço médio de comercialização no mês anterior ao vencimento da parcela e o preço de garantia. O benefício é limitado a R$ 5 mil por agricultor e por ano agrícola nas operações de custeio e a R$ 2 mil nas operações de investimento.

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“O PGPAF é um instrumento de proteção de renda que garante a cobertura dos custos variáveis de produção em momentos de queda de preços”, informou o Ministério da Fazenda.

Além disso, o CMN aprovou ajustes nas regras do Pronaf para ampliar o acesso ao crédito, especialmente no microcrédito produtivo voltado aos agricultores de menor renda.

Entre as mudanças, está a possibilidade de o produtor autorizar o pagamento direto, pelo banco, dos serviços de assistência técnica incluídos no projeto financiado.

Novos prazos para adequações à exigências de crédito

O prazo para contratação de crédito de custeio agrícola, que havia se encerrado em 2025, foi reaberto até julho de 2027. Também foi ampliado de R$ 3 mil para R$ 5 mil o limite de financiamento para construção ou reforma de instalações sanitárias nas propriedades rurais.

Segundo a equipe econômica, o conjunto de medidas reforça o papel do crédito rural como política pública de estabilização de renda e de apoio à produção. “O objetivo é ampliar o acesso ao financiamento, reduzir riscos para o produtor e dar mais previsibilidade à agricultura familiar”, afirmou a Fazenda.

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