Uma declaração do vereador Fabrício Wust (MDB) durante a sessão da Câmara de Vereadores de São José do Hortêncio, na noite de quarta-feira (17), gerou repercussão. Ao defender um homem que teria sido impedido de ingressar em uma escola para realizar um serviço de troca de vidros, o parlamentar afirmou que ele não havia cometido um crime grave. Conforme o vereador, o homem teria cometido algum crime relacionado à Lei Maria da Penha. [Veja vídeo ao final da matéria]
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Foto: Reprodução
“Ele não cometeu um crime grave, nada, ele só cometeu um crime de Maria da Penha”, declarou Wust durante pronunciamento na tribuna.
Segundo o vereador, o homem foi chamado para executar uma obra na escola, mas acabou sendo barrado ao chegar ao local. Wust argumentou que o fato de ele ser ex-presidiário não deveria impedir a realização do trabalho.
O assunto surgiu após manifestação da vereadora Leila Fernanda Hanauer (PL), que defendeu a decisão da direção da instituição de ensino. Conforme a parlamentar, havia uma determinação que impedia o acesso do homem à escola. Ela também manifestou apoio à postura adotada pelo diretor.
A declaração de Wust provocou reação do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de São José do Hortêncio. Em nota divulgada nesta quinta-feira (18), a entidade repudiou a fala e afirmou que o vereador minimizou a gravidade da violência contra a mulher ao tratar um crime enquadrado na Lei Maria da Penha como algo sem relevância.
“O nobre edil, ao abordar uma situação específica, coloca o crime de violência contra a mulher como um crime leve, nada grave”, afirma o documento.
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O conselho ressaltou que a violência doméstica e familiar causa danos físicos, psicológicos, morais, sexuais e patrimoniais às vítimas, além de deixar marcas profundas em famílias inteiras. A entidade também destacou que a Lei Maria da Penha representa uma conquista histórica na proteção das mulheres e foi criada para combater situações de violência que durante anos foram naturalizadas pela sociedade.
A entidade também afirmou que relativizar a violência contra a mulher contribui para o enfraquecimento das políticas públicas de proteção às vítimas e para a perpetuação de uma cultura que favorece agressores e silencia mulheres.
Fabrício Wust já esteve envolvido em outras declarações polêmicas no cenário político local. Em ocasião anterior, o vereador chamou a prefeita de São José do Hortêncio, Ester Elisa Dill Koch (PL) de “bruxa”, episódio que também repercutiu no município.
A reportagem tentou contato com o vereador. Ele retornou o contato, mas ainda não se manifestou sobre o caso. O espaço permanece aberto para manifestação.
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