A Prefeitura de Novo Hamburgo deu início ao processo de demolição de residências no bairro Canudos para a instalação de um loteamento, onde devem ser construídas 900 unidades habitacionais de cunho social em uma área de terra privada que fica ao lado do Aeroporto Regional Pedro Adams Neto, antigo Aeroclube de Novo Hamburgo.
O processo de demolição de imóveis começou na segunda-feira (14), com a retirada da idosa Louraci Atayde Corrêa, de 83 anos, que residia há mais de 40 anos em um terreno localizado na esquina das ruas Athanásio Becker e Elvira Maria da Conceição.
No local está projetada a abertura de uma via que será o principal acesso ao loteamento, que será erguido em área pertencente à JDS Participações e Empreendimentos e construído pela MC3 Engenharia — empreiteira selecionada pelo governo federal para executar os prédios residenciais nos moldes do programa Minha Casa Minha Vida. Os imóveis serão adquiridos pelo próprio governo federal para abrigar famílias que tiveram suas casas destruídas pela enchente de maio de 2024.

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Louraci e outras duas famílias, cujas casas também foram demolidas, foram realocadas para imóveis provisórios. Os aluguéis serão custeados pela MC3 Engenharia, incorporadora responsável pelo novo empreendimento, cuja sede fica no município de Carapicuíba (SP).
A casa onde Louraci morava — em terreno considerado área pública pela Prefeitura — foi demolida logo após sua mudança. No mesmo terreno residiam dois de seus filhos, que também tiveram suas casas derrubadas. A construtora se comprometeu a arcar com o aluguel dessas famílias até que sejam contempladas por um programa habitacional definitivo.

Foto: Google Maps
O advogado da família, Lúcio Pithan, destacou que a saída voluntária de Louraci e dos filhos foi viabilizada após a assinatura de um acordo extrajudicial, homologado pelo Judiciário, com acompanhamento da Defensoria Pública do Estado, que atua como guardiã do cumprimento do que pactuado. “Tudo foi feito com a devida tranquilidade e visando garantir a dignidade dessas famílias, especialmente para Louraci, que é idosa”, pontua.
Prefeitura disse que “não prometeu e sequer sugeriu demolir” casa que agora colocou abaixo
No início de março, quando Louraci Atayde Corrêa recebeu a notificação da Prefeitura para deixar a casa onde residia havia quatro décadas, a Prefeitura de Novo Hamburgo chegou a contestar uma reportagem do portal ABCmais que noticiava o plano de demolição do imóvel para abertura de uma rua. Na ocasião, a assessoria de imprensa da Prefeitura classificou a notícia como “desinformação”, alegando que o Executivo “não prometeu ou sequer sugeriu demolir o imóvel no qual uma idosa de 83 anos reside”.
Na tarde desta segunda-feira (14), no entanto, a residência foi efetivamente colocada abaixo por máquinas da própria Prefeitura — operação acompanhada de perto por membros do alto escalão do governo Finck.
Outras famílias só devem deixar imóveis quando condomínio estiver pronto
Outras famílias que residem na Rua Athanásio Becker também foram notificadas para deixar seus imóveis, já que ali também há previsão de abertura de uma rua secundária para o futuro conjunto habitacional.
No entanto, essas famílias não serão retiradas de imediato. Para esses moradores, a Prefeitura informou que a realocação ocorrerá apenas quando o empreendimento estiver em fase final de conclusão — o que deve levar mais de um ano e meio. Até lá, poderão permanecer em suas casas ou ser contempladas com o aluguel social.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Uma dessas famílias é a da auxiliar financeira Francieli dos Santos Motta, de 35 anos, que se diz confiante de que o impasse será resolvido sem prejuízos. Esse sentimento se fortaleceu após participar de uma reunião com o prefeito Gustavo Finck, há duas semanas. “Estamos tranquilos, acho que vai dar tudo certo”, afirmou.
O que diz a Prefeitura
De acordo com a Prefeitura, quando finalizado o empreendimento, as famílias que precisaram deixar suas residências receberão uma das 900 unidades habitacionais.
Ainda não há uma data definida para o início das obras. Neste momento, os projetos estão em fase de aprovação. Após a ordem de início, a empresa terá 18 meses para concluir o empreendimento.
O investimento é de cerca de R$ 180 milhões, utilizando como base o valor empenhado no programa Compra Assistida (R$ 200 mil por unidade). A contrapartida do Município consiste na abertura do local de acesso ao empreendimento e instalação do saneamento básico (água e luz).