Com a chegada da primavera, as abelhas aumentam a busca pelo néctar, substância essencial para a produção do mel. Como são seres sociais, os enxames se espalham à procura desse alimento. Nesse trajeto, elas podem encontrar seres humanos ou animais pelo caminho e, em algumas situações, essa aproximação pode causar ocorrências graves.
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Foto: Divulgação/wirestock
A professora do curso de Medicina Veterinária da Universidade Feevale, Isabel Cristina Mello da Silva, explica que as abelhas, durante a primavera, voam com mais frequência, saindo de suas colmeias em busca do néctar presente nas flores. “É só aumentar um pouco a temperatura que elas saem em busca do alimento”, comenta.
Nesse processo de migração das abelhas, podem ocorrer ataques a seres humanos. “Há pessoas alérgicas que, com uma única picada, precisam ir ao hospital”, alerta.
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A professora destaca que esse comportamento é diferente do observado nas abelhas criadas por apicultores, que, em regra, mantêm suas caixas em áreas distantes do contato com humanos e animais.
Ela também aponta uma segunda característica das abelhas: a enxameação. Nesta época do ano, elas costumam “viajar”, mudando suas colmeias com mais frequência.
O que fazer
O Corpo de Bombeiros orienta que, ao visualizar um enxame de abelhas, as pessoas mantenham distância e acionem imediatamente os bombeiros, que farão o isolamento do local até a saída natural das abelhas.
Caso o enxame forme uma colmeia, os bombeiros acionam apicultores cadastrados no banco de dados da corporação para a remoção e o transporte seguro das abelhas para outro local.
Caso emblemático de Ivoti
Em abril deste ano, um enxame de abelhas atacou cavalos no Núcleo de Casas Enxaimel, em Ivoti. O fato ocorreu após a realização da 12ª Cavalgada da Amizade, quando cavalarianos confraternizavam em um piquete junto ao Núcleo.
A colmeia estava localizada no tronco de uma árvore, fora do campo de visão dos participantes, que deixaram os animais próximos ao enxame, a poucos metros do piquete.
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Os cavalos foram atacados pelas abelhas e, na tentativa de salvar os animais amarrados, alguns cavalarianos também foram ferroados. Várias pessoas precisaram de atendimento no Hospital São José, e um cavalo acabou morrendo.
A professora Isabel lembra do episódio emblemático e comenta que o caso foi discutido em sala de aula. Embora o fenômeno tenha ocorrido em abril — período de outono, fora da estação típica de maior atividade —, ela aponta algumas possíveis causas, como as mudanças climáticas e o avanço da urbanização.
“Nossos invernos estão atípicos. É só aumentar um pouco a temperatura que elas saem do seu local em busca do néctar. Existem estudos indicando que as mudanças climáticas estão afetando o comportamento e a saúde das abelhas”, conclui.