abc+

SEPARAÇÃO LINGUÍSTICA

Novo idioma nacional: Qual língua pode ser oficializada para substituir o português no Brasil?

Diferenças históricas, influências indígenas e africanas moldaram língua com características próprias

Publicado em: 17/06/2025 às 14h:52 Última atualização: 17/06/2025 às 14h:53
Publicidade

Linguistas defendem que o português falado no Brasil já se distanciou o suficiente da versão europeia para ser reconhecido como uma língua independente. E a possível oficialização do “brasileiro” como idioma nacional ganha força entre especialistas que estudam as diferenças linguísticas entre os países.

Publicidade

Inclusive, a separação linguística oficial poderá acontecer em um futuro próximo, segundo pesquisadores da área.

LEIA TAMBÉM: Idosa tenta subornar policiais com R$15 mil dentro da delegacia e acaba presa em Portão

Mais de 280 milhões de pessoas falam português no mundo e Brasil concentra mais de 80% desses falantes | abc+



Mais de 280 milhões de pessoas falam português no mundo e Brasil concentra mais de 80% desses falantes

Foto: Freepik

O português brasileiro desenvolveu características próprias ao longo do tempo. Termos como “frigorífico”, “ficar de lado” e “rapariga”, utilizados em Portugal, possuem significados diferentes no Brasil, onde são conhecidos como geladeira, ladeira e moça, respectivamente.

A diferenciação entre os idiomas tem origem histórica. O linguista português Fernando Venâncio, autor do livro Assim Nasceu uma Língua, explica que o próprio idioma português não surgiu em Portugal, mas na Galícia, região que hoje faz parte da Espanha.

Publicidade

Nas análises, Venâncio sustenta que o português brasileiro evoluiu de forma independente, configurando-se como uma nova língua.

CONFIRA: Ulbra recebe medalha da Câmara Federal por acolhimento na enchente de 2024

Diferenças

As diferenças começaram a se acentuar após 1822, com a independência do Brasil. Desde então, o país acumulou o que estudiosos chamam de brasileirismos – expressões, vocabulário e estruturas gramaticais próprias inexistentes no português europeu.

Publicidade

A influência de mais de mil línguas indígenas e a presença marcante de idiomas africanos, principalmente os da família banto, contribuíram para formar um português com identidade única no Brasil.

Palavras como “cafuné”, “banguela” e “fofoca” originaram-se da mistura com línguas africanas, enquanto termos como “mandioca”, “tatu” e “tietê” são contribuições indígenas ausentes no vocabulário europeu original.

Publicidade

FIQUE POR DENTRO: “Tem muita água ainda por vir”: Meteorologista prevê agravamento da situação no RS com acumulados excessivamente altos de chuva

Nas diferentes regiões do Brasil, existem variações linguísticas significativas. O “r caipira” característico do interior paulista, o “s chiado” típico da fala carioca e a entonação melodiosa dos sotaques nordestinos exemplificam essa diversidade.

Para os especialistas, essa variedade interna fortalece o argumento de que o Brasil já construiu um idioma próprio, caracterizado por sua riqueza, pluralidade e moldado pela história e cultura do país.

Publicidade

Tentativas de uniformização

O português é atualmente o idioma oficial de nove países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), incluindo Brasil, Portugal, Angola e Moçambique.

Mais de 280 milhões de pessoas falam português no mundo e o Brasil concentra mais de 80% desses falantes. O idioma também é oficial em Macau.

Publicidade

SIGA O ABCMAIS NO GOOGLE NOTÍCIAS!

Apesar dos esforços de padronização, como o Acordo Ortográfico, persiste uma clara distinção entre o português europeu e o brasileiro, tanto na fala quanto na escrita.

Publicidade

Essas tentativas de uniformização têm encontrado resistência, principalmente no Brasil, onde muitos defendem que a língua já seguiu caminho próprio.

A proposta de oficializar o “brasileiro” como idioma independente ainda enfrenta oposição entre autoridades e linguistas mais conservadores. No entanto, o movimento ganha força, especialmente entre estudiosos que consideram que o idioma falado pela maioria dos brasileiros não precisa mais de validação pela norma europeia.

Fonte: Diário do Comércio.

Publicidade