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DESAFIO EM SALA DE AULA

Como os municípios se preparam para ano letivo com nova lei que restringe uso de celular em escolas

Secretarias de educação analisam lei federal para aplicar norma na rotina de crianças e adolescentes

Publicado em: 20/01/2025 às 06h:32 Última atualização: 20/01/2025 às 07h:32
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O ano letivo de 2025 começará com novos desafios para equipes diretivas e professores de escolas públicas e privadas. Isso porque, na segunda-feira da semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Projeto de Lei 104/2015, que restringe o uso de aparelhos eletrônicos portáteis, sobretudo telefones celulares nas salas de aula do ensino básico em todo o país. Com a restrição, válida a partir do início das aulas, em fevereiro, o que estava apenas no debate passará a fazer parte da rotina das escolas.

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Uso de celular no ambiente escolar terá regras em todo o Brasil | abc+



Uso de celular no ambiente escolar terá regras em todo o Brasil

Foto: Freepik

A proibição vale para a educação infantil e os ensinos fundamental e médio, inclusive no recreio e intervalo entre as aulas. Conforme o projeto de lei, o aluno poderá levar o aparelho na mochila, mas só poderá ser usado em casos de necessidade, perigo ou força maior. Além disso, o celular só poderá ser utilizado para fins pedagógicos com orientação dos professores. Segundo o Ministério da Educação, a lei também assegura o uso desses dispositivos para fins de acessibilidade, inclusão, condições de saúde ou garantia de direitos fundamentais.

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Até o início do ano letivo, um decreto do presidente já estará disponível, com a regulamentação da nova legislação. A medida irá impactar diretamente os profissionais da educação e os estudantes, já que passarão a viver um novo momento no aprendizado escolar.

A Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul afirma que está em construção um decreto para orientar todas as escolas sobre o uso de celular, e reitera a importância da legislação aprovada para garantir respaldo jurídico, mas considera que o contexto escolar não pode depender exclusivamente de uma lei, “pois as mudanças de comportamento são conquistadas por meio do ambiente cultural, do trabalho coletivo e da prática das pessoas”.

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Em nota, a Seduc diz que “reconhece a seriedade e a urgência de discutir o uso adequado de celulares nas escolas estaduais, levando em conta questões que afetam diretamente os estudantes, como distração em sala de aula, ansiedade pelo uso excessivo de redes sociais e o risco de cyberbullying”. No Rio Grande do Sul, atualmente, há escolas que já proíbem o uso, em consenso com suas equipes diretivas e a comunidade escolar, como é o caso de Morro Reuter.

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Em Novo Hamburgo, a Prefeitura diz que, na rede municipal de ensino, é orientado o uso pedagógico dos recursos tecnológicos de patrimônio da escola, incluindo os aparelhos celulares, seguindo a proposta pedagógica municipal. Segundo a secretária de Educação, Simone Schneider, “considerando a nova Lei 15.100/2025, sancionada pelo presidente, serão realizados ajustes em conformidade com as equipes diretivas”.

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A Secretaria de Educação de Canoas informa que a proibição do uso de aparelhos celulares em sala de aula ainda não foi debatida pela pasta, por questões de reorganização da secretaria, mas que a discussão em torno da pauta pretende incluir a opinião dos professores da rede de educação. “No fim do ano passado, uma lei que trata sobre o mesmo assunto chegou a ser aprovada pela Câmara de Vereadores. Com a sanção, a execução das normas será inserida no planejamento da pasta, a fim de atender a todas as normativas conforme o previsto e solicitado em lei”, afirma, via a assessoria de imprensa.

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São Leopoldo diz que está aguardando a publicação do decreto que regulamentará a nova lei. Com as escolas fechadas por conta do período de férias, a Secretaria Municipal de Educação pretende se reunir com as equipes diretivas, que devem retornar no dia 3 de fevereiro. “A Smed irá dialogar diretamente com as direções para definir as medidas a serem adotadas, levando em conta as particularidades de cada escola”, garante a Prefeitura em nota.

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Estância Velha também estava aguardando a sanção da lei para começar a construir a normativa que será cumprida pelas escolas do município. “A pasta vai discutir pedagogicamente o que a nova lei vai trazer de fato e o que dentro dela será importante para levar para professores e alunos”, afirma a secretária de Educação, Cristiane Spohr.

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Em Campo Bom, a restrição do uso do celular, sem fins pedagógicos, já é uma prática que a Secretaria de Educação está construindo com a comunidade escolar, prevista, inclusive, no Regimento Padrão do Município. “A partir do início do próximo ano letivo, estaremos aprimorando estratégias para que, através do diálogo e do equilíbrio, possamos garantir o direito à escola como um espaço de descoberta, aprendizado e vida”, afirma a pasta.

Impacto no aprendizado e diálogo com alunos

Que a nova lei irá impactar diretamente a vida dos estudantes e educadores não há dúvidas. A grande questão é como dialogar com as crianças e adolescentes e conseguir criar um ambiente de aprendizado em meio aos desafios impostos pela legislação.

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Pós-doutora em Educação, pesquisadora da Unisinos e coordenadora do Grupo Internacional de Pesquisa Educação Digital com 20 anos de atuação, Eliane Schlemmer defende que se crie uma escuta ativa com o corpo docente, direção das escolas, pais, crianças e, principalmente, os adolescentes, para entender de que forma eles se apropriam dos smartphones.

“Que tipo de aplicativos eles estão acostumados a trabalhar? Para que finalidade? E a partir disso, construir uma proposta pedagógica. Para que as tecnologias que estão na mão das crianças e que fazem parte da vida delas, além dos muros da escola, possam também contribuir na sua formação no contexto da educação formal”, analisa Eliane.

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A pesquisadora observa ainda a importância de formar os professores para esse novo momento no aprendizado dos estudantes. “Os professores precisam definir propostas pedagógicas. Só que para isso será preciso formá-los, pois sem formação, dificilmente a gente consegue se apropriar dessa tecnologia com todo o potencial que ela tem para os processos de ensino e aprendizagem”, ressalta Eliane.

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Diretor do Instituto Estadual de Educação Sapiranga, Robson Carlos Graef Cipolato também defende o diálogo entre a escola e a comunidade para alinhar as ações que serão desenvolvidas. Ele considera ainda que será um desafio executar a nova lei, por conta da cultura do uso de celular em sala de aula pelos estudantes.

“O desafio será enorme. Penso eu, que o professor terá uma função muito importante, ao mesmo tempo árdua, no cumprimento da lei em sala de aula. Em relação ao andamento das aulas, não tenho a menor dúvida de que o aprendizado será mais eficaz, pois o nível de concentração e participação inclina-se a ser mais produtivo”, enfatiza Cipolato.

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