O município de Campo Bom conquistou o 2º lugar do Rio Grande do Sul no ranking do Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (IFDM), divulgado neste mês pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro. A lista, que mede o nível de desenvolvimento socioeconômico dos municípios brasileiros, posiciona também Ivoti (7º), Gramado (9º) e Montenegro (10º) entre os dez melhores do Rio Grande do Sul.
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Foto: Prefeitura de Campo Bom/Divulgação
Baseado em dados oficiais dos ministérios da Educação, Saúde, Trabalho e Previdência, desde 2008 o índice considera três áreas: emprego e renda, educação e saúde. A pontuação varia de 0 a 1, quanto mais próximo de 1, melhor o desempenho. Os dados mais recentes usam 2023 como ano-base e mostram que as cidades mais bem colocadas no ranking gaúcho apresentaram avanços significativos na última década, sendo consideradas de “alto desenvolvimento”.
O IFDM conta com dados de 485 municípios gaúchos e tem Lajeado na liderança, com 0,8680 pontos:
- De 0 a 0,4: baixo desenvolvimento
- De 0,4 a 0,6: desenvolvimento regular
- De 0,6 a 0,8: desenvolvimento moderado
- De 0,8 a 1: alto desenvolvimento
Entre as melhores do país
Entre as 10 primeiras, Campo Bom saltou da 24ª posição em 2013 para o 2º lugar no ranking estadual, com nota 0,8617. O maior avanço foi na educação, que passou de 0,5913 para 0,7937 — um crescimento de mais de 34%. A cidade também está entre as 20 melhores do país, ocupando o 18º lugar no ranking nacional.
O município se destaca no eixo de Emprego & Renda, com nota 0,9223, uma das maiores do Estado. O prefeito Giovani Feltes (MDB) comenta que, no que diz respeito a este índice, que leva em consideração questões como a diversidade econômica, a nota manteve-se estável. “Essa tem sido a chave para o desenvolvimento da cidade. Nas primeiras vezes em que fui prefeito, trabalhamos fortemente para atrair grandes empresas do setor de tecnologia, o que nos permitiu enfrentar a crise do calçado sem perder a capacidade de gerar emprego à população e ter receita para continuar investindo”, afirma.
Segundo Feltes, um dos pontos avaliados pelo FIRJAN é a evasão escolar, especialmente no Ensino Médio, que é de responsabilidade do estado. Para enfrentar esse desafio, o prefeito afirma estar articulando ações junto ao setor produtivo para oferecer capacitação gratuita a jovens que concluem o Ensino Fundamental, condicionando o acesso ao primeiro emprego à permanência na escola. Outros investimentos incluem a qualificação da rede física das escolas, ações para melhorar a qualidade do ensino e a ampliação dos serviços em saúde, com destaque para as obras no hospital municipal e aquisição de novos equipamentos.

Foto: Weslei Fillmann/Arquivo Especial
Sobre a posição no ranking, Feltes afirma que o resultado reflete o sentimento da comunidade sobre a infraestrutura urbana e a qualidade dos serviços públicos. “Campo Bom tem infraestrutura melhor que a maioria das cidades gaúchas, certamente uma das melhores do Brasil. Nosso foco agora é seguir construindo isso em diálogo com a população, como já fazemos por meio do Conselho Comunitário”, conclui.
Também no Top 10, Ivoti aparece em 7º lugar (25º em 2013), com índice geral de 0,8430. O município obteve nota alta especialmente em emprego e renda (0,9922). Gramado figura em 9º (estava em 23º em 2013), com nota 0,8375, sendo um dos únicos municípios do Brasil a manter nota 1,0 em emprego e renda nos dois períodos. Montenegro, que ocupava o 34º lugar em 2013, deu um salto expressivo para o 10º lugar, atingindo 0,8366 no índice geral. Um crescimento de 14,5% em uma década.
Em comparação com 2013, Dois Irmãos (0,7863) e Picada Café (0,7750) ocupavam o Top 10, nas posições 5 e 8 respectivamente. Uma década depois, as duas cidades deixaram as primeiras posições, mas elevaram seus índices gerais. Picada Café, com 0,8312 de índice, cresceu 7,5% mas agora ocupa a 14ª posição. Enquanto Dois Irmãos passa a ter 0,8207 (+4,38%) e está na 25º colocação.
Evolução modesta nas grandes cidades
Cidades de maior porte, como Novo Hamburgo, Canoas e São Leopoldo, também apresentaram avanços no índice geral, mas ainda ocupam posições distantes do topo da lista. Canoas e São Leopoldo, especialmente, aumentaram seus índices, mas despencaram no ranking.
Novo Hamburgo apresentou uma das evoluções mais expressivas do Vale do Sinos no Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (IFDM), subindo da 51ª posição em 2013 para a 28ª colocação em 2023. O índice geral do município chegou a 0,8139, resultado de um crescimento de 14,6% em dez anos.

Foto: Vandré Brancão/GES-Especial
O destaque hamburguense está no quesito Emprego & Renda, com pontuação de 0,9741, uma das mais altas do Estado. O município também registrou avanço significativo na Educação, passando de 0,4847 em 2013 para 0,6948 em 2023. Já no item Saúde, o índice atual é de 0,7729.
Segundo a secretária de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia, Daiana Monzon, o desempenho positivo reflete um conjunto de ações planejadas. “Tivemos uma combinação de políticas públicas integradas, investimentos estratégicos e parcerias entre o setor público e privado. O fortalecimento da indústria, especialmente o setor calçadista, o estímulo ao empreendedorismo, os avanços na atenção básica em saúde e melhorias na infraestrutura urbana contribuíram diretamente para esse resultado”, afirma.
Apesar do avanço, a Educação segue como a área com maior margem para melhorias. Para elevar ainda mais esse indicador, a Prefeitura aponta estratégias como qualificação docente contínua, ampliação da educação infantil, combate à evasão escolar e modernização das escolas. Também destaca o potencial das parcerias com universidades e o aprendizado com experiências bem-sucedidas de municípios vizinhos como Campo Bom e Ivoti, que ocupam posições de destaque no ranking estadual.
Para Monzon, o avanço no IFDM fortalece a imagem da cidade e contribui para atrair investimentos e orientar políticas públicas. “Esse resultado mostra que estamos no caminho certo, mas também nos dá um diagnóstico claro de onde precisamos avançar ainda mais”, conclui a secretária.
Canoas
Canoas, que em 2013 estava na 112ª posição, apesar da melhora no índice geral (10,5%), aparece agora em 144º com índice 0,7239. A cidade perdeu posições no ranking estadual, influenciada especialmente pela queda na área de emprego e renda, que recuou de 0,9668 para 0,8944. A educação também permanece com nota baixa: 0,5070.
Em resposta ao cenário, a Prefeitura afirma estar implementando um amplo programa de valorização da educação municipal. A proposta engloba cinco eixos principais: formação de professores; avaliações diagnósticas da rede; o Projeto Inspira voltado ao fortalecimento da identidade das escolas com práticas em inovação, cidadania e criatividade; o Pacto da Alfabetização, que visa transformar as práticas pedagógicas e de gestão; e o uso de plataformas customizadas com programas e aplicativos voltados à recomposição da aprendizagem.
A expectativa da Administração é de que essas medidas projetem Canoas em uma nova trajetória de desenvolvimento educacional, refletindo nos próximos anos em melhorias significativas nos indicadores.
São Leopoldo
Com queda de 62 posições em dez anos, São Leopoldo busca reverter os baixos índices de Educação e Saúde. Mesmo com crescimento de 9,98% ao longo da última década, São Leopoldo registrou uma queda expressiva no ranking estadual, passando da 124ª posição em 2013 para a 186ª em 2023. O índice geral do município atingiu 0,7060, ainda distante do patamar considerado de alto desenvolvimento.
O principal destaque leopoldense foi o eixo de Emprego & Renda, com nota de 0,9190. No entanto, os indicadores de Educação (0,6044) e Saúde (0,5945) estão abaixo das médias estadual e nacional, o que impactou negativamente no desempenho geral.

Foto: Divulgação Prefeitura
Para enfrentar esse cenário, a Secretaria de Educação afirma estar investindo em ações voltadas à melhoria dos índices de aprendizagem. Entre as iniciativas de 2025 estão diagnósticos das escolas, avaliações internas e externas, formações continuadas nas plataformas digitais, participação em programas como o Alfabetiza Tchê e o Escola das Adolescências, além de atendimento individualizado para casos específicos e reforço no contraturno escolar com o programa Mais Educa São Léo.
Já a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turístico e Tecnológico (Sedettec) avalia que a queda no ranking acende um sinal de alerta para a atual gestão, no comando da cidade há cinco meses. Segundo o órgão, o município tem uma base econômica sólida e diversificada, mas enfrenta desafios na melhoria da prestação dos serviços públicos.
A atual administração atribui os baixos índices às escolhas equivocadas de políticas públicas feitas em gestões anteriores e defende que as áreas de educação e saúde passem a ser orientadas por critérios técnicos. No caso da saúde, destaca-se ainda a necessidade de rever o modelo de financiamento, em especial os custos com o hospital, que comprometem o orçamento e limitam os investimentos em outras áreas.
Por regiões
O Vale dos Sinos, liderado por Campo Bom (2º) e Ivoti (7º), tem seus municípios bem dispersos ao longo do Ranking. Além dos já citados, Esteio (42º), Portão (44º) e Estância Velha (45º) aparecem ainda entre os 50 melhores municípios. Sapiranga aparece na 71ª posição e completam Nova Hartz (102º), Araricá (154º), Nova Santa Rita (176º) e Sapucaia do Sul (229º) já bem distante do topo do ranking.
Municípios da Encosta da Serra também apresentam boas colocações. É o caso de Morro Reuter (11º) e Nova Petrópolis (16º), além de Picada Café, já citada em 14º. Já na Serra a diferença é grande. Enquanto Gramado (9º) está entre as 10 melhores, Canela aparece somente na 80ª posição e São Francisco de Paula na distante 316ª colocação.
No Paranhana, a melhor colocada é Igrejinha, na 31ª posição. Em seguida, vem Riozinho (61º), Rolante (78º), Três Coroas (82º), Parobé (113º) e Taquara (138º). Já no Vale do Caí, Montenegro está em 38º, Bom Princípio em 47º e São Sebastião do Caí em 157º lugar. E no litoral norte, Tramandaí e Imbé aparecem próximas, mas em colocações bem modestas: 305º e 318º respectivamente.
Como fugir do fim da fila
Para o prefeito de São Francisco de Paula, Thiago Teixeira (PDT), que ocupa a 316ª posição no Estado, “os indicadores de desenvolvimento só fazem sentido se forem comparados com o ponto de partida”. Teixeira afirma que assumiu a cidade em 2017 e desde então os resultados são visíveis.
“Um dos maiores exemplos está justamente na educação. Em 2017, São Francisco de Paula ocupava a 495ª posição no ranking estadual do IDEB. Hoje, já alcançamos a 246ª colocação, um salto superior a 200 posições, reflexo direto de políticas públicas focadas na valorização dos profissionais da educação, investimento em infraestrutura, ampliação do ensino integral, construção de escolas e qualificação da rede”, afirma.
O prefeito ainda ressaltou que o IFDM analisa a educação como um todo, e não cabe ao município a exclusividade da responsabilidade. Os dados de fluxo escolar do Ensino Médio, que fazem parte do índice, são de competência do Estado e impactam diretamente a nota geral”. Entre os principais obstáculos citados estão a grande extensão territorial, a baixa densidade populacional nas áreas rurais e o clima severo, que dificulta o acesso das crianças às escolas.
Segundo a Prefeitura, para enfrentar esses desafios, o município construiu sete novas escolas, ampliou o ensino integral, zerou a fila por vagas em creches e implementou programas de reforço escolar, robótica educacional e distribuição de uniformes completos. O investimento total ultrapassa R$ 16 milhões desde 2017.
No campo econômico, São Francisco de Paula afirma ter ofertado 1.827 empregos, aberto 764 novas empresas, doado 17 lotes para empreendedores e implementado o PIDE — Programa de Incentivo ao Desenvolvimento Econômico. Mais de 570 pessoas participaram de cursos de capacitação, e R$ 4 milhões foram aplicados em incentivos fiscais e estruturais. “O IFDM mostra que nosso principal destaque é o eixo de Emprego & Renda, com nota 0,887, reflexo direto de uma política de desenvolvimento econômico”, destaca a administração.
“Ainda que o IFDM não reflita de forma imediata as transformações que estamos promovendo, os avanços já são visíveis. Continuamos trabalhando com planejamento e foco no que mais importa: a vida das pessoas”, conclui o prefeito.
Imbé
Já em Imbé, o resultado geral também causou surpresa na administração. O município teve crescimento de 7,54% no IFDM na última década, mas aparece apenas na 318ª posição do ranking estadual, a mais baixa entre os municípios de cobertura do Grupo Sinos. A Prefeitura afirma que investe acima do mínimo legal em saúde e educação, e aponta que o forte crescimento populacional (75% em dez anos) impacta diretamente a nota, principalmente na área da saúde.
Entre os indicadores que puxam a nota para baixo estão internações por causas evitáveis, acesso ao pré-natal e número de médicos por habitante. Para melhorar, a Prefeitura afirma que vem qualificando a atenção básica, ampliando o acesso às unidades de saúde, promovendo campanhas preventivas e reforçando a atuação junto a grupos vulneráveis. Há também ações específicas em saúde mental, distribuição domiciliar de medicamentos e integração com universidades.

Foto: IsaÃas Rheinheimer/GES-Especial
Na educação, foram implantadas escolas de tempo integral e programas de tecnologia desde a educação infantil, além de cursos profissionalizantes em parceria com o Senac.
Apesar de o turismo impulsionar a geração de renda em Imbé, a Prefeitura afirma que o número de aposentados que migram para a cidade interfere no resultado do eixo Emprego & Renda. “Esse dado pode acabar “maquiando” o número final, pois não são desempregados, mas são economicamente ativos”, afirma a secretaria de Comunicação e Transparência. Para integrar melhor as áreas, o município aposta na articulação entre diferentes secretarias e cita eventos como a Pascoarte e o Rodeio Crioulo Internacional, que envolvem ações conjuntas das pastas de Turismo, Saúde e Educação.
Desenvolvimento baixo ou crítico no cenário nacional
Apesar de ainda enfrentar grandes desigualdades, o Brasil apresentou avanço significativo no desenvolvimento dos municípios ao longo da última década. Segundo a Firjan, 99% das cidades do país melhoraram seus indicadores entre 2013 e 2023. A média nacional do IFDM subiu de 0,4674 para 0,6067, alta de quase 30%.
O destaque ficou para a área da educação, que teve um crescimento de 52,1% no período. Municípios pequenos, com até 20 mil habitantes, foram os que mais evoluíram. Ainda assim, quase metade da população brasileira vive em cidades com nível de desenvolvimento baixo ou crítico.
Atualmente, 47,3% dos municípios estão nessas duas faixas mais baixas do índice, sendo que a maioria se concentra nas regiões Norte e Nordeste. Já as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste reúnem, juntas, apenas 20% dos municípios com desenvolvimento insuficiente.
Para a Firjan, o desafio da desigualdade regional ainda é enorme. “Esses municípios com nível crítico de desenvolvimento estão, em média, 23 anos atrás das cidades mais avançadas”, afirma o economista-chefe da entidade, Jonathas Goulart. Segundo ele, se o ritmo atual for mantido, essas cidades só alcançarão o nível das mais desenvolvidas em 2046.
Cidades da região no ranking estadual
- 2º – Campo Bom – 0,8617
- 7º – Ivoti – 0,8430
- 9º – Gramado – 0,8375
- 10º – Montenegro – 0,8366
- 11º – Morro Reuter – 0,8347
- 14º – Picada Café – 0,8312
- 16º – Nova Petrópolis – 0,8297
- 25º – Dois Irmãos – 0,8207
- 28º – Novo Hamburgo – 0,8139
- 31º – Igrejinha – 0,812
- 42º – Esteio – 0,796
- 44º – Portão – 0,7958
- 45º – Estância Velha – 0,7948
- 47º – Bom Princípio – 0,794
- 52º – Santa Maria do Herval – 0,7886
- 61º – Riozinho – 0,7779
- 71º – Sapiranga – 0,7718
- 76º – Lindolfo Collor – 0,7667
- 78º – Rolante – 0,7658
- 80º – Canela – 0,7643
- 82º – Três Coroas – 0,7638
- 102º – Nova Hartz – 0,7508
- 113º – Parobé – 0,7459
- 138º – Taquara – 0,7285
- 144º – Canoas – 0,7239
- 144º – São José do Hortêncio – 0,7239
- 154º – Araricá – 0,7205
- 157º – São Sebastião do Caí – 0,7196
- 186º – São Leopoldo – 0,706
- 229º – Sapucaia do Sul – 0,6835
- 305º – Tramandaí – 0,6456
- 316º – São Francisco de Paula – 0,6393
- 318º – Imbé – 0,6387
- 000 – Presidente Lucena – não há dados
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