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Genomas africanos no Brasil que não existem na África? Entenda 5 novidades desvendadas em estudo de mapa genético brasileiro

Estudo mais completo sobre mapa genético brasileiro foi liderado pela Universidade de São Paulo (USP)

Publicado em: 16/05/2025 às 10h:15 Última atualização: 16/05/2025 às 10h:16
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O estudo mais completo sobre o mapa genético brasileiro, liderado pela Universidade de São Paulo (USP), foi publicado nesta semana na revista Science. E ele trouxe novidades, como a existência de combinações de genomas africanos no Brasil que não existem nem na África, informações sobre os genes de fertilidade e mais.

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Pesquisa analisou genomas completos de  2.723 pessoas no projeto DNA do Brasil | abc+



Pesquisa analisou genomas completos de 2.723 pessoas no projeto DNA do Brasil

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A pesquisa analisou os genomas completos de 2.723 pessoas como parte do projeto DNA do Brasil, e inclui indivíduos de comunidades urbanas, rurais e ribeirinhas das cinco regiões geográficas do País. Como resultado, os cientistas conseguiram reunir a maior base genética da população brasileira já organizada até hoje.

Veja 5 novidades que o estudo traz sobre o genoma brasileiro

1. Um dos países mais miscigenados do mundo

A pesquisa revela mais de oito milhões de variantes genéticas desconhecidas até hoje. A maior parte da amostra estudada apresenta cerca de 60% de ancestralidade europeia, 27% africana e 13% nativa. As maiores porcentagens de ancestralidade africana estão no Norte e no Nordeste, enquanto as europeias se concentram no Sul e no Sudeste.

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2. Combinações de genomas africanos no Brasil que não existem nem na África

Segundo a geneticista Lygia da Veiga Pereira, uma das líderes do estudo, foram encontradas combinações de genomas africanos que não são encontradas nem mesmo na África. “Os povos geograficamente distantes retirados à força da África se encontraram aqui e se misturaram”, disse a pesquisadora.

3. Acasalamentos eram mais assimétricos e passaram a ser mais seletivos

A pesquisa revela também a ocorrência de acasalamentos assimétricos sistemáticos nos primeiros séculos do Brasil (séculos 16 a 18), sobretudo entre homens colonos europeus com mulheres indígenas africanas. A partir disso, os casamentos passaram a acontecer dentro dos próprios grupos étnicos, isto é, passaram a ser mais seletivos, segundo os pesquisadores.

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4. Variantes genéticas potencialmente patogênicas

A equipe identificou também variantes genéticas potencialmente patogênicas em 450 genes ligados a doenças cardíacas e obesidade, além de 815 genes relacionados a doenças infecciosas, como malária, hepatite, gripe, tuberculose e leishmaniose. Mais estudos serão necessários para determinar o papel e a influência de cada um desses genes. 

5. Genes da fertilidade

O estudo identifica também variantes genéticas que favorecem a fertilidade, além de genes ligados à resposta imunológica do organismo e ao sistema metabólico, que teriam sido favorecidos pela seleção natural ao longo de 500 anos de miscigenação.

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“Os processos de seleção natural do genoma costumam ocorrer ao longo de milhares de anos, mas na população brasileira observamos um processo mais recente e muito mais curto”, descreve o pesquisador David Comas, do Instituto de Biologia Evolutiva (IBE) de Barcelona, que colaborou com a pesquisa da USP.

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