Uma chuva extrema, frequente e incomum irá atingir o Rio Grande do Sul, causando alagamentos, enxurradas, inundações repentinas e aumentando o risco de enchentes e temporais isolados, com raios e rajadas de vento intensas.

Foto: MetSul Meteorologia/Reprodução
O alerta sobre o cenário meteorológico grave que pode atingir o RS foi feito pela MetSul Meteorologia, neste domingo (21), começo de verão. E a origem dessa precipitação incomum é um Vórtice Ciclônico em Altos Níveis da Atmosfera (Vcan) que atua sobre o Centro do Brasil, criando um rio atmosférico.
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Situação é muito incomum
Inclusive, essa precipitação extrema é incomum para a época do ano. Conforme os meteorologistas, as chuvas excessivas tendem a acontecer durante outono, inverno e até na primavera, mas não durante o fim de ano. “E muito menos sob condições de La Niña presentes no Oceano Pacífico.”
Uma virada de tempo já estava prevista para o RS, neste domingo (21). Inclusive, grande parte do Estado está em alerta amarelo para tempestades e queda de granizo, publicado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
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Chuva de até 300 milímetros
Mas o alerta da MetSul é muito mais preocupante. Não apenas o fim de domingo e a segunda-feira (22) serão de chuva, como ela deve continuar até o último dia de 2025, com precipitação alta e até torrencial.
A instabilidade vai continuar por muitos dias, de maneira frequente no RS. Os acumulados serão grandes e em períodos curtos de tempo, o que pode sobrecarregar macrodrenagens urbanas, causar alagamentos, enxurradas e até inundações repentinas em alguns pontos.
Vão ter dias em que os acumulados podem ficar entre 100 e 150 milímetros em apenas 24 horas. “O que corresponde a dois terços da totalidade da média de precipitação do mês inteiro de dezembro em horas”, alerta a MetSul.
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Tanto o centro quanto o oeste do RS correm risco mais crítico de chuva excessiva até extrema durante o fim de ano, segundo a análise dos meteorologistas. Nessas regiões, haverá pontos em que a precipitação pode somar duas a três vezes a média de todo o dezembro, em apenas sete até dez dias.
Nos próximos dez dias, os acumulados devem ser excessivos a extremos, com marcas acima do normal. “É um cenário tão extremo que algumas cidades podem ter […] um quarto da média anual da precipitação” apenas nesse período, explica.
Ainda, várias regiões gaúchas podem somar entre 100 e 200 milímetros nesta semana de Natal. Em algumas cidades do centro para oeste, a chuva pode ser ainda maior, com as marcas ficando entre 200 e 300 milímetros. “Ou até mais”, afirmam os meteorologistas.
Os volumes podem ser particularmente altos entre as cidades de Barra do Quaraí, Quaraí, Uruguaiana, Itaqui, Alegrete, Maçambará e São Borja.
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Alagamentos, inundações e enchentes
Por ser forte e até torrencial em um curto período de tempo, os acumulados podem chegar a 100 milímetros em poucas horas, o que pode causar alagamentos e inundações repentinas.
Já a chuva persistente pode provocar inundações e prováveis cheias de rios, com enchentes. As bacias do centro para oeste, como Uruguai (ao sul de São Borja), Ibicuí, Vacacaí, Jaguari e Quaraí, são as de maior risco.
Mesmo com as chuvas extremas, o nível do Guaíba, em Porto Alegre, não deve ficar em um nível de considerado de gravidade, segundo a MetSul.
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Para a Serra, não há previsão de chuva extrema, mas deve por vezes ter precipitação forte. “Risco de enchentes nos vales pelos rios que nascem na Serra ou perto (Taquari, Caí, Sinos e Paranhana) no momento é considerado baixo a médio.”
Também há chance de temporais isolados, com grande chance de raios e rajadas de vento forte até intensas, além da queda de granizo.
Enquanto vai chover muito além da média no RS, a precipitação será muitíssimo abaixo no Centro do País, quando o cenário deveria ser ao contrário. O culpado? O vórtice ciclônico.
Por que vai chover tanto no RS?
O vórtice ciclônico vai criar um “padrão de bloqueio atmosférico”, que vai canalizar a umidade da Amazônia no RS nestes últimos dez dias de dezembro, segundo a MetSul. Consequentemente, vai trazer chuva frequente e volumosa ao Estado.
O Vcan tem uma característica marcante, explicam os meteorologistas. “Enquanto seu centro costuma gerar tempo mais firme, com menos nuvens e baixa umidade por causa do movimento descendente de ar, as bordas do sistema concentram instabilidade.”
É nessas áreas das bordas do vórtice que ocorre a ascensão de ar quente e úmido, chamado de convecção. Isso favorece a formação de um grande número de nuvens carregadas, tempestades isoladas e acumulados irregulares de chuva, com volumes altos localmente.
E é o Vcan que causa um rio atmosférico sobre o Estado, o que vai apenas favorecer a chuva extrema. Ele se instala no começo desta semana, já trazendo precipitação neste domingo em várias regiões, persistindo durante toda a semana de Natal.
“Os rios atmosféricos são regiões longas e concentradas na atmosfera que transportam ar úmido dos trópicos para latitudes mais altas”, explicam. Com o ar úmido, combinado com ventos de alta velocidade, é produzida a chuva pesada.