A partir deste ano, com a inclusão dos selos de qualidade de mudas – Premium, Superior e Standard – ficará mais fácil para os viticultores identificarem os níveis de qualidade das mudas comercializadas. Além dos selos colocados nas sacarias e nas caixas, os feixes de mudas terão etiquetas indicativas da sanidade.
A distribuição dos selos e etiquetas começou a ser feita na segunda quinzena de agosto aos viveiros na Serra gaúcha e nas demais regiões do Estado e em Santa Catarina. Poderá ser verificada no recebimento das mudas.

Foto: Viviane Zanella/Embrapa Uva e Vinho
A iniciativa é dos viveiristas associados Apassul (Associação dos produtores de sementes e mudas do Rio Grande do Sul), licenciados pela Embrapa. “Quando iniciamos o projeto em 2013, a situação era muito complicada, as mudas comercializadas eram contaminadas por vírus e doenças de tronco em níveis elevados, não apresentavam padrão morfológico unificado e muitas vezes eram obtidas na informalidade. Isso representava um grande prejuízo ao viticultor”, pontua Daniel Grohs, engenheiro agrônomo da Embrapa Uva e Vinho, um dos coordenadores da iniciativa.
Projeto de mudas de videiras entra em nova fase
Para Lucas Sinigaglia, coordenador do Comitê de Mudas dos viveiristas associados Apassul e proprietário do Viveiro Sinigaglia ao lado do irmão Edgar, o selo marca uma nova fase para o viveiro.
“Estamos recebendo o selo de qualidade Premium, que é o resultado de um trabalho que iniciou há três anos, uma parceria entre a Associação dos Viveiros, a Embrapa e a Apassul, que faz a certificação das mudas. Isso é uma garantia para o produtor que está adquirindo as mudas dos viveiros licenciados da Embrapa, de que vai ter uma muda de alta qualidade para a formação de vinhedos longevos, produtivos e sanitariamente confiáveis”, avaliou.
Elisangela Sordi, engenheira agrônoma e desenvolvedora de Mercado de Mudas da Apassul, é a responsável pela vistoria, garantindo que os parâmetros estabelecidos estão sendo cumpridos, o que resulta, na qualidade final da muda.
“O conjunto das visitas, coletas de amostras e análise de diferentes parâmetros, que vão desde o diâmetro da muda até a presença de doenças, é que nos permite definir se a muda irá receber o selo de Premium, Superior ou Standard. Esse padrão foi estabelecido a partir de sistemas de certificação de outros países mas ajustados às características locais dos viveiristas”, explica Elisangela.
Neste primeiro ano, foram certificados 53 lotes de mudas em 9 viveiros nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina para o recebimento do selo de qualidade de muda. Além disso, desde 2023, 143 campos de plantas matrizes foram analisados para o recebimento da etiqueta de qualidade viral.
Concepção das mudas de qualidade
De 2013 a 2019 a Embrapa Uva e Vinho executou o projeto Mudas de Qualidade, que organizou a produção profissional de mudas de videira. Dentre os avanços, houve a obtenção de plantas básicas de elevada sanidade viral; a consolidação da oferta do material propagativo básico aos viveiristas e o desenvolvimento de tecnologias para melhoria dos sistemas de produção de mudas.
Aos viticultores, foi necessário explicar quais as características de uma muda de qualidade e como eles deveriam avaliar este padrão. O treinamento foi importante para o produtor participar de forma ativa deste processo, tendo consciência que uma muda fora do padrão traz impactos negativos ao seu vinhedo. Com o tempo, tornou-se comum os produtores exigirem as características da muda de qualidade.
No caso dos viveiristas, o setor produtivo tinha uma visão distorcida da atividade, sendo, de maneira geral, considerada amadora. Com o programa, a busca pela muda de qualidade exigiu aporte tecnológico e maior rigor no processo de produção. Dessa forma foi inevitável a profissionalização deste segmento e que hoje está em pleno crescimento e altamente valorizado.
Atualmente, mesmo pequenos viveiristas sem perfil para serem licenciados, recorrem à Empresa de Pesquisa para obter orientações técnicas para qualificar a sua produção, pois o mercado tem exigido esse novo padrão.
Parcerias com viveiristas e diferencial de valor agregado
Os viveiristas associados têm observado um aumento da demanda pela entrega de mudas qualificadas. O setor passou a ver a muda de qualidade como uma marca de alto valor agregado.
Porém, o custo, a logística e a necessidade de mão de obra especializada inviabilizaram a Embrapa a permanecer à frente do programa de acompanhamento da produção em escala nacional. Assim, iniciou-se uma articulação junto à Apassul para atendimento nessa nova etapa.
A Apassul passou a liderar o processo de acompanhamento da qualidade, com o apoio técnico e curadoria da Embrapa, a partir da entrada oficial de 11 licenciados do RS e SC na associação.
Com esse movimento, a partir de 2025, o setor conta com viveiristas altamente tecnificados que além de serem autorizados a comercializar as cultivares protegidas da Embrapa, comercializam mudas com sua qualidade classificada e rastreável.