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CARNAVAL 2025

Cabeça de bode e corpo humano: O que é a figura exibida em carro alegórico de escola de samba no carnaval do Rio

Última noite de desfile de escolas de samba na Marquês de Sapucaí aconteceu nesta terça-feira (4)

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Publicado em: 05/03/2025 às 11h:38 Última atualização: 05/03/2025 às 11h:39
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Os desfiles das escolas de samba no Rio de Janeiro são um verdadeiro show de cultura durante o carnaval. Na noite desta terça-feira (4), mais quatro desfilaram pela Marquês de Sapucaí, e uma figura em um dos carros alegóricos chamou a atenção das redes sociais: ele tinha cabeça de bode e segurava um tridente.

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Figura de Exu Maioral abriu desfile no primeiro carro alegórico da Paraíso de Tuiuti | abc+



Figura de Exu Maioral abriu desfile no primeiro carro alegórico da Paraíso de Tuiuti

Foto: Globo/Redes Sociais/Reprodução

No primeiro carro alegórico da Paraíso do Tuiuti, estava a figura de Exu Maioral, sob a doutrina quimbanda, uma das religiões de matriz africana no Brasil. O Livro Abre-Alas, da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), o descreve como a união das forças opostas que se complementam, como luz e sombra, vida e morte, dia e noite, etc.

Ele faz parte do primeiro carro de alegoria pois fala sobre a ancestralidade de Xica Manicongo, que é tema do enredo da escola. “Uma antiga história na tradição quimbanda que conta que no caos criacional Exu Maioral separou as duas energias equilibradas nos Exus Primordiais e criou exus de energia masculina e de energia feminina”, descreve o livro.

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Exu Maioral é “um ser andrógino com cabeça de bode, seios femininos e pés de boi que sintetiza na sua figura o equilíbrio do universo, energético e espiritual. Aponta tanto para baixo quanto para cima para dizer que ‘tudo que está acima, também está embaixo’, também conhecido como ‘assim na terra como no céu'”.

O tridente que Exu Maioral carrega traduz a energia tripolar, sendo negativa, positiva e neutra. Além disso, ele representa o domínio dos quatro elementos da natureza, com as três pontas para cima sendo água, fogo e ar, e o cabo para baixo, para a terra.

Ele também une os pólos feminino e masculino, representados pelos lados arredondado e quadrado, respectivamente, e “simboliza a capacidade de estar em todos os lugares, o domínio do espaço e do tempo”.

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A estrela de sete pontas, que fica atrás dele no carro, demonstra a espiritualidade dos sete reinos da quimbanda: encruzilhadas, cruzeiros, matas, kalunga, almas, lira e praia.

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Quem é Xica Manicongo?

O enredo da Paraíso de Tuiuti deste ano foi Quem tem Medo de Xica Manicongo?. Ele conta a história de Xica, uma mulher transsexual sacerdotisa da quimbanda, que vivia no Reino do Congo, onde era respeitada, até ser sequestrada e trazida para o Brasil, onde foi escravizada.

Em terras brasileiras, nomeado como Francisco Manicongo, sofreu o primeiro caso registrado de transfobia do País. Conforme o livro, os registros ditam que ele insistia em usar “vestes femininas” e “fazer papel de mulher”. O escravizado foi acusado de feitiçaria à santa inquisição na Bahia, no século dezesseis.

No início dos anos 2000, a então presidente da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), Marjoerie Marchi, rebatizou a personagem como Xica Manicongo.

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