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SÃO LEOPOLDO

Abandonado há 17 anos, prédio do antigo Fórum abriga pessoas em situação de rua

Espaço afetado para a Polícia Civil em 2019 era pensado para abrigar uma Central de Polícia

Publicado em: 23/01/2025 às 08h:56
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Quem passa em frente ao prédio do antigo Fórum de São Leopoldo, na Avenida João Corrêa, no Centro, dificilmente não se entristece com a degradação do espaço, abandonado há 17 anos. Da calçada, o que se consegue enxergar do que restou do edifício de 1.571 metros quadrados distribuídos em dois andares é lixo e destruição.

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Prédio está abandonado desde dezembro de 2007 quando o Foro de São Leopoldo  foi para a Avenida Unisinos



Prédio está abandonado desde dezembro de 2007 quando o Foro de São Leopoldo foi para a Avenida Unisinos

Foto: Fotos Renata Strapazzon/GES-Especial

Desde a enchente de maio do ano passado a situação piorou. De lá para cá, um grupo de pessoas permanece de forma fixa no local. Da rua, é possível ver muitas roupas deixadas pelos espaços além de, vez ou outra, um “morador” pulando o muro.

“É assustador e triste ao mesmo tempo ver o que deixaram acontecer com um prédio deste tamanho em uma área nobre da cidade”, lamenta o empresário Ronaldo Dal Zotto, 50. Morador do Centro, Dal Zotto costuma passar próximo ao prédio diariamente, ao fazer caminhadas pelo Centro e diz já não acreditar mais em uma solução para o local. “Já deixaram passar muito tempo. Quanto mais tempo parado, mais cara se torna a reforma, ainda mais para o Estado, que nunca tem dinheiro para nada”, desabafa.

Prédio teve diferentes destinações desde que foi desocupado 

Desde que deixou de ser usado como sede do Fórum, em dezembro de 2007, o prédio já passou para, pelo menos, três novos responsáveis. A primeira destinação foi para a Brigada Militar, para a instalação do 25º Batalhão de Polícia Militar (BPM).

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Em 2010, porém, foi entregue à Secretaria Estadual de Educação, para ser reformado e utilizado pela 2ª Coordenadoria Regional de Educação (2ª CRE) e pelas escolas do entorno. Em novembro de 2019, segundo o Estado, foi afetado para a Polícia Civil com a intenção de abrigar uma Central de Polícia.

No entanto, o projeto, que até 2021 parecia que finalmente daria uma nova utilidade para o prédio, retrocedeu, uma vez que o espaço foi considerado pequeno para as necessidades de uma central. Naquele ano, uma avaliação feita por técnicos da Divisão de Serviços Gerais da Polícia Civil apontou, ainda, o alto desgaste e abandono do prédio. Na época, o custo de recuperação total do prédio foi avaliado na ordem de R$ 9 milhões a R$ 10 milhões.

Prédio do antigo Fórum de São Leopoldo está abandonado desde dezembro de 2007



Prédio do antigo Fórum de São Leopoldo está abandonado desde dezembro de 2007

Foto: Renata Strapazzon/GES-Especial

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“Independente do custo necessário, foi descartado pois o prédio não suportaria mais de quatro delegacias e hoje em São Leopoldo são sete delegacias (3ª DPRM, Deam, Draco, DPPA, 1ªDP, 2ªDP e DPHPP)”, comenta o diretor da 3ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (3ª DPRM), o delegado Eduardo Hartz. Conforme ele, foi aberto um processo administrativo solicitando projeto e orçamento para a construção da Central de Polícia no terreno onde estão instaladas hoje a Draco, a DPPA e a 1ª DP, no bairro Fião.

Andamento do projeto

Em dezembro de 2022 a Polícia Civil havia informado ao Jornal VS que o projeto para a construção da Central de Polícia no endereço referido pelo diretor da regional, estava na fase de concepção de partido arquitetônico e elaboração de layout.

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Já em relação à destinação do prédio do antigo fórum, se há algum outro projeto previsto pelo local, a reportagem do Jornal VS não conseguiu respostas da Polícia Civil à época. Desde a semana passada, a reportagem tentou, novamente, buscar informações com o órgão sobre as duas demandas, mas não obteve retorno.

Apae tem interesse no pátio do antigo Fórum

Vizinha do local, a Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) precisou investir pesado nos últimos anos para sanar problemas de furtos e arrombamentos cometidos pelos “inquilinos do antigo Fórum”. Foram cerca de R$12 mil gastos em segurança particular e na colocação de concertinas nos muros.

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“Hoje não temos tido mais problemas com furtos, mas depois da enchente aumentou significativamente o número de habitantes do prédio. Com isso, passamos a ter problemas com a quantidade de lixo depositada inclusive na nossa porta”, comenta a diretora administrativa da Apae, Raquel Dickel. Segundo ela, o espaço, desativado há quase duas décadas, é alvo de interesse da entidade, que estuda solicitar a cedência de parte do pátio do antigo Fórum.

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“Aqui temos um espaço físico restrito para os nossos 338 usuários. A área do pátio do antigo Fórum nos possibilitaria termos uma pracinha, um espaço para a prática de esportes. O que aumentaria e potencializaria os nossos atendimentos”, comenta. Diretor financeiro da Apae, Isaías Rosin, conta que a ideia é inserir o assunto dentro das metas para 2025. “Vamos criar um plano de ação e pedir auxílio do Município neste pedido de cedência do espaço junto ao Estado”, comenta. 

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