Os lagares de azeite de oliva estão mais movimentados do que nunca no Rio Grande do Sul. O Estado, que é o principal produtor do “ouro líquido” no Brasil, abriu oficialmente a colheita das olivas na semana passada com a expectativa de se aproximar de 1 milhão de litros do azeite. Uma estimativa mais aproximada dá conta de que poderão ser produzidos mais de 800 mil litros tranquilamente.

Foto: Nestor Tipa Júnior/ AgroEffective
O otimismo para com a produção se explica pela combinação de fatores climáticos e pela evolução técnica na produção. Nas últimas safras, o clima desfavoreceu a produção. Na safra 2023/2024, por exemplo, segundo dados levantados junto aos 25 lagares do Rio Grande do Sul, foram produzidos 193.500 litros de azeite. O período foi marcado pelas enchentes no Rio Grande do Sul.
Agora a realidade é outra, conforme observa o presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Flávio Obino Filho, que destacou a alta qualidade do azeite gaúcho. “Tivemos uma conjunção aqui no Rio Grande do Sul e no Brasil de fatores climáticos que deram como resultado o que estamos colhendo hoje. Tivemos o maior número de horas de frio dos últimos 20 anos no inverno, uma primavera pouco chuvosa e, agora, um verão equilibrado e sem chuva, dando condições para colher”, afirmou Obino Filho, em discurso durante a abertura da colheita, realizada em Triunfo, na propriedade do Azeite Milonga, na sexta-feira (17).
Com a presença do governador Eduardo Leite e do vice Gabriel Souza, abertura da colheita também foi marcada por projeções do futuro da cadeia produtiva. Durante o evento, foi firmado protocolo de intenções para criação do Centro de Referência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Olivicultura do Rio Grande do Sul. A iniciativa reúne universidades, governo e setor produtivo para ampliar a geração de conhecimento, promover inovação e qualificar a produção.
O centro terá como foco a identificação de demandas da cadeia produtiva, a transferência de tecnologia e a formação de profissionais, além de estimular práticas sustentáveis e aumentar a competitividade do setor no Estado. Impulsionar a cadeia interna é uma necessidade para o mercado do azeite no Brasil. Apesar do volume recorde, a produção nacional ainda representa entre 1% e 1,5% do consumo interno, segundo o Ibraoliva. Hoje a maioria dos azeites de oliva comercializados no Brasil são importados.