Novo Hamburgo tinha um espaço especial na história e nas memórias da gaúcha Ieda Maria Vargas, falecida nesta segunda-feira (22), aos 80 anos, em Gramado, onde morava desde 2009. Ela estava internada na UTI do Hospital Arcanjo São Miguel. A despedida foi na tarde desta terça-feira (23), em Porto Alegre.

Foto: Acervo Jornal NH
Nascida em Porto Alegre em 31 de dezembro de 1944, Ieda Maria Vargas foi um ícone da beleza brasileira nos anos 1960 e 1970. No fim de 1963 ela foi a primeira Miss Universo brasileira, com direito a coroação em Miami Beach, nos Estados Unidos.
Meses antes, em junho, recebeu a cobiçada faixa de Miss Rio Grande do Sul diante de mais de mil pessoas em um badalado baile na Ginástica, em Novo Hamburgo. Na época, a sede do clube ainda ficava no Centro. Pouco tempo antes ela havia sido eleita Miss Porto Alegre e, ainda naquele mês, receberia a faixa de Miss Brasil em evento na capital paulista.
“O acontecimento do ano”
O Jornal NH de 8 de junho de 1963 deu destaque de capa para a festa. “O maior baile de todos os tempos no Vale do Sinos”, dizia o texto sob o título “O acontecimento do ano”. Era tempo da 1ª Festa Nacional do Calçado (Fenac) e Novo Hamburgo sediava, pela primeira vez, a festa de escolha da Miss RS.
Uma das fotos da capa do NH naquele início de junho era do “grande baile” de escolha da Miss RS. A imagem mostra as candidatas lado a lado, com vestidos claros, observadas por uma grande câmera de televisão. Logo atrás, o público que lotou o salão. Na outra foto estão Ieda, Vera Menezes (Miss Brasil 1961) e Eva Arismendi (Miss Rio Grande do Sul 1962).
A reportagem contava que a decisão do júri por Ieda Maria Vargas havia sido tomada já no período da tarde, quando foi realizado “o teste intelectual”. “Pela rapidez com que decidiram após o desfile na Ginástica, leva a crer que houve apenas um confirme-se no período da noite”, contava o jornal. Rui Noronha era o presidente do júri.
Curiosidades
Havia 18 candidatas a Miss Rio Grande do Sul naquela noite de domingo. Uma das curiosidades veio de Campo Bom. A candidata que representou a cidade, Yone Adams, havia sido escolhida dois dias antes do concurso e mesmo assim ficou entre as três finalistas.
Outra curiosidade destacada pelo NH na época era que algumas cidades, entre elas Montenegro, mandaram torcidas organizadas. A reportagem contou que, na hora da decisão, as moças estavam nervosas – e alguns familiares também, como João Vargas, pai de Ieda Maria Vargas.
As candidatas e seus familiares ficaram pelo menos três dias em Novo Hamburgo. Na agenda, almoços, jantares e visitas a empresas. Na véspera do concurso Ieda Vargas visitou o Jornal NH e deixou uma mensagem em um painel dedicado a visitantes ilustres.
“As mais gratas recordações”
A partir daquele fim de semana nasceu uma relação próxima entre a Miss e a cidade de Novo Hamburgo. Um mês depois, no início de julho de 1963, o Jornal NH reproduziu na capa uma carta de saudação enviada à cidade por Ieda Maria Vargas, já Miss Brasil. Ela tinha acabado de voltar de Brasília.
“Através das páginas do Jornal NH, envio a minha cordial saudação a todo povo da Cidade Industrial, do qual guardo as mais gratas recordações, por ocasião da minha eleição como Miss Rio Grande do Sul 63”, dizia o texto escrito a mão.
Ela voltaria à cidade inúmeras vezes nas próximas décadas, seja para compromissos profissionais ou pessoais. Vinte anos depois de conquistar o Miss Rio Grande do Sul, em julho de 1983, Ieda Maria Vargas visitou Novo Hamburgo e foi recepcionada com almoço no Jornal NH. Na época ela trabalhava na Secretaria Estadual de Turismo.