As recentes movimentações de máquinas no entorno do pontilhão sobre o Arroio Roselândia, no trecho da morte da BR-116, entre municípios de Novo Hamburgo e Estância Velha, reacendeu um antigo debate entre moradores e motoristas que utilizam diariamente a rodovia, que é a necessidade de alargamento da estrutura.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
O caminhoneiro Paulo Roberto Juchem, 64 anos, morador do bairro Roselândia em Novo Hamburgo, conta que a movimentação de operários e maquinário no local chegou a gerar esperança de que a obra de duplicação do pontilhão finalmente sairia do papel. “Quando começaram a mexer aqui, pensei que era a duplicação. A comunidade inteira pensou isso. Mas logo vimos que era só contenção de terra. Foi uma frustração geral”, relata.
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O pontilhão, que fica entre o semáforo do posto Sapatão e o acesso ao bairro Rincão Gaúcho recém construído, é estreito e obriga uma redução significativa de velocidade dos veículos, o que gera retenções e longas filas, especialmente nos horários de pico e aos fins de semana. O trecho da rodovia é de pista simples, mas o afunilamento do trânsito provocado pela estrutura cria um gargalo que interfere na fluidez do trânsito.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
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Apesar da decepção, Juchem reconhece a importância do serviço que está sendo executado. Trata-se de uma obra de contenção do avanço de desmoronamentos de terra junto à cabeceira da galeria pluvial, medida preventiva para evitar que o pontilhão ceda. “Isso que fizeram é importante, estava precisando ser feito desde a última enchente, em maio do ano passado. Mas a duplicação do pontilhão resolveria um problema ainda maior, e com certeza ia melhorar o fluxo neste local”, opina.
Segundo o caminhoneiro, o problema é diário e afeta especialmente quem se desloca para trabalhar nas cidades da região metropolitana. “Precisa ver isso aqui nos dias da semana, pela manhã, quando os motoristas descem de Dois Irmãos ou Ivoti rumo à região metropolitana, e nos finais de tarde, quando estão retornando. É fila que não acaba mais”, explica.
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Mas não é só nos dias úteis que o trecho registra lentidão. Aos finais de semana, o volume de veículos em direção à Serra – ou na volta – também gera congestionamentos. “Aos domingos, também trava tudo. É gente indo e vindo da Serra. A verdade é que todo este trecho aqui poderia ser duplicado facilmente, basta ter boa vontade”, opina o motorista Sandro Orestes Maia, 56, que subia a BR-116 com a família neste domingo de Páscoa (20) e enfrentou lentidão ao passar pelo local.
“As obras que já foram realizadas na BR entre Novo Hamburgo e São Leopoldo são a prova de que é possível melhorar essa situação [do trânsito na rodovia]. O que não dá é precisar levar 50 anos para uma obra simples sair do papel”, avalia Juchem.
A reivindicação pelo alargamento do pontilhão não é nova. Moradores, lideranças comunitárias e motoristas já encaminharam pedidos a autoridades locais e ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), responsável pela gestão da rodovia federal. Até agora, no entanto, não houve confirmação de que a obra esteja no radar do órgão federal.
Uma coisa é certa: a melhoria não faz parte do pacote de obras do Lote 1 das melhorias operacionais e de segurança viária que estão sendo feitas na BR-116, cuja execução está à cargo do Consórcio BR-116 Norte, formado por um grupo de empreiteiras. Por isso, a tendência é que a largura do pontilhão somente seja aumentada quando sair do papel da duplicação da rodovia entre Estância Velha e Dois Irmãos.
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