Entidades que representam produtores rurais e criadores de gado leiteiro têm alertado para a crise que o setor vive. O custo de produção e o preço pago pelo litro do leite são os principais problemas apontados.
A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag-RS) e os sindicatos dos Trabalhadores Rurais já manifestaram preocupação com a situação enfrentada pelos produtores de leite. “O setor atravessa o nono mês consecutivo de queda no preço pago ao produtor, com valores atualmente abaixo do custo de produção”, divulgou a Fetag, em nota.
A Fetag aponta que a crise se agrava com a desregulação do mercado, provocada pela entrada expressiva de leite em pó da Argentina e do Uruguai. “Essa situação já motivou, inclusive, a abertura de processos de investigação por dumping, pauta que a Fetag-RS denuncia há muito tempo em conjunto com outras entidades, tanto em espaços institucionais quanto por meio de mobilizações nas fronteiras, como em Jaguarão, na divisa com o Uruguai, e em Porto Xavier, na fronteira com a Argentina.”
Os impactos no campo vão desde o endividamento, abandono da atividade até o abatimento de vacas leiteiras. Conforme a Fetag, esse cenário afeta diretamente agricultores e pecuaristas familiares, que representam cerca de 95% dos produtores de leite do Rio Grande do Sul.
Criadores de gado holandês também engrossam o coro da crise
O preço do leite voltou a ser pauta entre os criadores. Mesmo com cenários nacionais e internacionais indicando aumento nos preços, produtores têm relatado redução nos valores pagos pelo produto no estado. A Associação de Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) afirma ter recebido queixas e questionamentos sobre a motivação dessas reduções.
Tang pondera que o produtor gaúcho enfrenta um cenário de forte dificuldade, após anos consecutivos de seca e de enchentes, o que tem reduzido drasticamente a margem financeira da atividade. “O produtor vem atravessando um período muito delicado, praticamente sem margem de manobra do ponto de vista econômico. Diante desse contexto, não estamos conseguindo entender essa lógica de novas reduções no preço”, observa.
Preço baixo pago aos produtores é a principal queixa
Conforme Fetag, produtores têm relatado receber entre R$ 1,60 e R$ 1,80 por litro de leite, “valores que inviabilizam qualquer perspectiva de continuidade da atividade”, diz a entidade. Diante desse cenário, a Fetag defende que é necessário retomar uma discussão estruturada da cadeia produtiva do leite: “com responsabilidade compartilhada entre governo, indústria e varejo”, sugere.
Na nota oficial, a Fetag ressalta que “foram realizadas agendas no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, no Ministério do Desenvolvimento Agrário e no Ministério da Agricultura, levando a pauta da crise do leite e os impactos do Mercosul.
Atualmente, a Federação está na coordenação do Conseleite-RS, atuando com responsabilidade, transparência e buscando equilíbrio na análise do mercado e na formação do preço de referência.” A entidade encerra dizendo que seguirá na defesa dos interesses dos produtores rurais e dos sindicatos que os representam, utilizando todos os intrumentos viáveis para fazer as cobranças.