Dois ciclones vão mexer com o tempo no Brasil, alerta a MetSul Meteorologia. Enquanto um já está formado, trazendo instabilidade e causando queda nas temperaturas em parte do País, outro ainda irá se formar e fará com que risco de chuva intensa e até deslizamentos seja maior em outra região.

Foto: MetSul Meteorologia/Reprodução
A imagem de satélite, que está acima, mostra um ciclone extratropical no Atlântico Sul durante a tarde de quinta-feira (26). Ele é responsável por impulsionar uma massa de ar frio para o Sul do Brasil.
A MetSul explica que o registro mostra também a presença de várias áreas de instabilidade na costa da região Sudeste do País. Elas devem se organizar em um segundo ciclone, que pode ter características subtropicais, ainda nos próximos dias.
Ciclone extratropical traz frio ao RS
O ciclone extratropical, que já está formado, não oferece riscos e está consideravelmente distante da terra. O sistema, que está a nordeste das Ilhas Malvinas, está impulsionando uma massa de ar frio com a temperatura mais baixa e de alta pressão atmosférica para o Sul.
Inclusive, foi esse ar frio que causou a queda nas temperaturas no começo de quinta-feira (26) no Rio Grande do Sul. Algumas cidades chegaram a ter marcas em torno e até abaixo dos 10ºC em pleno fevereiro.
Em Pinheiro Machado, os gaúchos começaram o dia com 7,4ºC. Em cidades como Pedras Altas, Hulha Negra, Herval, Bagé e Soledade, as mínimas ficaram em 10ºC, 10,1ºC, 10,6ºC, 10,8ºC e 10,9ºC, respectivamente. Na Serra, Gramado teve os termômetros marcando 11,2ºC.
Até quando vai o frio no RS
Essa massa de ar seco e frio vai manter as noites frias ou amenas ainda nas próximas madrugadas no RS. Na Serra, as mínimas tendem a ser mais baixas, à medida que a atmosfera passa a ficar mais seca no nordeste do Estado.
Durante as tardes, a previsão é que as temperaturas continuem agradáveis ou com um calor moderado.
Ciclone subtropical aumenta risco de chuva intensa
Enquanto o primeiro ciclone traz frio para o RS, o segundo vai aumentar o risco de tempo severo nas regiões Sudeste e Nordeste do Brasil, alerta a MetSul.
No Sudeste, o risco de novos episódios de chuva forte e intensa continua. O período mais crítico deve ser entre esta quinta-feira e sexta (27). Enquanto isso, no Atlântico, muitas áreas de baixa pressão devem se formar sobre o mar. Ao menos uma delas deve se tornar um ciclone, que pode ser subtropical, até a virada do mês.
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Quem deve enfrentar um cenário ainda mais preocupante é o Nordeste. Essa série de áreas de baixa pressão vai organizar um corredor de umidade da Amazônia, levando mais ao Norte do que o comum para a época do ano.
A MetSul alerta que a Bahia deve ser um dos estados mais afetados, com possibilidade de acumulados entre 100 e 200 milímetros nos próximos sete dias em diversas cidades. Os volumes podem ser ainda maiores em muitas áreas, de 200 a 400 milímetros, com possibilidade de ser ainda maiores.
Também há risco geológico muito alto e até crítico de deslizamentos em Salvador e região metropolitana, com ameaça significativa para a população. As projeções indicam ainda potencial elevado para alagamentos, inundações, enxurradas e até bloqueio de rodovias por conta de desabamentos.
Extratropical x subtropical
Os ciclones subtropicais ou tropicais são muito atípicos na costa brasileira. Aqui, a regra é que as baixas pressões sejam de natureza extratropical.
Caso o subtropical, que ainda vai se formar entre este final de semana e o começo de março, sustente ventos acima de 60 km/h em alto-mar, deve ser nomeado como tempestade. Isso porque o Brasil batiza os ciclones atípicos.