Passado um ano desde a maior tragédia climática do Estado, o governo federal ainda não conseguiu agilizar a compra de casas às pessoas atingidas. Uma das dificuldades tem sido no cadastro das famílias atingidas, e nesta quarta-feira (30), o ministro das Cidades, Jader Filho (MDB) anunciou a prorrogação por mais 60 dias do prazo para o credenciamento das famílias no programa Compra Assistida. A ampliação de prazo foi divulgada durante a passagem do ministro pelo Rio Grande do Sul.
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Foto: Gabriel Oliveira / Ministério das Cidades
Ex-ministro da Reconstrução, o deputado federal Paulo Pimenta (PT), se mostrou contrariado com os apontamentos de inanição do governo federal. “Fico perplexo quando dizem que o governo não entregou nenhuma casa. Faço o convite para quem quiser visitar”, afirmou Pimenta falando sobre famílias que já estão alocadas em residências definitivas.
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Segundo o levantamento do Ministério das Cidades, 700 famílias já foram atendidas pelo programa de Compra Assistida. “A nossa intenção era fazer compra assistida para todas as famílias”, afirmou Jader Filho, que justificou a demora em razão das dificuldades de cadastro dos beneficiados na nova modalidade habitacional. “Tudo aquilo que foi possível fazer em termos de tecnologia nós inovamos aqui no Rio Grande do Sul. Ninguém pode ser covarde de não reconhecer as dificuldades das prefeituras e governo do Estado”, apontou Jader Filho.
De acordo com o ministro, agora que está consolidado, o processo de compra assistida deve ser mais ágil. O ministro projeta que as famílias aprovadas no programa tenham as chaves suas novas casas, no valor de até R$ 200 mil, em até um mês a partir de agora.
Disputa política
Enquanto Jader Filho adota um discurso de entendimento e conciliação, outros integrantes do governo apontam a posição de prefeitos e do próprio governador Eduardo Leite (PSDB) como um dos motivos que causam a letargia na resolução dos problemas. De acordo com a avaliação de membros especialmente do Partido dos Trabalhadores (PT) do Rio Grande do Sul, gestores ligados a partidos de oposição causaram dificuldades ao longo de 2024 em meio à disputa eleitoral.
Outra reclamação dos petistas é quanto a propaganda que vem sendo feita pelos políticos de oposição. Na avaliação deles, prefeitos e o próprio governador não tem assumido sozinhos os créditos das medidas e escondido o financiamento do governo federal na reconstrução do Estado.
Na semana passada o governo gaúcho apresentou um balanço das ações realizadas no último ano na reconstrução do Rio Grande do Sul após a tragédia. Durante a coletiva o governador Eduardo Leite criticou nominalmente a bancada do PT na Assembleia Legislativa (AL/RS), classificando uma nota emitida pelos deputados estaduais como “mentirosa”.
Sobre as moradias quem falou foi o vice-governador Gabriel Souza (MDB), que, em tom intermediário entre a crítica e a conciliação, assumiu para o Executivo estadual o protagonismo na realocação das famílias desabrigadas pela enchente. “A gente reconhece o esforço do governo federal em viabilizar essas residências, mas não está nem perto de viabilizar o número necessário”, apontou Souza na oportunidade ao falar sobre os projetos estaduais de habitação.
200 casas por mês
Além do modelo de compra assistida, o governo federal também tem autorizado projetos de construção de novos imóveis através do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Contudo, os próprios membros do ministério reconhecem a lentidão na entrega através deste modelo.
Em razão disso, a aposta será em um novo modelo de construção. Canoas é a cidade que deve receber as casas pré-fabricadas em um loteamento localizado ao lado da Petrobras. Com isso, o tempo de construção, atualmente entre 16 a 20 meses, pode cair para até 10 meses. A projeção é que com o avanço do projeto sejam entregues 200 casas por mês.