Segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), no Rio Grande do Sul existem 11 estações hidrológicas, mas apenas três estão em operação. Das 160 estações pluviométricas no Estado, 96 funcionam e 64 estão inativas.

Foto: Paola Altneter/GES-Especial
A explicação para esta inoperância, segundo o órgão federal, seriam as dificuldades para a aquisição de peças de reposição para os equipamentos em função de restrições orçamentárias. Novo Hamburgo tem duas estações pluviométricas e uma hidrológica, todas inativas aguardando a obtenção de peças de reposição.
“As duas pluviométricas ainda estão aguardando peças, lembrando que a Lei Orçamentária Anual do governo federal (LOA) só foi aprovada na segunda quinzena de março. A hidrológica recebeu visita em 20 de março, a peça foi substituída e voltou a operar, porém ela parou novamente no dia 25, estamos verificando o problema”, informa o Cemaden.
Manutenção
No dia 6 de março, técnicos do Cemaden realizaram a manutenção das estações de Novo Hamburgo nos bairros Rio Branco, Canudos e Nova Petrópolis. Segundo o Cemaden, imediatamente após a manutenção o equipamento fica operante e enviando dados para o site, porém, devido à falta de peças necessárias, segue inoperantes.
As Plataformas de Coleta de Dados Pluviométricas medem a quantidade de chuva que cai no local, as hidrológicas também medem o nível do arroio. De acordo com o Cemaden, muitos equipamentos foram perdidos nos últimos dois anos.
Ampliação
“Por conta dos desastres de 2023 e de 2024 no Rio Grande do Sul, 67 equipamentos foram danificados. Em razão do ocorrido, crédito extraordinário (R$ 7,2 milhões) foi disponibilizado ao Cemaden, o que viabilizou a aquisição de 379 novos pluviômetros (para substituir os danificados e ampliar a rede de monitoramento em mais 104 municípios). Em breve será iniciada a instalação. Além disso, mais outros 12 municípios passarão a ser monitorados (incluindo instalação de pluviômetros), a partir de recursos viabilizados no escopo do PAC 2”, informa o Cemaden, em nota.
Dados indispensáveis
Segundo o doutor em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental e vice-diretor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Ufrgs, Fernando Dornelles, o conhecimento de dados para entidades da área ambiental é indispensável. “Se perde todo o monitoramento, é como se voasse sem instrumentos. Sem dados hidrometeorológicos, a gente não consegue tomar boas decisões”, ressalta.
De acordo com a Defesa Civil de Novo Hamburgo, o impacto é a falta de dados oficiais sobre os volumes de chuva no Município, necessitando assim contar com dados externos, como da Estação de Meteorologia de Campo Bom que, embora tenha dados oficiais e de confiança, não exprimem exatamente a realidade de Novo Hamburgo, levando em conta que podem ocorrer variações de índices pluviométricos até mesmo em curtas distâncias.
A Defesa Civil também informa que a Prefeitura está em fase de estudo e elaboração de um plano de trabalho que contempla a cidade com algumas estações de monitoramento pluviométrico e sensores de captação de movimentos de massa, visando antecipar e informar riscos potenciais à população. Além disso, segue o estudo de criação de um aplicativo que vai disponibilizar de forma pública esses dados captados por essas estações.
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