Após quase 20 anos de tramitação judicial, o Tribunal do Júri de Novo Hamburgo condenou Adriana Guinthner, de 55 anos, pela morte do escrivão judicial Paulo Cesar Ruschel. Ela recebeu pena de 18 anos e 8 meses de reclusão em regime fechado.
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Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
A decisão foi tomada por um Conselho de Sentença formado por sete mulheres. O julgamento, que iniciou na terça-feira (5), ocorreu no Foro de Novo Hamburgo e teve sentença proferida pela juíza Bruna Casagrande na tarde de quarta (6).
Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu na madrugada de 22 de outubro de 2006, na residência do casal, na Avenida Pedro Adams Filho, no bairro Pátria Nova. Ruschel, então com 48 anos, foi morto com dois tiros na cabeça e um no tórax enquanto dormia.
De acordo com a acusação, Adriana teria participado do planejamento do homicídio e facilitado a entrada dos executores na casa. O órgão sustentou que o crime teve motivação patrimonial e foi cometido mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.
Durante o interrogatório no plenário, a ré respondeu apenas às perguntas formuladas pela defesa, recusando-se a responder aos questionamentos do MP.
Na sentença, a magistrada fixou a pena-base em 14 anos de prisão. Em seguida, aplicou agravante por entender que a acusada se prevaleceu da relação doméstica e de proximidade com a vítima. Com o reconhecimento das qualificadoras pelos jurados, a pena definitiva chegou a 18 anos e 8 meses de reclusão.
A juíza determinou o início imediato do cumprimento da pena em regime fechado.
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Após a leitura da sentença, o promotor Eugênio Paes Amorim afirmou que a condenação representa uma resposta após a anulação do primeiro julgamento, ocorrido em 2024.
“Hoje a decisão teve um sabor especial para o Ministério Público, na medida em que o júri anterior, que havia condenado a ré, foi anulado por uma acusação infundada de misoginia contra os promotores”, declarou.
O promotor também destacou a composição do Conselho de Sentença. “Se a questão era gênero, ela foi condenada por sete mulheres”, afirmou.
A defesa de Adriana optou por não se manifestar.
O filho de Ruschel esteve no júri com a família.
Reviravoltas
O caso passou por sucessivas reviravoltas judiciais ao longo das últimas duas décadas. Em 2023, Adriana já havia sido condenada a 15 anos e 9 meses de prisão por homicídio duplamente qualificado, após um júri que durou cerca de 26 horas. Ela chegou a permanecer presa por 13 meses, até que a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul anulou o julgamento, acolhendo recurso da defesa.
Na ocasião, o Tribunal entendeu que houve irregularidades durante o júri, entre elas a utilização de fotografias pessoais da ré consideradas inadequadas e sem relação direta com os fatos investigados. Com a anulação, o processo retornou à fase do Tribunal do Júri, culminando no novo julgamento realizado nesta semana.