São cada vez maiores as chances de o planeta enfrentar um Super El Niño nos próximos meses. Segundo a MetSul Meteorologia, isso é o que apontam as projeções mais recentes dos principais modelos climáticos globais — que também destacam um cenário raramente observado.
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Foto: Paulo Pires/GES
Um gráfico elaborado pela MetSul mostra a projeção mensal para o Oceano Pacífico, publicada nesta semana pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF). O cenário evidencia um fortalecimento ainda maior do aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, que podem atingir níveis históricos até o fim de 2026, elevando o alerta de um Super El Niño.
As projeções indicam que a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, usada como referência para monitorar o fenômeno, poderá ficar até 3°C acima da média histórica.

Foto: Reprodução/MetSul Meteorologia
Caso os cenários se confirmem, o evento poderá alcançar intensidade semelhante ou até superior aos registros históricos de 1877 e 2015, ultrapassando com folga o limite considerado característico de um Super El Niño.
“Meteorologistas observam, entretanto, que esta previsão utiliza a climatologia do período 1981-2010, o que tende a inflar parcialmente o sinal de aquecimento do El Niño quando comparado ao novo índice relativo adotado atualmente pela NOAA que leva em conta o acentuado aquecimento do planeta nos últimos anos”, salienta a MetSul.
Ainda assim, os especialistas ressaltam que o cenário continua indicando um evento climático global de “enorme intensidade”. Em praticamente todos os cenários analisados pelo ensemble do ECMWF, o aquecimento previsto para o segundo semestre varia entre +2°C e +4°C.
Considerados referências históricas de Super El Niño, os episódios de 1997-1998 e 2015-2016 registraram cerca de +2,8°C e +2,7°C, respectivamente, na região Niño 3.4 — níveis que já são superados em alguns cenários das projeções atuais do modelo europeu.
“Trata-se de um patamar extremamente elevado que colocaria o evento entre os mais fortes já observados desde o início das medições modernas do El Niño no século XIX. O crescimento das projeções vem reforçando a percepção de que o mundo pode caminhar para um Super El Niño histórico”, afirma a MetSul.
Além do modelo europeu, simulações da CFS, da NOAA, dos Estados Unidos, também apontam para um evento extremo. Em parte dos cenários analisados, o aquecimento do Pacífico ultrapassa os 3°C durante a primavera do Hemisfério Sul.
Consequências globais
Este já é o terceiro mês seguido em que diversos modelos climáticos internacionais apontam para um El Niño potencialmente recorde. Meteorologistas alertam que um evento dessa magnitude pode elevar ainda mais a temperatura média global e provocar mudanças nos padrões climáticos em diferentes regiões do planeta, com impactos em períodos de seca, enchentes, ondas de calor, umidade e até no gelo marinho.
Diante desse cenário, as consequências podem ser amplas para a agricultura, para a saúde pública e para a economia global. Historicamente, episódios extremos do fenômeno estão associados a perdas agrícolas, problemas no abastecimento de água, aumento no preço dos alimentos e maior frequência de eventos climáticos extremos em diferentes continentes.
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A consistência das projeções também chama atenção. “Em anos em que o modelo europeu apresentou erros importantes, os desvios já apareciam ainda no primeiro semestre. Desta vez, entretanto, o comportamento observado do Pacífico vem acompanhando relativamente bem o que vinha sendo projetado pelos modelos desde o começo do ano”, diz a MetSul.
Impacto nas temperaturas
Outro fator que aumenta a preocupação dos especialistas é o possível impacto nas temperaturas globais. Episódios intensos de El Niño costumam contribuir para recordes de calor no planeta ao transferirem grandes quantidades de energia térmica do oceano para a atmosfera.
O cenário atual é considerado ainda mais sensível porque os oceanos já registram temperaturas excepcionalmente altas antes mesmo do auge do fenômeno.
Segundo a MetSul, o cientista climático Zeke Hausfather avalia que há alta probabilidade de 2027 se tornar o ano mais quente já registrado no planeta caso o fenômeno se fortaleça nos níveis atualmente projetados.
As estimativas apontam que há, atualmente, cerca de 73% de chance de um novo recorde global de temperatura ocorrer.