Primeira rodovia gaúcha repassada à iniciativa privada, a RSC-287 é responsável pela ligar a região central do Estado com Porto Alegre. Considerada um dos principais corredores logísticos do Rio Grande do Sul, teve contrato firmado com a concessionária Rota de Santa Maria em 2021, prevendo 204 quilômetros de duplicação ao longo de 30 anos.
A concessão também prevê a restauração da pista existente e implementação de novas estruturas com investimento total estimado em R$ 3,8 bilhões. O modelo utilizado para conceder o trecho entre Tabaí e Santa Maria serviu de exemplo para que o governo pudesse avançar em outras concessões.

Foto: Vandré Brancão/GES-Especial
Na terça-feira (20) mais um trecho duplicado da RSC-287, no perímetro chamado Tabaí rural, que compreende o segmento entre os quilômetros 30 (altura da Escola Estadual Pedro Rosa) e 36,2 (próxima do pórtico de Taquari). Esta foi a segunda entrega, em setembro outros 6 quilômetros haviam sido finalizados em Santa Cruz do Sul e Tabaí, incluindo vias marginais, três passarelas, duas interseções e três viadutos e dois dispositivos de retorno.
Após o acordo com a Rota de Santa Maria, o governador Eduardo Leite (PSD) assinou em dezembro de 2022 o contrato de concessão com a Concessionária Caminhos da Serra Gaúcha (CSG). No entanto, ao contrário da primeira, foram contempladas seis rodovias (RS-122, RS-240, RS-446, BR-470, RSC-453 e mais um trecho da RSC-287).

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
O mesmo modelo foi replicado nos projetos de concessão do Bloco 1 e Bloco 2, com envolvimento de 14 rodovias: RS-128, RS-129, RS-130, RS-135, RS-324 e mais um trecho da RSC-453 (Bloco 2); RS-010, RS-020, RS-040, RS-115, RS-118, RS-235, RS-239, RS-466 e RS-474 (Bloco 1).
Os leilões estão agendados para ocorrer em março (Bloco 2) e junho (Bloco 1), na B3 em São Paulo.
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Aprendizado
Secretário da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi explica que o contato com a Rota Santa Maria ajudou na evolução dos projetos seguintes, especialmente dos Blocos 2 e 1.
“Quando a gente faz modelagens de concessões e ao mesmo gestão de contratos, temos uma série de questões que vamos utilizando para melhorar contratos futuros. Essa gestão do dia a dia com a 287 nos ajudou muito.”

Foto: Vandré Brancão/GES-Especial
Gestão da estrada
Capeluppi salientou que a partir da primeira concessão, alguns ajustes foram feitos já no Bloco 2. “Por exemplo, uma mudança que tivemos foi dar maior poder ao Conselho de Usuários. No Bloco 2 planejamos a criação de dois conselhos: um para olhar mais para a região norte do Estado e outro olhando para a região do Vale do Taquari. Acreditamos muito no diálogo.”
O secretário defende o modelo de concessões adotado pelo Estado, mostrando os resultados a partir do repasse à iniciativa privada. “Precisamos trabalhar juntos, em parceria. Olha a diferença em relação ao que a gente tem comparando com os órgãos públicas diretamente [Daer e EGR]. A concessionária está atuando exclusivamente para a rodovia. Vamos aperfeiçoando”, completou.

Foto: Vandré Brancão/GES-Especial
O projeto, conforme Leandro Conteratto, diretor-geral da Rota Santa Maria, reforçou o discurso de Capeluppi. “É uma demanda histórica da região. O investimento é massivo e sem a concessão seria impensável ser executada com recursos públicos diretos.”
Conteratto estima 100% da duplicação até Santa Maria, refletindo na economia local. “Em quatro anos já investimos cerca de R$ 400 milhões, gerando também um aquecimento na economia.”
Impacto na região da concessão
O empresário Lucas Rubinger, que participou do movimento Duplica 287, avalia os impactos na região desde o início da concessão, há quatro anos. “Parte das obras já são vistas e isso de certa forma é animador.”
Entretanto, a comunidade do Vale do Taquari e Vale do Rio Pardo não está totalmente satisfeita. “Uma realidade hoje está na reclamação por conta da qualidade das obras, especialmente dos acessos, não exatamente da concessão. Além disso, a expectativa que fosse mais rápido, mas tivemos o contratempo da enchente que atrasou o Estado como um todo.”
Vice-prefeito de Tabaí, Enídio Nascimento Pereira, aprova a concessão como um todo. “É um sonho realizado. Nossa cidade está transformada, com asfalto, acostamento, espaço para as pessoas caminharem. Tabaí está com outra cara.”

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Pereira também deixa um recado para os municípios do Bloco 1 e 2. “A experiência nossa é fantástica, ver esse trecho concluído é um sonho nosso.” Questionado sobre os pedágios, diz ser uma consequência. “Se não tiver pedágio, não vai ter obra. Temos que contribuir para depois cobrar os administradores.”
Mais reconstrução
Atualmente, a Rota de Santa Maria está atuando na recuperação de alguns pontos importantes da RSC-287, que foram fortemente atingidos pelas enchentes de 2024.
As obras de reconstrução das pontes sobre o Arroio Grande e o Arroio Barriga, na região Central do Estado, estão em andamento e seguem novos parâmetros de resiliência, bem como o trecho da região de Candelária. Além disso, o projeto executivo para o trecho de Mariante, igualmente afetado pela cheia, encontra-se em fase final de preparação.
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