O dia 14 de dezembro foi marcado por pânico e tristeza na Praia de Bondi, na Austrália. O atentado à uma celebração judaica na praia feriu 40 pessoas e deixou 15 vítimas fatais, atravessando não só suas histórias e a de suas famílias, como as dos cerca de 11 mil habitantes do local. Andressa Robe Peters, gaúcha que vive na Austrália há 10 anos, foi uma destas pessoas.

Foto: Arquivo Pessoal
Natural de Pelotas, Andressa deixou o Brasil para estudar inglês, após se formar em Relações Internacionais, em 2015. Ela mora na Praia de Bondi, que fica a cerca de sete quilômetros de Sydney e é descrito como tranquilo e pacífico. “Aqui na Austrália o pessoal é muito do bem, é muito coração”, detalha Andressa.

Foto: Arquivo pessoal
Ela relata que naquele domingo havia visitado a praia 30 minutos antes do ataque, hábito comum em sua rotina. Porém, ao chegar em casa começou a receber ligações de amigos e familiares preocupados com sua segurança. Seu namorado, também brasileiro, ainda não havia retornado à residência em que moram juntos, e foi quem a avisou sobre o atentado que acontecia na praia.
Após receber a informação, Andressa começou a ouvir os barulhos de sirenes e helicópteros que circulavam o local na tentativa de controlar o tiroteio. “Ninguém sabia muito o que estava acontecendo, as pessoas estavam muito assustadas. Eu não estava presente no momento do tiroteio, mas eu estava muito perto, então eu tava muito mal, eu sentia o medo das pessoas. Foi um momento de muita tensão no ar”, relata.
Inicialmente as informações eram confusas, não havendo confirmação do número de atiradores e suas localizações ao redor da praia, o que afligia Andressa por não ter certeza da segurança de seu companheiro e amigos. “A gente jamais imagina que possa acontecer tão perto da gente, foi como um pesadelo”, relembra.
A jovem também explicou que as celebrações na praia são comuns em Bondi, tornando-se um ponto de encontro entre os moradores e visitantes. Além disso, o número de indivíduos que se identificam como judeus na Austrália chega a quase 100 mil pessoas. “Na minha rua tem duas sinagogas, a comunidade judaica está muito abalada”, comenta Andressa.
Os dias que sucederam a tragédia foram marcados por homenagens às vítimas – com flores, recados e cantos especiais, além de uma marcha organizada por surfistas nas ondas de Bondi.
Segundo Andressa, os moradores ainda seguem abalados, levando em conta o caráter próximo da comunidade local e o choque em vivenciar um atentado em meio a um local de comum circulação. “Eu também nem sei o que devemos fazer, sair na rua e continuar a vida? Diante de uma tragédia dessas… Ainda estou sem palavras, muito triste”, completa.
O atentado
Na tarde do dia 14 de dezembro, a praia de Bondi recebia centenas de judeus para a celebração do Hanukkah – tradicional comemoração judaica que iniciava-se no dia 14 e comemora a rededicação do Segundo Templo em Jerusalém.
Durante o momento, dois atiradores começaram a disparar balas contra os celebrantes, ferindo 40 pessoas e matando 15, incluindo policiais e uma criança. Pai e filho, os atiradores foram identificados como Sajid Akram e Naveed Akram, de 50 e 24 anos. O incidente trata-se do pior massacre a tiros em 30 anos no país.
A partir do confronto entre a polícia e os atiradores, o pai veio a óbito, enquanto o filho foi preso e acusado por 59 crimes, incluindo terrorismo. Segundo informações levantadas, os acusados tinham inspiração do Estado Islâmico (EI).