A situação é tensa no Oriente Médio desde o início do século passado, quando os judeus passaram a ser perseguidos por nazistas e se refugiaram na região da Palestina, criando colônias durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Registros na Bíblia e no Torah dão conta que esse povo já habitava o local há muito tempo, sendo o Muro das Lamentações uma evidência concreta que os israelitas antigos viviam por ali, ao lado dos árabes. Por isso, árabes e judeus reivindicam a região com base em marcos históricos e religiosos.

Foto: Redes sociais/Reprodução
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Foi da Organização das Nações Unidas (ONU) a iniciativa pela criação do Estado de Israel em 1948, porém, o estado palestino também proposto pelo órgão internacional até hoje não foi estabelecido devido ao expansionismo israelense, o que gerou descontentamento com os países árabes no entorno até os dias atuais. Na quinta-feira (19), por exemplo, Israel atacou uma instalação nuclear do Irã, que é persa islamita, enquanto mísseis de Teerã atingiram um hospital de Tel Aviv.
Origem da tensão
Com a criação de Israel, ocorreu uma grande migração de judeus de todo o mundo para o novo território, o que causou um choque com os palestinos. Através de grupos armados, os judeus expulsaram-lhes violentamente para os países árabes vizinhos, dando início a uma série de conflitos na região. Apoiado pelos Estados Unidos, Israel foi expandindo seu território à força, chegando a ocupar a Galileia, Deserto de Neguev, Península do Sinai e Colinas de Golan, além de já ter atacado o Egito, Jordânia, Síria, Iêmen, Líbano e, agora, o Irã, além do território de Gaza inúmeras vezes.
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Nesse projeto expansionista, Israel encontrou uma janela de oportunidades para debilitar o Irã, avalia o professor de Geopolítica da Escola Superior de Guerra (ESG), Ronaldo Carmona. “O que a gente pode concluir dessa situação toda é que exatamente o [primeiro-ministro de Israel, Benjamin] Netanyahu está observando essa janela de oportunidades para realizar o seu projeto do Grande Israel, ou seja, de uma expansão territorial de Israel e de enfraquecimento dos seus adversários em todo o Oriente Médio”, explica.

Foto: Arte Alan Machado/GES
Professor de História Contemporânea da Universidade Feevale, Rodrigo Perla Martins, considera que está em jogo o controle do Oriente Médio e acesso às regiões ricas em minérios, passagens de gasodutos e oleodutos, bem como a própria ideia do domínio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás do planeta.
Estreito de Ormuz pode ser fechado
O Irã fechará o Estreito de Ormuz se os Estados Unidos e aliados ocidentais se juntarem a Israel no conflito contra o país persa, ameaçou nesta quinta-feira, o parlamentar iraniano Seyyed Ali Yazdi Khah. A navegação pelo estreito é importante artéria de circulação de commodities como o Petróleo.
EUA tentam renegociar um acordo nuclear
Há alguns meses, o governo de Netanyahu já havia planejado atacar o país do aiatolá Ali Khamenei, depois que seu país foi alvo de mísseis balísticos em outubro do ano passado. A estratégia não havia ido para frente por falta de apoio do presidente dos EUA, Donald Trump, que queria a chance de negociar com Teerã um acordo nuclear. Trump inclusive afirmou ter advertido Netanyahu sobre lançar ataques enquanto as negociações estavam em andamento. Ele deve se posicionar sobre o tema nas próximas semanas.
Essa também não é a primeira vez que os EUA tentam um acordo nuclear com o Irã. Em 2015, um acordo havia sido firmado com o país asiático, mas, após a saída unilateral dos norte-americanos do acerto, em 2018, os iranianos abandonaram o seu compromisso de limitar suas atividades nucleares.
Urânio enriquecido no foco da questão
Enquanto negocia um novo acordo nuclear com os EUA, o Irã quase dobrou o estoque de urânio enriquecido com um alto grau de pureza em três meses, de acordo com um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), divulgado em maio. Segundo a AIEA, o Irã acumulou, até 17 de maio, 408,6 quilos de urânio enriquecido em até 60% de pureza. O nível é quase o dobro do estimado em fevereiro pela agência: 274,8 quilos.
O aumento coloca o Irã como o único Estado sem armas nucleares em um ponto próximo de obtê-las, segundo a agência. Para construir uma bomba atômica, é necessário enriquecer urânio a 95%. Por isso, Israel alega que Teerã está construindo bombas atômicas, que poderiam ser usadas contra Tel Aviv. O Irã nega e sustenta que usa a tecnologia para fins pacíficos, como produção de energia.
*Com agências Brasil e Estado