Municípios da região se encontram em constante monitoramento das cabeceiras dos rios, que exigem atenção redobrada quanto aos riscos de enchentes. Apesar de parâmetros mais pessimistas em relação às chuvas do final de semana, a região não registrou volumes tão altos, porém, a situação dos rios em algumas cidades ainda se agrava, apresentando variações.
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Foto: Cassiano Hans/Especial
Entre sábado (28) e domingo (29), as precipitações chegaram ao registro de até 65 milímetros no Vale do Sinos. Em Novo Hamburgo, o nível do rio mantém-se estável. Em São Leopoldo, apesar de estado alerta, as águas seguem baixando.
As projeções exigiram ações imediatas do Governo do RS e prefeituras, que utilizaram diferentes táticas a fim de minimizar possíveis impactos das cheias.
Situação em Novo Hamburgo está estabilizada
Em Novo Hamburgo, o nível do Rio dos Sinos manteve-se à faixa dos 6,19 metros ao longo do domingo, situação dentro do estável conforme medição da captação da Comusa. Na cidade, os principais pontos de atenção estão entre o Loteamento Integração e as vilas Kroeff, Getúlio Vargas, Kipling e Marrocos.
A Prefeitura também alertou moradores do Loteamento Kephas quanto ao risco de deslizamentos devido ao solo já encharcado. Conforme monitoramento da Administração Municipal, a Casa de Bombas da cidade seguiu operando normalmente. Arroios e o dique não tiveram problemas de transbordamento.
Atenção em São Leopoldo
Em São Leopoldo, o nível do Rio do Sinos está baixando cerca de 5 milímetros por hora. O nível em 4,36 metros registrado às 20h15 de domingo ainda está abaixo da cota de inundação, que é a partir de 4,50 metros. A chuva acumulada registrada foi de 50 milímetros entre o sábado e o domingo.
A situação ainda é considerada preocupante pelo governo municipal, principalmente nas regiões da cidade que não contam com proteção de diques: Rua da Praia e Rua das Camélias e o bairro São Geraldo. Como medida preventiva, a Prefeitura de São Leopoldo aplicou argila sobre o dique do bairro Vicentina, próximo à Casa de Bombas do Arroio João Corrêa já no sábado. A intervenção veio após infiltração no local.
Situação em Sapiranga e Campo Bom
Em Sapiranga, a projeção da Defesa Civil é de que não haja elevação significativa do rio. Equipes seguem em monitoramento e 13 pessoas residentes da região do Passo da Cruz precisaram deixar suas residências, sendo abrigadas no ginásio da Escola Dr. Décio.
Em Campo Bom, o rio registra lenta elevação e estava em 6,08 m por volta das 17 horas do domingo. A Defesa Civil está em monitoramento das regiões ribeirinhas e a cidade registrou o acúmulo de 65 mm de precipitação.
Canoas tem situação estável
A cidade que faz parte da bacia dos rios do Sinos e Guaíba está divulgando boletins informativos sobre a situação das casas de bombas em suas redes sociais. Durante o final de semana, equipes fizeram ações de limpeza de descartes irregulares de resíduos, além da retirada de grande quantidade de lixo das oito casas de bombas da cidade.
A medição no Rio dos Sinos apontou 4,39 metros às 18 horas, sendo a cota de inundação 4,50 metros. Neste horário, o nível baixava cerca de 50 milímetros por hora.
Vale do Paranhana
Na cidade de Taquara, o nível do Rio dos Sinos atingiu a cota de inundação de 5 metros na estação de captação da Corsan. Às 20 horas, o rio havia atingido a marca de 5,20 metros e seguia subindo cerca de 3,5 centímetros por horas. De acordo a Defesa Civil do município, contudo, não há risco eminente de atingir residências e a expectativa é de que o rio se estabilize nas próximas horas.
Em Igrejinha, o Rio Paranhana teve muita oscilação durante o dia, entre períodos baixando e outros subindo o nível. Às 20h30, a marca era de 1,96 metros, considerada normal. A cota de atenção do rio é de 3,50 metros, e a de enchente é de 4,50 metros.
No Caí a situação se agrava
A situação mais preocupante segue sendo em São Sebastião do Caí, onde o volume das águas chegou a subir até 38 centímetros em uma hora, alcançando os 12,01 metros às 20h45 de domingo. O município do Vale do Caí trabalha com a previsão máxima de 13 a 13,50 metros e famílias já estão abrigadas em ginásios. A Defesa Civil emitiu alerta para risco muito alto de inundação na cidade.
Previsão é do Guaíba atingir cota de inundação
O Grupo de Pesquisas Hidrologia de Grande Escala (HGE) do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Ufrgs divulgou ao final da manhã deste domingo os cenários de previsão do Guaíba. Ao que indica, haverá rápida elevação dos níveis devido aos ventos que atingem a cidade, podendo alcançar a cota de inundação na Usina do Gasômetro, que é de 3,6 metros.
É esperada a estabilidade dos níveis mais elevados, acima dos 3 metros ao longo da semana em razão das chuvas das últimas horas. Neste ponto, a medição estava em 3,39 metros na noite do domingo. Já na estação localizada no Caís Mauá, onde a medição é feita há mais de um século, o nível era de 2,75 às 20 horas.
Alerta para os rios Taquari e Uruguai
A Defesa Civil do Estado emitiu alerta de inundações para os rios Taquari e Uruguai, com riscos muito altos de Encantado a Taquari e de Iraí a Barra do Guarita. O alerta é válido até o meio-dia desta segunda-feira (30).
Metade Norte foi fortemente atingida
Ao contrário do que ocorreu na região de cobertura do ABCmais, onde não ocorreram as previsões mais pessimistas do final de semana, a metade Norte do Estado foi atingida por elevados volumes de chuva, com elevação dos rios e repique de cheia. Conforme a MetSul Meteorologia, acumulados de precipitação chegaram aos 150 milímetros entre o Noroeste, o Alto e Médio Uruguai, o Planalto Médio, a Serra e os Campos de Cima da Serra.
Governo do RS instalou gabinetes de crise regionalizados
Durante a manhã deste domingo, na sede da Defesa Civil estadual, em Porto Alegre, foi realizada reunião do Gabinete Estratégico do governo do Estado. O encontro entre o governador Eduardo Leite, coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Boeira, e equipe de meteorologia e hidrologia da Defesa Civil, avaliou os impactos das fortes chuvas.
“O engajamento dos diversos órgãos e instituições parceiras foi fundamental e, mesmo que os impactos tenham sido menores, caso não o fossem, ainda assim nos encontrariam mais preparados e resilientes”, destacou Boeira.
Em função dos alertas meteorológicos de alto volume de chuvas, o governo do Estado viu a necessidade de instalação de gabinetes estratégicos de crise regionalizados nas cidades de Torres, Caxias do Sul, Lajeado, Santa Cruz do Sul e São Sebastião do Caí.