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RENEGOCIAÇÃO DE DÍVIDAS

Endividamento de agricultores gera mobilização por soluções urgentes

Manifestação na rua e reuniões com lideranças marcaram o mês de dezembro

Publicado em: 10/12/2025 às 13h:45 Última atualização: 21/12/2025 às 14h:22
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As dificuldades impostas aos produtores rurais, ora pelo excesso de chuva, ora pela estiagem, está cobrando a conta. O ano de 2025 tem sido marcado pela busca por renegociação de dívidas acumuladas no meio rural, provocadas por perdas decorrentes dos extremos climáticos que assolam o Rio Grande do Sul nesses últimos anos, que se alternam entre seca e altos volumes de chuva.

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Paulo Pires, presidente da Fecoagro faz balanço das ações em 2025 | abc+



Paulo Pires, presidente da Fecoagro faz balanço das ações em 2025

Foto: Nestor Tipa Jr/Agroeffective

No balanço feito pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), o presidente da entidade, Paulo Pires, elencou os problemas enfrentados pelo setor neste ano, marcado por estiagem, perdas em culturas como milho e soja, queda de renda no campo e dificuldades de acesso ao crédito oficial. A entidade também projeta que a próxima safra de verão pode representar um alívio parcial ao produtor, caso as condições climáticas se mantenham favoráveis.

Além de pontuar perdas causadas diretamente pelas consequências da estiagem, Pires destaca que a principal preocupação é o endividamento crescente dos produtores e a ausência de medidas efetivas que facilitem o acesso a crédito. “Temos um endividamento acentuado do produtor no Rio Grande do Sul, e simplesmente até hoje não veio nada concreto. Tivemos a liberação de recursos de R$ 12 bilhões, mas o acesso é muito difícil e as condições também”, afirma.

Manifestação de agricultores em Porto Alegre

O endividamento e a crise no setor primário motivou uma manifestação em Porto Alegre, realizada no dia 10 de dezembro. Em torno de dois mil agricultores e pecuaristas familiares cobraram soluções para o endividamento e para a crise que afeta setores como leite, arroz e trigo. Outra cobrança, segundo a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag-RS), foi a necessidade de avançar na definição do seguro rural.

Cerca de dois mil agricultores e pecuaristas familiares estiveram em Porto Alegre  | abc+



Cerca de dois mil agricultores e pecuaristas familiares estiveram em Porto Alegre

Foto: Camila Santos/Fetag-RS

“Produtor nenhum sai de casa num dia de chuva se estivesse tudo bem. Estamos aqui porque o endividamento não foi resolvido e porque os preços do leite, do arroz e do trigo não cobrem os custos de produção. As medidas anunciadas até agora atendem apenas parte dos agricultores, e precisamos de ações completas para todo o setor”, disse o presidente da Fetag-RS, Carlos Joel da Silva, no dia da mobilização.

 

Encaminhamento com representantes do governo federal

No mesmo dia da manifestação, o superintendente do Ministério da Agricultura no Rio Grande do Sul (Mapa/RS), José Cleber Souza, recebeu em Porto Alegre, regionais, assessoria e direção da Fetag e da Federarroz. A reunião contou com a presença do superintendente adjunto do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Vinícius Pasquotto, e do superintendente da Conab, Glauto Melo. O superintendente do MDA, Milton Bernardes, estava em Brasília e participou remotamente.

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O presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva, apresentou os três eixos da pauta de reivindicações: dívidas e renegociação de financiamentos dos produtores, recuperação de preços ao produtor de leite, arroz e trigo e seguro rural.

Após ouvir as demandas, os representantes do governo federal destacaram as medidas adotadas em 2024, quando houve disponibilizado R$ 2 bilhões para repactuação e liquidação de dívidas, além de R$ 6,7 bilhões em operações com recurso do fundo social e dos R$ 35,7 bilhões contratados no plano safra 2024/25. Em 2025, novas medidas foram implementadas, como a destinação de R$ 12 bilhões para contratação de novos financiamentos com recursos controlados e liquidação de dívidas e R$ 20 bilhões para financiamentos a taxas livres.

Em relação a sustentação de preços, informaram a disponibilização, ainda em 2024, de R$ 1 bilhão para Contrato de Opção de Venda (COV) de arroz, aos quais se somam os R$ 200 milhões para Aquisição do Governo Federal (AGF) e R$ 100 milhões para Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro), totalizando R$ 1,3 bilhão. Estão aprovados R$ 67 milhões para PEP e Pepro de trigo e está em negociação a liberação de R$ 100 milhões para o leite.

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“Estamos no momento de definição da alocação do recurso para viabilizar a contrapartida do governo”, disse o superintendente do Mapa/RS sobre o seguro rural. O principal encaminhamento foi reforçar, junto aos ministérios, a publicação das portarias interministeriais destinadas a viabilizar o PEP e Pepro do trigo e arroz, a demanda de recursos para AGF de leite e para subvenção ao prêmio do seguro rural.

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