Após dois meses perdido em uma área de mata em Novo Hamburgo, um cão que mobilizou moradores e órgãos públicos nas redes sociais voltou para casa. Desaparecido desde novembro, o Pipoca, apelidado de Tarzan, reencontrou os tutores no último sábado (18).
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Foto: Arquivo pessoal
Encontrado com as patas ensanguentadas e um nódulo na região do pescoço, o cão passou meses vivendo em uma área de mata, entre um condomínio e um clube, no bairro Canudos. Assustado e arisco, ele não permitia aproximação humana e sobrevivia graças à ajuda diária de moradores e do Centro Municipal de Proteção Animal (Cempra) que se revezavam para levar comida e água, enfrentando riscos para acessar o local.
A vendedora Fabiele Ferreira, de 40 anos, acompanhou Pipoca desde o início, tendo sido quem o encontrou e passou os dois meses seguintes articulando ajuda e levando alimento ao animal. “Cuidar do Pipoca por 67 dias foi algo extremamente emocionante. Ele nunca deixava ninguém encostar nele, tinha um medo absurdo de humanos”, relata.
A mobilização ganhou força após a publicação de uma reportagem do Jornal NH nas redes sociais, que destacava a dificuldade de resgate, o estado de saúde do animal e o apelo por um lar temporário ou adoção.
O vídeo alcançou a marca de 180 mil visualizações no Instagram, e dentre as contas alcançadas, protetores e voluntários se solidarizaram com a história de Pipoca. Desta forma, o cão que procurava por um lar temporário, até então, acabou recebendo a chance de retornar à casa em que crescera nos últimos sete anos.
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O reencontro
Segundo a tutora, Lilian Nemitz, de 42 anos, Pipoca foi adotado pela família em agosto de 2019, ainda filhote, com cerca de um mês e meio de vida. O desaparecimento do cão ocorreu no dia 18 de novembro, durante um dia de trabalho da família. “Quando voltamos à noite, ele não estava mais. Procuramos em todos os cantos, ficamos muito preocupados. O medo de ele ter sido atropelado ou machucado era enorme”, relembra Lilian.
“Descobrimos onde ele estava porque viram a reportagem na sexta-feira, me avisaram e eu liguei para o número que foi divulgado”, conta Lilian. O reencontro foi marcado por emoção e alívio, ao reunir Pipoca e sua família novamente. “Foi como tirar um peso enorme. Poder pegar ele no colo, dar carinho como ele sempre teve… foi emocionante demais, para nós e para quem cuidou dele nesses meses”, completa.
A operação reuniu a família de Pipoca, a cuidadora Fabiele e o Cempra, que adentraram a mata em busca do cão. “No dia do resgate, quando ele viu os donos, ele chorava, tremia. E ali, quando se sentiu seguro, ele lambeu a gente, me olhou nos olhos… parecia que estava agradecendo”, relata Fabiele.
Fabiele destaca que o momento foi marcante por cessar um período de perigo e tensão para o cachorro. “Ele passou por temporais dentro da mata, e depois descobrimos que ele morre de medo de chuva. Ele foi um cãozinho muito valente”, completa.