A enchente de maio de 2024 deixou marcas profundas no Rio Grande do Sul. O Vale do Paranhana também foi castigado naquele episódio. Por isso, ainda em dezembro, a Fundação Hospitalar Rolante (FHR) inaugurou duas importantes obras, sendo que uma envolve a questão climática.

Foto: Jauri Belmonte/Especial
Localizado às margens do Rio Rolante, que é um dos afluentes do Rio dos Sinos, o hospital rolantense
foi severamente afetado pela maior tragédia climática da história do Estado. O rio transbordou e todo o
andar térreo da casa de saúde foi inundado, causando um prejuízo de mais de R$ 3,6 milhões. A água
chegou a um metro e meio nos corredores, exigindo a transferência dos pacientes para outros hospitais.
“Prevenir é melhor do que remediar”
Foi fazendo uso deste ditado que o município articulou a busca de ajuda junto do governo do Estado a fim de evitar que novas enchentes prejudiquem o atendimento no hospital. Um sistema de proteção de cheias, nos fundos do terreno do hospital, foi inaugurado na data em que a FHR completou 42 anos.
A obra recebeu recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), em um investimento de quase R$
550 mil. “É melhor investir em prevenção do que gastar quase R$ 4 milhões para corrigir os estragos
causados por uma nova enchente”, disse o diretor-geral da Fundação Hospitalar de Rolante, Cláudio
Paranhos. Para se ter noção da importância e singularidade da obra, a inauguração contou com cerimonial especial que, além de autoridades locais, teve a presença da secretária de Saúde do Estado, Arita
Bergmann.
Ela fez questão de lembrar que o projeto de contenção de cheias foi o primeiro na área da saúde idealizado e aprovado pelo Conselho Gestor do Plano Rio Grande. “Bom chegar em Rolante, em uma época tão boa quanto o Natal e ser recebida assim para inaugurar uma obra tão importante. O recurso do
Funrigs está sendo muito bem empregado para proteger a instituição e as pessoas. Isso é importante
dizer, porque quando protegemos um patrimônio, também protegemos os usuários e as equipes. Por
isso o projeto é tão importante, e estamos muito felizes por entregá-lo à comunidade”, salientou Arita.
Um histórico de alagamentos
O fato de o hospital ficar às margens do Rio Rolante torna o local mais vulnerável a enchentes. Durante a entrega da obra, Cláudio Paranhos lembrou do histórico de alagamentos.
“Na enchente de 2024 perdemos quase toda a estrutura do hospital. Essa obra é esperada há muitos anos, até porque não podemos mudar de lugar. Então, hoje é um dia de muita alegria e que temos auxílio do governo do Estado com esse recurso. A ação representa a segurança de que não teremos mais que reconstruir a instituição: poderemos investir os recursos para fazê-la evoluir”, disse.
Rolante ganha ambulatório para tratar de dores crônicas
Além do novo sistema de proteção contra enchentes, o hospital de Rolante ganhou no fim do ano um ambulatório para tratar de dores crônicas. Os atendimentos começam agora em janeiro. O ambulatório recebeu o nome de Secretária de Saúde Arita Bergmann.
“Acho que talvez eu não consiga expressar aqui todas as homenagens que ela [Arita] merece. Uma pessoa que tanto faz por nós e pela saúde de Rolante e do nosso Estado”, disse Paranhos. Arita diz que, com o novo serviço, Rolante avança no atendimento a pacientes com dores crônicas. “Dentro do SUS gaúcho, queremos criar ambulatórios para tratar a dor, um por macrorregião. E a Fundação Rolante criou um projeto que vai nos dar subsídios e criar estudos de caso, além da evolução e da melhoria da saúde dessas pessoas”, destacou.
Com abordagem multidisciplinar, combinando medicações, terapias não medicamentosas, além de apoio psicológico, o ambulatório para tratar de dores crônicas foi idealizado pelo diretor Cláudio Paranhos, além das profissionais da saúde Manoela Martins Klein, Pamela Rikerth, e Vanessa da Silva Gobetti.