Veranear no litoral norte do Rio Grande do Sul é sinônimo de gastronomia farta. Saborear violinha, caipirinha, cerveja, milho-verde e frutos-do-mar — servidos em porções generosas ou em pastéis — já faz parte da programação de quem passa o dia a beira-mar. Na atual temporada de verão, porém, os preços desses tradicionais produtos variam bastante, o que tem gerado opiniões divididas entre os veranistas.
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Foto: Joceline Silveira/GES-Especial
Enquanto alguns comerciantes conseguiram manter os valores da temporada passada, outros precisaram repassar parte do aumento dos custos aos consumidores. Ainda assim, muitos frequentadores afirmam que é possível aproveitar a praia, seja consumindo na beira-mar ou adotando estratégias para equilibrar os gastos.
O levantamento informal realizado pela reportagem nesta segunda-feira (19) revela disparidades acentuadas nos preços à beira-mar.
O picolé consolidou-se como o item de maior oscilação, variando entre R$ 5 para sabores de frutas e R$ 25 para opções elaboradas com chocolates finos. A caipirinha também apresenta disparidade nos preços, enquanto é comercializada a R$ 18 em Tramandaí, o valor salta para R$ 40 em determinados pontos de Imbé.

Foto: Joceline Silveira/GES-Especial
Nas cervejas, a preferência pela long neck exige um desembolso entre R$ 12 e R$ 15, enquanto o latão (473 ml) apresenta uma variação menor, ficando entre R$ 12 e R$ 13. Para quem busca hidratação natural, a água de coco custa de R$ 15 a R$ 20. (Confira a tabela abaixo)
“Dá pra aproveitar do mesmo jeito”
Nas areias, a percepção dos preços divide opiniões. Na praia de Tramandaí, o aposentado Petrônio José Godoy Moreira, de 54 anos, morador de Lajeado, curtia o dia ao lado da família com violinhas compradas à beira-mar.
Para ele, o aumento de preços é compreensível. Para equilibrar os gastos, ele conta que parte dos produtos consumidos na beira-mar é comprado com antecedência no mercado, mas não deixam de apoiar o comércio local.

Foto: Joceline Silveira/GES-Especial
“Do jeito que anda tudo caro, a gente compra um pouquinho no mercado e também ajuda o pessoal da beira da praia. Compra alguma coisinha deles pra deixar todo mundo bem”, afirmou. Questionado se ainda dá para aproveitar, foi direto: “Dá, aproveita do mesmo jeito”.
Já o aposentado Júlio Dutra, de Palmeira das Missões, foi flagrado na areia de Tramandaí na tarde desta segunda-feira (19) com coolers abastecidos e até uma churrasqueira na faixa de areia. “Isso aqui é vício! O vício a gente traz para a beira da praia”, brinca Júlio. Ele explica que, embora ache o valor da comida aceitável, o preço das bebidas compensa a compra antecipada em atacados.

Foto: Joceline Silveira/GES-Especial
A maior preocupação da família, no entanto, é com os pequenos. Júlia Gloger, 27, filha do aposentado e Fabrício Freire, 34, notaram que itens como milho e queijo coalho ainda têm preços acessíveis, mas o picolé tornou-se o vilão do orçamento.
“Tá meio carinho. Mas em relação ao queijinho, milho, assim dá para liberar. Mas o picolé tá o preço ainda tá meio salgado.”
Comerciantes tentam segurar repasses
A estratégia para manter o movimento varia de balcão para balcão. Em Tramandaí, Jorge Alves, proprietário do quiosque Bola Mar, afirma que conseguiu manter quase toda a tabela do ano anterior negociando com os fornecedores. No balanço, apenas um produto precisou de reajuste.
“A única coisa que tivemos que aumentar foi o pastel de camarão, que passou de R$ 25 para R$ 28, devido ao aumento do custo”, explicou.
Já em Imbé, Rozelei da Rosa César, do Quiosque da Rose, mantém os mesmos valores há três anos, preferindo absorver o aumento dos produtos para não perder a clientela. “Senti o aumento, mas optei por não repassar”, afirmou a Dona Rose, como é conhecida na orla de Imbé.
No mesmo município, Enzo Lazzaretti Silveira, do Quiosque do Elias, relata que foi necessário um reajuste de aproximadamente 10% em itens básicos, como água de coco e refrigerantes, embora o restante do cardápio siga inalterado. “O pessoal estranha, né? [o aumento], mas o resto dos quiosques também aumentaram, então foi tudo normal.”
Variação de preços na beira da praia (menor e maior valor)
- Picolé: R$ 5 a R$ 25
- Caipirinha (cachaça): R$ 18 a R$ 40
- Milho Verde: R$ 8 a R$ 10
- Violinha (porção para duas pessoas): R$ 75 a R$ 89
- Batata frita (porção para duas pessoas): R$ 30 a R$ 35
- Refrigerante (lata): R$ 7 a R$ 20
- Água de Coco: R$ 15 a R$ 20
- Cerveja (long neck): R$ 12 a R$ 15
- Cerveja (473 ml): R$ 12 a R$ 13
- Camarão à milanesa (porção para duas pessoas): R$ 135 a R$ 160
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