A cadeia produtiva da erva-mate no Rio Grande do Sul atravessa um dos períodos mais difíceis desde 1996. Diante da combinação de baixos preços, alta oferta e queda no consumo, o setor ervateiro se mobiliza em busca de soluções. O I Seminário da Erva-Mate, que será realizado em Ilópolis no dia 21 de novembro, surge como um espaço para debater alternativas e construir estratégias de valorização e fortalecimento da cadeia.
A crise atual, que afeta cerca de 14 mil produtores e 250 indústrias, é agravada pelo baixo preço pago pela arroba da erva-mate verde (entre R$ 17 e R$ 20), que não cobre os custos de produção, e pela queda no consumo per capita, que passou de 11 para 9 quilos anuais por habitante. Essa retração é atribuída a mudanças nos hábitos pós-pandemia e à diminuição do compartilhamento do chimarrão.
O seminário, promovido pela Frente Parlamentar da Erva-Mate da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Paparico Bacchi, reunirá produtores, indústrias, lideranças municipais e entidades representativas. O evento visa discutir medidas para reorganizar a cadeia produtiva e garantir a sustentabilidade do setor.
Entre as principais propostas em discussão estão a criação de um consórcio intermunicipal da erva-mate, voltado à profissionalização da gestão e à captação de recursos, e o fortalecimento do Fundomate, fundo estadual que visa financiar projetos de pesquisa, inovação, promoção comercial e desenvolvimento da erva-mate.
O Rio Grande do Sul é o maior produtor de erva-mate do Brasil, com cerca de 273,7 mil toneladas anuais produzidas em 173 municípios e uma área cultivada de 34 mil hectares. O Estado também é responsável por cerca de 80% das exportações brasileiras do produto, com o Uruguai como principal destino. Ilópolis se destaca como o maior produtor estadual.
Bacchi tem liderado os esforços para reverter a crise. Durante a Comissão de Economia, Trabalho, Desenvolvimento Sustentável e Turismo, Bacchi reforçou a urgência de medidas e criticou a falta de transparência na aplicação dos recursos do Fundomate. “É hora de o Estado cumprir seu dever e garantir que esses valores retornem a quem vive da erva-mate”, afirmou.
O seminário em Ilópolis representa um passo crucial para o futuro da erva-mate no Rio Grande do Sul. O evento reunirá o Poder Público, o setor produtivo e a sociedade civil para debater temas estratégicos e construir políticas públicas que garantam a sustentabilidade econômica e cultural da erva-mate, um símbolo da identidade gaúcha e fonte de sustento para milhares de famílias.