O grupo, que atuou no aparelhamento da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para espionar opositores durante o governo do ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro, pensava estar monitorando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, mas acabou espionando outro homem com o mesmo nome.
LEIA MAIS: Bolsonaro não foi indiciado pela PF no caso Abin paralela? Entenda

Foto: Fellipe Sampaio /STF
O nome de Alexandre de Moraes está entre os quase 1.800 alvos da Abin paralela, como ficou conhecido o caso. Segundo a PF, há indicativo de que o monitoramento teria se dado por erro dos investigados.
Ainda, a PF afirma que o ex-presidente, que não foi indiciado por já responder pelo crime em outra ação, foi o principal beneficiado pelo esquema. Procurada, a defesa de Jair Bolsonaro ainda não se manifestou.
CONFIRA: Moraes nega pedido de Bolsonaro para anular delação de Cid
De acordo com o relatório final do inquérito, tornado público nesta quarta-feira (18), o sistema First Mile foi utilizado três vezes contra um cidadão chamado Alexandre de Moraes Soares, morador de São Paulo, sem que qualquer justificativa tenha sido dada. Confira o que diz o relatório policial:
“O registro, por exemplo, associado à pesquisa de ‘ALEXANDRE DE MORAES SOARES’ não apresenta nenhuma justificativa, levando à plausibilidade de terem sido realizadas 3 (três) pesquisas do homônimo do Exmo. Ministro Relator no dia 18/05/2019. O homônimo alvo da pesquisa, ainda, reside no Estado de São Paulo. O marco temporal da pesquisa é compatível com a instauração do Inquérito n.º 4781 em março de 2019 pelo então presidente do STF, Exmo. Ministro Dias Toffoli. Em 14/05/2019, houve a disponibilização para julgamento de recurso para suspender a apuração.“
SE INSCREVA NA NEWSLETTER DO ABCMAIS
O Inquérito 4.781, que ficou conhecido como Inquérito das Fake News, foi aberto para investigar notícias falsas e ataques contra a Corte e o Poder Judiciário. O relator é justamente Alexandre de Moraes.
Segundo a PF, um agente de inteligência realizou diversas pesquisas no sistema First Mile, dentre elas a do homôniomo do ministro. “O servidor foi designado ao posto de Auxiliar de Adido na França, entretanto não embarcou de volta da missão em 29/04/2024, abandonando o cargo público, não havendo informações sobre seu paradeiro naquele país”, dizem os investigadores.