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FRUTICULTURA

Com clima generoso, safra do pêssego supera expectativas

No entanto, questões envolvendo a indústria trouxeram desafios para o RS

SUSANA DA SILVA LEITE
Publicado em: 27/01/2026 às 00h:00 Última atualização: 01/02/2026 às 14h:01
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Suculentas e especialmente doces, as variedades de pêssego desta última safra no Rio Grande do Sul têm chamado a atenção pela qualidade. A safra começa em outubro, tendo seu auge em novembro, sendo finalizada agora em janeiro. Mesmo já no final da colheita, as frutas ainda estão com grande destaque, sobretudo pela qualidade.

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Propriedade em Morro Reuter teve safra de pêssegos com maior produtividade | abc+



Propriedade em Morro Reuter teve safra de pêssegos com maior produtividade

Foto: Pomar Muck/Divulgação

Produtores de pêssego em Morro Reuter, Michele Muck e Marcos Maciel Hermann comemoram os resultados do que eles qualificam como uma “safra excelente”. Michele descreve que neste ciclo de produção, as frutas vieram com alta qualidade e saborosas. Embora, os pomares tenham apresentado 10% de perda, na variedade de chimarrita e fascínio devido às chuvas e proliferação de fungos, no geral, a “supersafra” do ano, resultou em aumento de 30% das vendas em comparação com o ano passado.

Na propriedade são cultivadas as variedades kampai, fascínio, chimarrita, rubimel, PS do cedo, PS do tarde, eragil e chiripá vermelho. “Trabalhamos com o sistema de colha e pague, venda direta ao consumidor final”, pontua Michele. Além dos pêssegos, outras variedades de frutas são cultivadas no sítio em Morro Reuter.

A satisfação dos produtores rurais de Morro Reuter com a safra do pêssego também se reflete em outras regiões do Estado. Conforme as análises da Emater/Ascar-RS, era esperado um desenvolvimento satisfatório e uma supersafra para este ano. O desempenho do clima ao longo do ano passado, principalmente no inverno, e o regime de chuvas no Rio Grande do Sul, contribuiu em parte para a boa produção. A outra metade da produção fica na conta do manejo de cada produtor.

Horas de frio favoreceram a safra do pêssego e a uva 

“Neste início de 2026, estamos com excelente oferta de pêssego, com qualidade em termos de aparência, sabor e calibragem de frutos”. A afirmação é do gerente técnico da Emater/RS-Ascar, Luís Bohn, ao avaliar os benefícios das horas de frio, que tanto o pêssego como a uva tiveram desde o inverno passado, que favorecem as produções.

A amplitude térmica adequada, com horas de frio necessárias durante a noite, alternada com dias quentes, foram fatores que favoreceram o desenvolvimento dos pomares. A chuva em alguns pontos, no mês de dezembro, chegou a causar apreensão em produtores, mas não chegou a prejudicar a safra.

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Produção gaúcha concentra maior parte de pêssegos na região sul do Estado

A região Sul do Estado concentra os municípios com maior produção de pêssegos para a indústria, liderada por Pelotas, com área total de 2.630 hectares pessegueiros. Sozinho, o município é responsável por uma produção estimada em 31,5 toneladas da fruta.

Já a produção de pêssego de mesa, aquela que vai do pomar direto para o consumidor, tem a produção liderada por cidades da Serra Gaúcha. Municípios como Pinto Bandeira, Antônio Prado e Farroupilha, segundo dados do Censo Frutícola da Emater, estão no topo da produção. Pinto Bandeira é o maior produtor de pêssego de mesa, com produção estimada em 21,5 toneladas.

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Problemas de escoamento ameaçaram a cadeia produtiva

A produção de pêssego no Estado registrou algumas intercorrências. Conforme o registro do Informativo Conjuntural da Emater, no início de janeiro, a colheita da fruta na região de Pelotas registrou o auge. Mas houve problemas.

Problemas de logística, grandes filas de esperas para descarga nas indústrias foram apontados como alguns dos problemas enfrentados nesta safra. “As altas temperaturas e a umidade relativa do ar tem levado a perdas consideráveis de frutos em razão da doença podridão-parda”, apontou a Emater.

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A falta de mão de obra foi apontada pela indústria como uma das razões para dificuldade de aumentar o processamento da fruta. Questões envolvendo a cadeia produtiva do pêssego chegaram a ser debatidas pelo poder público ainda em dezembro do ano passado.

Em 22 de dezembro, foi realizada uma reunião, promovida pela prefeitura de Pelotas, com representantes da Conab e de outras entidades envolvidas na cultura e com produtores para a articulação de uma possível compra pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), sendo disponibilizado R$ 4 milhões para aquisição de sucos das cooperativas da região.

Ajuda da Conab para escoar a produção

No final do ano passado, a Conab anunciou a aquisição de 890 mil litros de suco integral de pêssego, o que equivale a 1,16 mil toneladas da fruta in natura. O socorro serviu para aplacar os problemas gerados por logística e pela concorrência com o pêssego argentino, informou a Conab.

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O anúncio foi feito pelo presidente da Conab, Edegar Pretto, durante reunião realizada no Paço Municipal de Pelotas, que contou com a participação do prefeito de Pelotas, Fernando Marroni; do diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, Silvio Porto; do superintendente regional da Conab no Estado, Glauto Lisboa; e de representantes da cadeia produtiva do pêssego.

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