Nesta sexta-feira (8), Novo Hamburgo se despede do monsenhor Américo Cemin, que deixa fiéis e comunidade em luto após mais de 60 anos de atuação na região. Sendo velado na Catedral São Luiz Gonzaga, de Novo Hamburgo, onde era vigário, o monsenhor era uma emblemática figura da fé local, reunindo diversas homenagens em sua despedida, que será encerrada neste sábado (9), no Cemitério Católico do Bairro Floresta, em Gramado.
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Foto: Reprodução
Nascido no município de Doutor Pedrinho, em Santa Catarina, o religioso completou 93 anos em novembro, destinando 63 deles ao paroquiado. De acordo com o padre Everson Lino Rodrigues, Américo fez parte da congregação dos Salesianos, ordem fundada por São João Bosco e dedicada à educação e ao cuidado dos menores, buscando “educá-los para o bem e tirá-los das situações de vulnerabilidade”.
Ordenado em 1961, passou por diversas funções na congregação, como professor e também auxiliar em diversas paróquias. Em 1976, passou a fazer parte do clero da Arquidiocese de Porto Alegre, e em 1977, foi nomeado pároco da paróquia Nossa Senhora de Lourdes de Canela, onde atuou até 1985. Na diocese de Novo Hamburgo, o monsenhor começou a atuar em 1985, tornando-se pároco da Catedral São Luís Gonzaga, onde ficou até 2001.
“Também exerceu a função de vigário-geral por muitos anos. No ano de 2007, foi pároco da paróquia Nossa Senhora da Piedade. Depois foi vigário da paróquia São Pedro, de Gramado. E, desde 2016, residia e era vigário da paróquia São Luiz Gonzaga, a catedral onde já havia atuado como pároco. Um homem conhecido pela bondade, pela dedicação, pela simplicidade”, relata Padre Lino.
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Definido por uma série de elogios, Américo Cemin é lembrado, principalmente, como um homem manso, alegre e muito culto, tendo integrado por muitos anos o conselho da Aspeur, mantenedora da Universidade Feevale. “Um mestre, um exemplo de sacerdote, um exemplo de docilidade para com o rebanho, com as pessoas. Então, nós perdemos um grande homem, mas que completou a sua missão, é um testemunho para nós”, relata o monsenhor Valnei Armesto.
“É um grande homem, eu guardo sua admiração e com certeza ele receberá os prêmios da vida eterna junto de Deus. Um homem realmente sábio que nos ajudou e que deixa um legado enorme para a diocese. Um legado enorme para a sociedade hamburguense e toda a diocese, porque também, sendo salesiano, era um homem muito voltado para a educação”, completa.
Sempre muito atualizado e bem-humorado, Américo Cemin também é lembrado com carinho e gratidão por fiéis, como Beatriz Salvi de Azevedo, que conviveu ao lado do monsenhor por mais de 30 anos. Beatriz conta que o pároco foi símbolo de acolhimento, tendo apadrinhado sua família, que morou junto ao religioso por 14 anos.
“Ele foi uma pessoa que amei muito, foi ele quem estava presente quando perdi meus dois filhos. Ele foi o meu guia espiritual nesses momentos, foi com ele que aprendi o sentido da vida, de levar as coisas com gratidão e agradecimento”, relembra a fiel.
Cemin é lembrado pelos amigos e familiares por seus gostos pessoais e personalidade. “Ele tinha um carinho muito grande pelos animais, tanto que ele tinha um cachorro chamado Tampinha que ia na missa com ele e ficava ao lado dele”, conta Beatriz.
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“Todas as vezes que visitávamos ele, acolhedor, um homem de muita leitura, sempre sintonizado na realidade do mundo atual. Passava horas e horas ouvindo rádio, inclusive ouvia muito a rádio ABC do Grupo Editorial Sinos”, menciona o monsenhor Valnei.
O religioso havia sofrido um AVC em 2021, acidente que o levou a locomover-se por meio de uma cadeira de rodas desde então. “Mesmo agora, nos últimos anos, passando por uma situação de enfermidade, ele sempre estava muito sorridente. Mesmo quando estava com dores, se preocupava mais com os outros do que consigo. Sempre perguntava se estava bem, se precisava de alguma coisa, quando na verdade era ele quem estava sempre precisando de cuidados”, lembra o padre Marco Leal.
De acordo com relatos de pessoas próximas, nos últimos anos o monsenhor começou a adoecer por conta da idade avançada. A causa da morte do vigário ainda não foi confirmada.