A região metropolitana conviveu com situações opostas nos últimos dias. Enquanto alguns municípios registraram transtornos causados pela chuva, como alagamentos e inundações, outros passaram praticamente ilesos pela instabilidade que persiste no Estado.

Foto: Paulo Pires/GES
Moradores de Canoas, São Leopoldo e Porto Alegre voltaram a conviver com a água invadindo suas casas, mesmo que o Rio dos Sinos e o Lago Guaíba não tenham atingido a cota de inundação.
O contrário aconteceu em São Sebastião do Caí, onde o Rio Caí superou a cota de 10,5 metros, obrigando diversas famílias a procurar abrigo nas residências de parentes ou auxílio do poder público.
Já em Novo Hamburgo, houve o oposto de episódios anteriores, quando a chuva foi mais branda e as ruas foram tomadas pela água. Ou seja, a drenagem se mostrou eficiente, assim como o comportamento da vasão de água nos arroios da cidade.
Drama em Canoas
Em Canoas, um levantamento da Defesa Civil apontou que cerca de 35% do território foi atingido. Mais de 100 pessoas ficaram desabrigadas e outras 500 desalojadas em decorrência do volume de chuva, que superou os 80 milímetros.
Conforme o prefeito Airton Souza (PL), ao assumir o município em janeiro, não havia contrato para o serviço de hidrojateamento na cidade. “Neste período conseguimos operar o hidrojateamento com três caminhões da Corsan. Sabemos que é insuficiente, então foi feita uma licitação e contratamos outros nove veículos, via licitação.”
No entanto, os caminhões começaram a operar na segunda-feira (16) e a chuva atingiu a região a partir daquela noite. “As principais ruas do Mathias Velho têm mais de 7 quilômetros de extensão. A cidade é muito grande, não iríamos conseguir finalizar com três veículos.”
O objetivo, conforme Souza, é manter a ação ostensiva até dezembro. “Assim vamos evoluir com a limpeza da nossa rede pluvial.” O prefeito explicou que durante os trabalhos, muitos tubos estavam quebrados, dificultando a execução e ampliando os alagamentos. “Isso ficou da época da enchente.”
O mandatário chamou a atenção para o descarte irregular de lixo, especialmente durante o desassoreamento do Arroio Brigadeira. “Encontramos pneus, pedaços de armário, fogão, estrutura de geladeira. Pedimos que a população também contribua com a limpeza.” E salienta. “Gastamos em média R$ 1 milhão por mês para a retirada de descartes irregulares no município.”

Foto: Paulo Pires/GES
Souza afirma que o valor poderia ser utilizado para outras obras na cidade, inclusive a ampliação do hidrojateamento, melhorando o sistema de drenagem.
Debate com o governador e verbas federais
Em visita recente ao Vale do Sinos, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, cobrou agilidade do governo do Estado em relação às obras de prevenção contra enchentes. Conforme o ministro, a União efetuou o depósito de R$ 6,5 bilhões que devem ser utilizados para a execução das obras. “Esse valor já está estimado em R$ 6,8 bilhões.”
Na quarta-feira (18), o prefeito de Canoas também fez cobranças ao governo estadual. Em vídeo publicado nas redes sociais, Airton Souza diz que aguarda a liberação de recursos prometidos até o dia 15 de junho. “Ele [Eduardo Leite] disse que não entregamos o projeto. É uma injustiça com Canoas, protocolamos na Secretaria da Reconstrução o projeto no dia 19 de maio.”
Na noite mesma noite o governador abordou o assunto em entrevista ao Grupo Sinos. “Não é simplesmente jorrar dinheiro na conta da Prefeitura, tem que apresentar projeto, passar pelo comitê científico do Estado. E faltaram documentações, o município não conseguiu apresentar esses projetos a tempo.”
Segundo Leite, os alagamentos registrados ao longo do dia na região metropolitana não foram provocados pelo avanço dos rios, mas sim por falhas nos sistemas de drenagem das cidades.
Questionado acerca do assunto pela reportagem, Airton Souza afirmou que é necessário desburocratizar o tema. “Queremos que o governo federal tome conta dos recursos e encaminhe diretamente aos municípios. É muito mais ágil.”
Bombas anfíbias devem se tornar definitivas em São Leopoldo
Ainda no início do ano, depois de chuva torrencial que mostrou pontos de alagamentos na cidade, a Prefeitura de São Leopoldo deu início à Operação de Controle de Alagamentos (OCA), com hidrojateamento da rede de esgoto e pluvial, em alguns locais, para limpeza e desobstrução. Durante o ano, também foi feita manutenção de equipamentos nas casas de bombas.

Foto: Douglas DaLua/Prefeitura de São Leopoldo
Após os intensos alagamentos causados pela chuva desta semana, nesta quinta-feira, o prefeito Heliomar Franco (PL) avaliou os desafios da drenagem urbana do município. “Acabamos tirando novas conclusões sobre esse sistema, observando ao vivo a elevação das águas e como elas estão escoando.
Já havíamos nos preparado de certa forma para o que pudesse ocorrer no inverno, mas em dois dias, choveu o volume de um mês, o que nos apresentou situações novas”, iniciou. “Detectamos que a drenagem na Vicentina e Campina encontra obstáculos quando se aproximam do local das casas de bombas”, pontuou.
Os problemas, segundo ele, foram sanados após a instalação de duas novas bombas anfíbias, uma em cada um destes bairros, durante a madrugada desta quinta-feira, o que “secou” os alagamentos nos locais. “Foram duas soluções extraordinárias e emergenciais. Mas me parece que temos a solução encaminhada para esses alagamentos mais crônicos, que é a instalação dessas bombas”, destacou.
O que deu certo em Novo Hamburgo
Ao contrário de Canoas e São Leopoldo, Novo Hamburgo passou praticamente ilesa das chuvas desta semana. Alagamentos não foram registrados, entretanto, o município teve áreas afetadas por deslizamentos de terra.
Ainda assim, o prefeito Gustavo Finck (PP) destacou as ações iniciadas ainda em janeiro. “Estamos desde o dia 7 de janeiro planejando a reestruturação da cidade.”
Segundo Finck, o auxílio do governo do Estado foi fundamental. “Com recursos estaduais contratamos horas máquinas para desobstrução dos bueiros. Já com dinheiro do município, contratamos dois caminhões para executar o hidrojateamento.”
O prefeito explicou que em alguns pontos a rede pluvial estava até 80% obstruída. “O problema era interno. Focamos na limpeza interna da cidade, desobstrução e desassoreamento dos arroios.” E salientou. “Temos só elogios para os governos do Estado e Federal.”
*Colaborou: Priscila Carvalho
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