O corpo do escritor Luis Fernando Verissimo, morto neste sábado (30) após complicações de uma pneumonia, foi sepultado no fim da tarde em Porto Alegre. O caixão, coberto com uma bandeira do Internacional, foi enterrado em um mausoléu no quarto andar do cemitério São Miguel e Almas.
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Foto: Unesp/Reprodução
Depois de ser velado por cerca de cinco horas no Salão Nobre Júlio de Castilhos, da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, o corpo de Verissimo foi levado em um cortejo pelos oito quilômetros que separam o prédio do Parlamento gaúcho do cemitério.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou luto oficial de três dias em todo o País e o governador Eduardo Leite tomou a mesma medida no Estado em razão do falecimento do escritor.
O corpo do cronista chegou à Assembleia no fim da manhã para cerimônia aberta de despedida, que contou com a presença de familiares, amigos, fãs e autoridades gaúchas. Artistas, famosos e políticos do Brasil todo também manifestaram-se nas redes sociais para lamentar a morte do autor.
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Inicialmente, a família decidiu não divulgar o horário e o local do enterro. Já no fim do velório, informou que seria no cemitério São Miguel e Almas e um cortejo seguiu até o local.
Em uma cerimônia mais íntima, o filho Pedro foi o primeiro a jogar um punhado de pétalas de rosas brancas sobre o caixão do pai, no que foi acompanhado por outros familiares do escritor.
Verissimo foi enterrado em um mausoléu de família, onde também foram sepultadas a mãe, Mafalda, e a avó Lucinda.
Padilha anuncia homenagem do governo federal a Verissimo
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que cumpre agenda no Rio Grande do Sul, representou o governo federal na despedida do escritor na Assembleia.
Pela manhã, Padilha anunciou investimentos federais no Centro de Pesquisa, Formação e Ensino do Grupo Hospitalar Conceição, que receberá o nome de Luis Fernando Verissimo, em homenagem ao escritor gaúcho.
“Pessoa que sempre se posicionou a favor da democracia, da soberania brasileira, por um País mais justo. Foi sempre um grande companheiro para nós do governo do presidente Lula, não à toa o presidente fez questão de manifestar isso para a família”, afirmou Padilha.
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Em postagem nas redes sociais, Lula citou o autor como “um dos maiores nomes de nossa literatura e nosso jornalismo”, e afirmou que Verissimo, “como poucos, soube usar a ironia para denunciar a ditadura e o autoritarismo; e defender a democracia”.
O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, também esteve presente no velório, mas fez uma rápida passagem na Assembleia e saiu sem dar declarações para a imprensa.
Já o ex-governador e ex-ministro das Cidades Tarso Genro afirmou que “Luis Fernando foi um dos grandes intelectuais do nosso tempo no Brasil”. Segundo o político, Verissimo “era um escritor dotado de um fino senso de ironia, de um conhecimento enorme da literatura universal e uma paixão enorme pelo País, pelo seu povo, por aquilo que ocorria no cotidiano do povo brasileiro”.
Outro ex-governador e ex-ministro que compareceu ao velório foi Olívio Dutra, que comandou o Rio Grande do Sul entre 1999 e 2003. “Um escritor com enorme sensibilidade sobre o cotidiano da vida das pessoas. Ele teve uma relação muito próxima com o povo gaúcho, com a ideia de que o ser humano é um universo em si, e ele foi debulhando esse universo em suas crônicas”, disse o ex-governador.
Verissimo tinha 88 anos e estava internado no Hospital Moinhos de Vento desde o dia 17 de agosto. O escritor enfrentava complicações decorrentes de acidente vascular cerebral (AVC) e da progressão da Doença de Parkinson. Segundo o boletim médico, o escritor morreu em decorrência de uma pneumonia.
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Verissimo seguiu a carreira do pai, o romancista Érico, e também traçou uma carreira literária, mas com cores bastante diferentes das do pai, bem distantes do romance histórico e realismo fantástico. Dono de um texto afiado e carregado de ironias, Luis Fernando ficou conhecido nacionalmente por narrar o cotidiano da classe média brasileira com muito humor.
Romancista, cartunista e roteirista, Verissimo integrou a redação do Pasquim, jornal que ficou célebre por atuar contra a ditadura militar. Mas foi na crônica que o gaúcho de Porto Alegre teve seus maiores destaques, escrevendo para grandes jornais do Brasil, como o Estadão, onde iniciou o trabalho como cronista em 1988.