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CIÊNCIA

Conheça o lagarto piá: A nova espécie de 240 milhões de anos descoberta no interior do RS

Crânio que mede menos de 1 centímetro foi encontrado em pedra, em cidade com 3,5 mil habitantes

Publicado em: 29/01/2026 às 16h:36 Última atualização: 29/01/2026 às 16h:37
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Quem diria que uma pedra, no interior do Rio Grande do Sul, revelaria uma espécie inédita de um  pararéptil, vertebrado pré-histórico que é mais antigo que os dinossauros. Foi na pequena cidade de Novos Cabrais que um paleontólogo e um médico encontraram o crânio fóssil, com menos de 1 centímetro, do agora chamado de “lagarto piá” (Sauropia macrorhinus).

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Representação artística do lagarto piá ou Sauropia macrorhinus gen. et sp. nov.  | abc+



Representação artística do lagarto piá ou Sauropia macrorhinus gen. et sp. nov.

Foto: Caetano Soares/Scientifc Reports/Reprodução

A descoberta feita pelos paleontólogos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) foi publicada na quarta-feira (28) desta semana, na revista científica Scientific Reports da Nature.

Os pararépteis são vertebrados que viveram na Terra há milhões de anos atrás, antes e durante parte da Era Mesozóica (252-66 milhões de anos atrás), quando os dinossauros surgiram na Terra.

Segundo os paleontólogos, o Sauropia macrorhinus perambulou pela Terra há cerca de 240 milhões de anos. Mesmo sendo menor do que uma unha, o crânio fóssil do pararéptil pode revelar novos detalhes sobre os ecossistemas da Terra que existiam nessa época.

Com um crânio fóssil medindo apenas 9,5 milímetros, ele é o menor tetrápode já registrado em depósitos do período Triássico (entre 251 e 201 milhões de anos atrás) da América do Sul. Além disso, ele representa um dos poucos fósseis de procolofonóides com 240 milhões de anos no subcontinente.

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Lagarto piá?

“Lagarto piá” não é apenas um apelido. O nome Sauropia combina o termo grego saurus, que significa lagarto, e a gíria regional piá, que quer dizer “criança” ou alguém muito jovem no Sul do Brasil, especialmente no RS. Já o macrorhinus, que é o nome da espécie, é uma referência às narinas, que são grandes.

Representação artística dos detalhes do lagarto piá ou Sauropia macrorhinus gen. et sp. nov.  | abc+



Representação artística dos detalhes do lagarto piá ou Sauropia macrorhinus gen. et sp. nov.

Foto: Caetano Soares/Scientifc Reports/Reprodução

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Como o próprio nome diz, o vertebrado encontrado parecia um pequeno lagarto medindo apenas 5 centímetros de comprimento total com base no tamanho do crânio.

Ele tinha olhos grandes, narinas amplas e andava sobre as quatro patas. Os dentes também não eram pequenos e tinham o formato de pino, provavelmente para que ele pudesse se alimentar de pequenos invertebrados.

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Os paleontólogos estimam que o fóssil seja de um pararéptil que ainda não havia atingido o tamanho máximo, por isso o nome de “piá”. Segundo o estudo, ele deve ter feito parte da dieta de outros predadores um pouco maiores. Uma das teorias é que ele tenha sido comido pelo Parvosuchus aurelioi, um pequeno antecessor dos crocodilos que tinha menos de 1 metros de comprimento.

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Pararéptil gaúcho

O crânio do lagarto piá foi encontrado pelo paleontólogo Lúcio Roberto da Silva, durante uma saída de campo com o médico Pedro Lucas Porcela Aurélio, em Novos Cabrais.

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A pequena cidade fica no Vale do Rio Pardo, há cerca de 1h15 de distância de Santa Maria, e tem pouco mais de 3.500 habitantes. Lá, fica o sítio fóssil Cortado, onde foi encontrada a pedra que guardava o crânio do lagarto piá. E é a primeira vez que um animal tão pequeno foi encontrado no lugar, na região central do RS. 

Pararépteis: espécies de “lagartos” extintos e mais velhos que os dinossauros

Entre 251 e 201 milhões de anos atrás, no chamado período Triássico, diversos grupos de vertebrados surgiram, incluindo os primeiros dinossauros e uma série de répteis que atualmente estão extintos.

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Dentre eles, estavam os pararépteis. Esses seres sobreviveram à extinção em massa que aconteceu no final do período Permiano (299 a 251 milhões de anos atrás), mas não à seguinte, do Triássico. 

Eles eram divididos entre grupos e um deles é o Procolophonoidea, o mais raro de ser encontrado nos registros fósseis do Triássico Médio da América do Sul, como o lagarto piá. Isso dá a entender que ele tenha estado na Terra por volta de 240 milhões de anos atrás.

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Esse grupo era composto por animais pequenos, medindo menos de 30 centímetros de comprimento, e desapareceram pouco depois do surgimento dos dinossauros. As espécies desse grupo mantinham dietas distantes: enquanto alguns comiam insetos, outros se alimentavam de vegetações mais duras e fibrosas.

Atualmente, o lagarto piá está no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia da UFSM (CappaA/UFSM), em São João do Polêsine, no RS. O local tem uma coleção de fósseis do período Triássico brasileiro e uma exposição aberta para visitação gratuita.

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