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IMPACTOS NO AGRONEGÓCIO

Farsul divulga Nota Técnica com apontamentos sobre o acordo Mercosul- União Europeia

Federação agrícola destaca os pontos de protecionismo estabelecidos pela União Europeia e a postura do governo brasileiro perante as negociações; no entanto também considera que o acordo representa um avanço nas relações comerciais

Publicado em: 09/01/2026 às 19h:00 Última atualização: 11/01/2026 às 14h:19
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A aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) marca a criação da maior área de livre comércio do mundo, alcançando cerca de 700 milhões de pessoas.

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No entanto, uma Nota Técnica da Assessoria Económica da Farsul destaca que este avanço histórico é acompanhado por medidas de salvaguarda que garantem um elevado grau de protecionismo ao mercado agrícola europeu.

A Farsul identifica que a Comissão Europeia adotou duas frentes principais de salvaguardas. Em setembro, foram fixados tetos para a entrada de produtos como carne, aves, arroz, mel, ovos e etanol, prevendo intervenções em caso de desestabilização do mercado.

Além disso, novas regras permitem investigações se os preços do Mercosul forem 8% inferiores aos europeus, acompanhados de um aumento súbito de importações.

Restrições ambientais estabelecidas pela União Europeia

Outro ponto de preocupação levantado pela entidade refere-se às restrições ambientais e sanitárias. A Farsul aponta que a proibição de substâncias como o tiofanato-metilo afeta diretamente as exportações de citrinos, mangas e papaias.

Adicionalmente, a Lei Antidesmatamento da UE é criticada por não considerar a rigidez do código ambiental brasileiro, podendo impactar negativamente cadeias produtivas como a carne bovina, soja, café e couro.

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Farsul critica postura do governo brasileiro

A nota também traz uma análise quanto à postura do governo brasileiro, classificada como de “baixa assertividade” perante as medidas unilaterais dos europeus.

Segundo a Federação, em vez de tratar as barreiras como distorções graves, o governo parece acomodar-se para não comprometer o acordo. Para a Farsul, isso gera um desequilíbrio onde se aceita a liberalização no papel, mas se normaliza o risco permanente para o exportador do Mercosul.

Ainda assim o acordo trará benefícios à economia

Apesar das ressalvas, a Farsul apresenta os benefícios imediatos e graduais previstos no texto como a liberação ampla que garante que cerca de 93% das linhas tarifárias da UE estarão isentas de tarifas em até 10 anos.

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Para a carne bovina, a cota de 99 mil toneladas com tarifa de 7,5% e eliminação imediata da tarifa da Cota Hilton. As aves terão 180 mil toneladas com tarifa zero.

A eliminação completa de tarifas para abacates, limões, melões e maçãs. Arroz e Mel também serão beneficiados com volumes de 60 mil e 45 mil toneladas, respectivamente, com tarifa zero na entrada em vigor.

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Ainda precisa de aprovação do parlamento europeu

Embora o sinal verde político tenha sido dado, a Farsul recorda que o acordo ainda não produz efeitos jurídicos imediatos. O texto precisa de aprovação do Parlamento Europeu – onde há resistência de um bloco significativo de cerca de 150 eurodeputados – e dos parlamentos nacionais dos países do Mercosul. Até lá, a federação afirma que permanecerá monitorando o que define como um cenário de baixa previsibilidade para o produtor rural.

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