À medida que ganha espaço no cenário agrícola do Rio Grande do Sul, a canola também enfrenta os desafios do clima no Estado. Assim como as demais culturas de inverno, a oleaginosa ingressa na época de floração enfrentando a umidade.
O clima desta primeira quinzena de junho tem dificultado o plantio da Safra de Inverno no Rio Grande do Sul, e, conforme estimativas da Emater, será necessário o replantio. Com essa perspectiva no horizonte, produtores rurais precisam ficar atentos ao cultivo.
O estágio mais avançado do desenvolvimento da canola se concentra na região de Santa Rosa, onde oram implantadas 84% das áreas, sendo que, desse total, 90% estão em desenvolvimento vegetativo e 10% em florescimento, segundo dados da Emater. A região Noroeste do Estado concentra produtores que já acumulam mais de sete anos de experiência.
Conforme dados da Emater, a área total cultivada em solo gaúcho é de 151.785 hectares. Somente na safra de 2024, a produção estadual da oleaginosa ficou em torno de 226 mil toneladas.

Foto: Fernando Dias/ Seapi
Cenário da lavoura de canola no Rio Grande do Sul
A canola tem substituído cultivos tradicionais como trigo, aveia e coberturas vegetais e, segundo o engenheiro agrônomo Tiago Oliveira, sócio-diretor da consultoria Inteligência Agrícola, uma das principais vantagens é seu alto teor de óleo — entre 42% e 45%, até 30% superior ao da soja.
Além disso, é uma oleaginosa que produz proteína, aumentando seu valor comercial. A crescente valorização do grão e a ampliação do número de empresas que recebem e processam a canola contribuíram para o crescimento da cultura, que apresenta baixo custo de produção e menor incidência de doenças.
A tolerância da canola a graminicidas também facilita o controle de plantas daninhas como o azevém, bastante resistente aos herbicidas convencionais na região Sul.
Embora a produtividade média ainda esteja em torno de 25 sacas de 60 kg por hectare, Oliveira relata que há registros de lavouras que alcançaram até 50 sacas/ha.
A fase de floração, no entanto, exige atenção técnica e planejamento, já que a planta é sensível a variações climáticas neste período. Diferentemente do trigo, cujas práticas já são passadas de geração em geração, a canola carece de maior conhecimento sobre nutrição, adubação, fisiologia, manejo e controle de doenças.
Cuidados que a plantação exige para o desenvolvimento
A cultura da canola é mais exigente, principalmente em enxofre e nitrogênio, e que deixa pouca palhada, exigindo estratégias complementares para garantir uma boa cobertura do solo. A exigência por enxofre se deve à sua participação direta na síntese de óleos e proteínas, sendo um dos nutrientes que mais limitam o seu rendimento em solos deficientes. Além disso, o uso de herbicidas também requer maior atenção.
O engenheiro agrônomo Alécio Fernando Radons, responsável técnico de vendas da Satis no RS, orienta que o produtor precisa ter atenção em mais dois pontos importantes: exigências nutricionais e o manejo de doenças e fungos de solo.
O mofo branco, por exemplo, é um problema grave causado pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum. Para o manejo dessa doença, uma estratégia indispensável é trabalhar com uma outra espécie de fungo, o Trichoderma, que atua positivamente na indução de resistência das plantas e na inviabilização das estruturas de multiplicação desse patógeno.
A partir da pesquisa, a Satis desenvolveu o Tribalance, produto de alta concentração constituído por três espécies de trichoderma e oito cepas diferentes, cuidadosamente selecionadas para ter o máximo de eficiência no campo.
Panorama atual das regiões produtoras de Canola no RS
Em São Luiz Gonzaga, onde há significativa área cultivada com canola na região, diversas empresas disponibilizam programas de fomento ao cultivo da oleaginosa, tendo em vista a construção de unidade de beneficiamento com capacidade de 700 t/dia.
Na região de Frederico Westphalen, a cultura da canola tem o maior incremento relativo de expectativa de área para esta safra. Cerca de 60% da área prevista foi semeada e, de maneira geral, apresentam estabelecimento e desenvolvimento satisfatórios.
Em Manoel Viana, na região de Bagé, vários produtores precisaram realizar o replantio. Estima-se que esteja plantada 80% da área total prevista, que é de 7.300 hectares. A área cultivada com canola no Rio Grande do Sul na Safra 2024 foi de 1.331.013 hectares, e a produtividade, de 2.781 kg/ha (IBGE).