Um BYD Dolphin pegou fogo em Santa Maria após ser recarregado com extensão elétrica improvisada que descia da sacada de um apartamento. O incidente, registrado no último domingo (19), representa o primeiro caso oficial de incêndio em um veículo 100% elétrico no Brasil, conforme confirmação do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS).
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Foto: Reprodução/Redes sociais
A corporação identificou como causa provável do incêndio um “procedimento fora do padrão de fábrica” durante a recarga. Segundo informações do Estadão, o veículo estava estacionado em via pública, sendo recarregado por meio de uma extensão de energia elétrica que descia da sacada de um apartamento.
“Essa extensão estava perigosamente posicionada sobre o estofamento do banco. Devido a uma sobrecarga elétrica, a extensão derreteu e rompeu-se exatamente onde se juntava ao carregador”, detalha o documento oficial dos Bombeiros.
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A investigação apontou que a sobrecarga na extensão improvisada foi determinante para o início das chamas. O posicionamento inadequado do cabo sobre o estofamento contribuiu para o superaquecimento, levando ao rompimento no ponto de conexão com o carregador.
O Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares publicou, em 25 de agosto de 2025, a Diretriz Nacional sobre Ocupações Destinadas a Garagens e Locais com Sistemas de Alimentação de Veículos Elétricos (SAVE), através da Portaria n° 029. Esta diretriz estabelece parâmetros mínimos de segurança contra incêndios para estacionamentos e áreas de recarga.
Em Goiás, o Corpo de Bombeiros Militar (CBMGO) já implementou a Norma Técnica nº 45/2025, voltada especificamente para sistemas de recarga de veículos eletrificados. O estado se antecipou na regulamentação após casos semelhantes em outras regiões do país.
Outro incidente relacionado ocorreu em fevereiro deste ano, quando um veículo híbrido incendiou-se na garagem de um condomínio de luxo em Presidente Prudente (SP) durante o processo de carregamento.
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Tadeu Azevedo, engenheiro elétrico, CEO da Power2Go e diretor da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), orienta sobre os procedimentos corretos: “A recarga de carros elétricos em condomínios deve sempre ser feita com o uso de Wallbox, de preferência do tipo Inteligente com comunicação Wifi e conectado a uma solução de balanceamento de carga para evitar sobrecarga da rede”.
O especialista alerta ainda para os riscos de equipamentos inadequados: “não é seguro permitir o uso de carregadores portáveis em tomadas NBR, uma vez que há muitos equipamentos fora de norma no mercado e quando eles são conectados há um risco de sobreaquecimento, podendo inclusive gerar incêndios”.
O Tenente Coronel Bruno Alves, do CBMGO, complementa as orientações de segurança: “O CBMGO orienta que síndicos e proprietários sinalizem claramente o profissional responsável, sua ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), além do laudo técnico referente à instalação de carregadores elétricos”.
São Paulo, um dos principais mercados para veículos elétricos no Brasil, ainda não possui diretrizes específicas para instalações de sistemas de recarga. O CBMSP não informou quando publicará suas normas locais para este tipo de equipamento.