A escassez de água potável causada por falta de chuva já fez 43 municípios do Rio Grande do Sul decretarem situação de emergência. O último balanço foi divulgado pela Defesa Civil gaúcha na sexta-feira (31). Mas o dado aumenta a cada dia. Os prejuízos gerados por fenômenos extremos também são monitorados no estado de São Paulo, onde o problema é outro: excesso de chuva.

Foto: Montagem
A explicação para a situação atual dos dois estados vem do céu. É na atmosfera que ocorrem os eventos meteorológicos que influenciam na falta ou excesso de chuva. E, na prática, são efeitos causados por eventos na Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS).
A MetSul Meteorologia esclarece que “ZCAS é conhecida por uma faixa de nebulosidade que cruza o Brasil. Este corredor de umidade, um verdadeiro rio atmosférico, tem uma orientação climatológica típica de Noroeste para Sudeste, estendendo-se da região da Amazônica até o litoral da Região Sudeste”.
A movimentação desse rio atmosférico pode resultar em mais chuva em alguns pontos e menos em outros. Essas condições afetam mais o Brasil em estações quentes, no período entre novembro e março. As frentes frias que cruzam o Sul do País e encontram a ZCAS na região Sudeste provocam os episódios de chuvas volumosas com capacidade de durar dias.
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A MetSul explica também que episódio de ZCAS favorecem chuvas excessivas extremas com risco de inundações e deslizamentos em estados do Sudeste, como São Paulo. No entanto, também gera o efeito de clima seco no outro RS.
“É o que se observa nos mapas com projeção de água precipitável para os próximos dias na América do Sul com o corredor de umidade ou rio atmosférico da ZCAS levando muito umidade para os estados do Sudeste e ‘drenando’ a umidade que poderia favorecer chuva mais abundante no Rio Grande do Sul.”
Apesar de não impedir a ocorrência de chuva, a MetSul afirma que chuva pode aparecer de forma irregular. É o que modelos meteorológicos indicam para os próximos dias no Estado, precipitações isoladas associadas ao calor intenso.