Os gaúchos estão tomando menos chimarrão e o enfraquecimento deste hábito está refletindo na cadeia produtiva da erva-mate, mas este não é o único fator que explica a “turbulência” pela qual passa o setor ervateiro gaúcho. De acordo com o coordenador da Câmara Setorial da Erva-Mate, o engenheiro agrônomo da Emater, Ilvandro Barreto de Melo, quatro fatores explicam a atual crise da cadeia da erva-mate no Rio Grande do Sul: o preço baixo pago ao produtor, alta oferta da matéria-prima, custo elevado na produção (tanto na indústria quanto na lavoura) e a queda do consumo. Uma crise semelhante no setor ervateiro foi vivenciada entre 1996 e 1998, quando apenas o preço baixo pago aos produtores e a alta oferta de matéria-prima afetavam a cadeia produtiva.
Superadas as estiagens, a produção de erva-mate no Rio Grande do Sul prosperou. Com aumento da produção, consequentemente o preço pago aos produtores começou a cair na indústria. Hoje os preços pagos por arroba de erva-mate variam entre R$ 17 e R$20. Uma arroba corresponde a 15 quilos de folhas de erva. Soma-se a esse cenário a queda de consumo do chimarrão.
As restrições da pandemia de coronavírus mudaram os hábitos dos gaúchos. Antes da pandemia, o consumo per capita por ano era de 11 quilos de erva-mate. Atualmente é de 9 quilos. A necessidade de escoar a produção para valorizar o produto foi levada à Frente Parlamentar da Erva-Mate, em audiência realizada na Assembleia Legislativa, no dia 19 de agosto. De lá saíram alguns encaminhamentos.
O prefeito de Ilópolis, Fernando Dapont, vice-prefeito, Roni Spezzia, representante da prefeitura de Arvorezinha, e membros das seguintes entidades: Ibramate, Sindimate, APPEMAT, ACEMA, ASPEMVA, Indumate, Aspemate, Apromate, Câmara Setorial da Erva-Mate do RS, além de produtores rurais, se encontraram com o presidente da Frende Parlamentar, o deputado Paparico Bacchi.

Foto: Arquivo/GES
Bacchi explica que entre os pedidos encaminhados ao governo do Estado, está a liberação de R$ 100 mil do Fundo da Erva-Mate; o pedido para sanção da lei da merenda escolar que prevê a inclusão da erva-mate no cardápio, e a realização de um seminário, em outubro, no município de Ilópolis.
Neste seminário, antecipa Bacchi, será discutido um dos principais pontos do setor: a criação de um consórcio que visará a construção de pavilhões de armazenamento da erva-mate. Esses pavilhões são peça-chave para explorar a exportação da erva.
“A erva-mate precisa de um ano de maturação e hoje em dia falta espaço para armazenar”, explica o deputado, ao mencionar que o Brasil produz 600 mil toneladas de erva-mate, mas exporta apenas 100 mil. “Existe um mercado internacional crescente, mas falta capacidade da indústria para armazenagem”, acrescenta Bacchi.
De acordo com a Radiografia Agropecuária Gaúcha 2024, o Rio Grande do Sul tem uma produção da planta estimada em 273,70 mil toneladas, tendo o Uruguai como o principal destino. Ilópolis lidera o ranking dos maiores municípios produtores.
As soluções em debate para conter a crise do setor visam estabilizar o mercado, agregar valor ao produto e otimizar os processos. Além disso, um seminário voltado para a comercialização, mercado e precificação da erva-mate está previsto para outubro, em Ilópolis.