Uma viagem para realizar sonhos e promessas na cidade de Aparecida, em São Paulo, virou frustração para moradores de Novo Hamburgo e região na manhã desta segunda-feira (8). Pelo menos quatro pessoas procuraram as autoridades para registrar um boletim de ocorrência contra uma empresa de turismo religioso situada no Centro de Novo Hamburgo.
A queixa dos clientes da Operadora JPF é que, após garantirem a viagem com antecedência, foram avisados na quarta-feira da semana anterior (3) de que a romaria a Aparecida seria remarcada por não atingir o número mínimo de passageiros. A saída de Novo Hamburgo estava marcada às 7 horas desta segunda, com previsão de retorno na sexta (12).
ENTRE NA COMUNIDADE DO ABCMAIS NO WHATSAPP

Foto: Paola Altneter/GES-Especial
Ao buscarem mais informações, contudo, os contratantes não receberam retorno da empresa desde então e afirmam que o espaço está fechado há dias.
CLIQUE AQUI PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER
Promessa
A auxiliar-administrativa Anderlise Wagner tinha tudo programado para realizar o sonho da mãe, Demari Wagner, de conhecer Aparecida. Ambas tiveram um gasto superior a R$ 2 mil e expõem indignação com o posicionamento da empresa, já que, quando compraram as passagens, há cerca de dois meses, teriam recebido a informação de que havia apenas cinco lugares disponíveis.
Ainda afirmam que seriam inseridas em um grupo de WhatsApp para receber detalhes da romaria, o que não aconteceu. “A gente não teve nenhum retorno do grupo. Então fomos até a agência para tentar mais informações. Quando chegamos lá, minha mãe chegou lá, estava tudo fechado, a empresa não retornava, as ligações estavam desligadas, os telefones estavam desligados e a gente mandava mensagem no WhatsApp e não recebia nenhum retorno”, conta Anderlise.
A falta de contato com a empresa seguiu até o recebimento da mensagem informando o adiamento da romaria. Depois disso, elas ficaram novamente sem retorno. “Eu tirei férias, me organizei. A minha mãe… É o sonho dela conhecer Aparecida. Se aposentou e, graças a Deus, conseguiu adquirir o pacote da viagem ‘pra’ ir ‘pra’ Aparecida, e aconteceu isso”, lamenta a auxiliar-administrativa.
Para a mãe, o que ficou foi decepção, já que a viagem é significativa para ambas. “Foi uma frustração enorme, porque, além de ser devota de Nossa Senhora Aparecida, eu tenho uma promessa ‘pra’ pagar lá, né? Que é da minha filha”, conta, emocionada. “Então era uma promessa, não simplesmente um passeio. Era uma coisa que eu queria ir lá levar minha filha em agradecimento. Em agradecimento a Nossa Senhora pela vitória da saúde dela.”
Família havia se organizado para viagem
O aposentado Luiz Moura relata que a irmã já havia feito a mesma romaria com a empresa anteriormente e que, desta vez, ele e outras quatro pessoas da família decidiram realizar a viagem, reservando o período para aproveitar as férias na cidade paulista. Ao todo, foram gastos R$ 5,2 mil, valor pago integralmente.
“Eu tinha uma promessa: quando saísse minha aposentadoria, iria a Aparecida. E aí a gente fez o contrato com eles [Operadora JPF], pagou à vista para embarcar hoje [segunda] de manhã. A gente ‘tá’ já 15 dias tentando falar com eles, não respondem, telefone, [eles] não atendem, aí hoje eu fui de manhã ‘pra’ lá, a empresa fechada, então só desilusão, né?”, conta.
Agora, a família busca ser ressarcida. “Pra ver se a gente consegue recuperar esse dinheiro de volta. Não é muita coisa, mas ‘pra’ gente que trabalha, que é aposentado, é bastante.”
Contraponto
A empresa foi contatada, mas, até a publicação desta matéria, não retornou. O espaço está aberto para manifestação.