abc+

SAÚDE

Novo Hamburgo prepara ofensiva contra a dengue

Período de baixas temperaturas é o ideal para combater a doença

Publicado em: 17/06/2026 às 09h:55 Última atualização: 17/06/2026 às 09h:55
Publicidade

Quase metade dos casos confirmados de dengue no Rio Grande do Sul foram registrados em Novo Hamburgo. O município se mobiliza para evitar uma piora no cenário, que pode se agravar com o El Niño, que gera aumento das temperaturas e das chuvas.

Publicidade

E é justamente agora, no periodo de baixas temperaturas, que as medidas profiláticas devem ser intensificadas, minimizando a proliferação do mosquito Aedes aegypti. O resultado do segundo boletim informativo do ano do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), em maio, demonstrou alto risco para surto da dengue e outras doenças causadas pelo inseto.

Análise de coleta realizada pelo biólogo e coordenador do Projeto da Dengue da Universidade Feevale, Tiago Filipe Steffen | abc+



Análise de coleta realizada pelo biólogo e coordenador do Projeto da Dengue da Universidade Feevale, Tiago Filipe Steffen

Foto: Paola Altneter/GES-Especial

ENTRE NO NOSSO CANAL NO WHATSAPP

A análise é feita no projeto de Combate e Prevenção à Dengue, executado pela Universidade Feevale e pela Prefeitura de Novo Hamburgo. Entre os dias 11 e 19 de maio, os agentes de Combate às Endemias visitaram 3.924 imóveis. A partir da visita, 252 amostras de larvas e/ou pupas de mosquitos foram coletadas. Destas, 76% apresentaram-se positivas para o mosquito transmissor dos vírus de dengue, zika e chikungunya.

De acordo com o biólogo e coordenador do projeto, Tiago Filipe Steffen, o percentual ainda é um reflexo do outono. “Quando está frio, as larvas ficam dentro da água, mas não se desenvolvem, não viram um mosquito adulto. Então como a gente teve dias bastante quentes antes de maio, tem uma grande quantidade de larvas, mas não necessariamente virando adultos. Elas estão esperando o momento ideal”, explica.

Publicidade

Momento de mobilizar

Para que esse momento não chegue, é preciso adotar alguns cuidados. “Agora é o melhor momento para toda comunidade acabar com a água parada, porque os mosquitos estão nos depósitos e, se a gente conseguisse diminuir nesse período esses depósitos, no verão os mosquitos não se tornariam adultos. Agora é o momento mais importante para o combate, porque tem poucos mosquitos adultos e uma grande quantidade de larvas e pupas nos depósitos”, detalha.

Apesar dos índices altos, o resultado do LIRAa corresponde ao esperado para esta época do ano, conforme Steffen. “A gente sempre tem um problema nesse período do ano, que ainda tem bastante mosquito, porém, a gente sabe que daqui para frente vai ser mais frio, então vai ocorrer uma diminuição natural dos insetos e dos casos”, aponta.

Cuidado constante

Com a chegada do El Niño, podem surgir mais depósitos com água, o que representaria também uma preocupação para os casos de arboviroses.

Publicidade

Até o levantamento mais recente, Novo Hamburgo é o município com maior número de notificações de casos de dengue no Estado e representa praticamente metade dos casos confirmados no Rio Grande do Sul. Até ontem (16), foram recebidas 1.998 notificações de casos suspeitos, sendo 964 confirmados, 284 em investigação, 706 descartados e um óbito. Segundo o biólogo, a cidade sofre atualmente com uma pequena epidemia de dengue, localizada principalmente nos bairros Primavera, Petrópolis, Boa Saúde e Rincão.

CONFIRA: Conta de luz vai subir quase 15% para clientes residenciais da RGE Sul; veja as novas tarifas

Publicidade

O fato de ser uma das maiores cidades da região colabora para este cenário. “A gente percebe que o vírus está presente o ano todo e, como tem muita gente que não teve dengue, o vírus está circulando, e quando tem esse aumento da quantidade de mosquito pelos meses mais quentes o vírus acaba circulando de maneira mais rápida”, esclarece Steffen.

Principais pontos de infestação

Os principais pontos de infestação da Aedes aegypti são os pequenos depósitos móveis, como pratos de plantas, regadores e baldes, além dos acúmulos de lixo, ralo e piscina. Apesar de simples, o combate precisa ser constante, com vistoria durante o ano todo. “É fácil virar o pote com água, o problema é mudar o hábito das pessoas de fazer isso toda semana”, afirma Steffen.

Número inferior no primeiro LIRAa

No primeiro boletim informativo do ano com resultados do LIRAa, que teve o levantamento entre os dias 5 e 13 de janeiro, os agentes de Combate às Endemias visitaram 3.959 imóveis.

Publicidade

Na visita, 548 amostras de larvas e/ou pupas de mosquitos foram coletadas. Dessas, 58% apresentaram-se positivas para Aedes aegypti, um número inferior ao segundo boletim do ano.

Ampliação de profissionais

Uma das estratégias que integra o trabalho permanente de prevenção e enfrentamento à dengue é a ampliação do quadro de profissionais. De acordo com a Prefeitura, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) iniciou o chamamento de dez novos agentes de combate às endemias para recompor o quadro de servidores e garantir a cobertura de todo o território do município.

Publicidade

LEIA TAMBÉM: Depois do amanhecer mais frio do ano, veja como fica o tempo nesta quarta-feira no RS

Entre as ações realizadas pela administração municipal, estão o trabalho de orientação à população para evitar o acúmulo de água parada nas residências, atividades educativas nas escolas, limpeza de áreas com acúmulo de entulhos e ações pontuais de borrifação residual intradomiciliar.

Publicidade

“Neste mês, os agentes ampliaram a aplicação de inseticida em regiões com maior incidência do mosquito Aedes aegypti”, afirma a gestão municipal.

A Prefeitura ressalta que cuidados como eliminar recipiente que possa acumular água parada, manter caixas d’água sempre bem fechadas, limpar calhas e ralos regularmente, colocar areia nos pratinhos de plantas, manter lixeiras tampadas, guardar garrafas e baldes virados para baixo e manter piscinas tratadas e cobertas quando não estiverem em uso são fundamentais.

 

Publicidade