O apego ao tradicionalismo gaúcho tem levado bons resultados para o Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Querência, localizado em Nova Hartz. Entre o final de abril e meados de maio, dois representantes mirins ganharam destaque nas competições com CTGs de todo o Estado. Rodrigo Henrique Polônia Fröhlich, de 13 anos, foi escolhido como Piá Farroupilha durante o 36º Entrevero Cultural realizado entre os dias 24 e 26 de abril em Santa Maria.

Foto: Eduardo Amaral/GES-Especial
Enquanto Sofia Luisa Schnorr Fleck, conquistou o título de 2ª prenda mirim durante a 54ª Ciranda Cultural, que aconteceu entre 15 e 17 de maio na cidade de Osório.
Influenciados por suas respectivas famílias, os dois já contam com uma longa trajetória dentro do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). Mas no caso de Rodrigo, apesar de frequentar o CTG Querência desde muito cedo, o envolvimento com as atividades tradicionalistas não foi algo que aconteceu de primeira.
“Antes de me informar mais sobre o CTG eu não gostava muito, mas depois, ali por sete anos descobri a arte da dança e foi o que me colocou no tradicionalismo de verdade”, conta Rodrigo. Tendo pais envolvidos desde cedo com o tradicionalismo, o CTG inicialmente era somente um espaço onde ele aproveitava para correr e se divertir, por vezes do lado de fora como um espaço para brincar com os amigos.
Transição geracional
Foi depois de participar de algumas palestras e ver o irmão também se sagrar campeão em competições tradicionalistas que o garoto começou a estudar e se dedicar com mais afinco às disputas. O envolvimento da família com o tradicionalismo não foi inspiração somente dentro de casa, já que a própria Sophia se sentiu estimulada pela irmã de Rodrigo a entrar na competição.

Foto: Eduardo Amaral/GES-Especial
“Quando a Ana Lívia, minha amiga, começou a concorrer, me deu um interesse muito grande porque eu queria ter uma faixa principalmente quando ela foi (escolhida) prenda de Estado, e eu queria ser prenda do Estado também”, lembra. Mas diferente do colega e irmão da amiga, Sophia teve sempre a vivência no Querência como algo muito mais importante do que simplesmente um local para diversão.
“Minha mãe e meu pai dançavam no CTG. Minha mãe já foi prenda de crachá e meu pai foi peão de crachá também. Então, desde pequenininha eu já sempre estou aqui vivendo”, conta ela, que classifica sua vivência como sendo antes mesmo de nascer.
Coordenador da 30ª Região Tradicionalista (RT), Carlos Moser destaca a importância das vitórias dos jovens na renovação do tradicionalismo. “É um orgulho dessa gurizada que vem vindo, vem pedindo cancha, vem abrindo porteiras dentro do movimento tradicionalista. Nossas 31 entidades tradicionalistas estão em festa.”
Dedicação e aprendizado
A conquista destes resultados vem graças a um trabalho e determinação dos dois, já que são diversas e complexas provas para que se chegue a essas posições. Os estudos vão desde atividades práticas, como lidas campeiras, além de estudos teóricos sobre a história e geografia gaúcha. “Teve muitas coisas que aprendi aqui e provavelmente não iria saber na escola. Comecei sendo prenda mirim. Essa parte prática das pesquisas também, foi tudo por conta da faixa que eu comecei a conviver com isso”, destaca Sophia, que fala sobre o conhecimento como prenda como uma das suas partes favoritas dentro do tradicionalismo.
Inicialmente atraído pela dança, Rodrigo conta que ao longo da preparação para o Entrevero se viu obrigado a pesquisar sobre a lida campeira, uma área que não conhecia tão bem, mas acabou se tornando sua favorita. “Sou um cara mais artístico, só que na prova campeira senti dificuldade porque nunca convivi com aquilo, tive que aprender por causa do Entrevero mesmo. Toda a noite, era 1 hora da manhã estava treinando, trançando, e hoje as provas campeiras, principalmente pra mim a encilha, depois que eu aprendi tudo, é o que eu mais gosto de fazer.”
No caso da encilha, que na categoria de Rodrigo é feita sem animais, o desafio foi um dos maiores, já que o menino não tem o costume de cavalgar. “Nunca convivi assim, tipo, andei a cavalo uma vez. Então eu não sabia muito, eu tive que pesquisar bastante coisa.”
Amizades e mudança de vida
Rodrigo conta que antes de se inserir no mundo do tradicionalismo era um menino mais tímido e que pouco saía de casa, sendo mais afeito a jogos virtuais. “Depois que comecei a dançar comecei a me sentir melhor, a ter vontade de fazer exercícios físicos, comecei a andar de bicicleta direto, eu tinha mais vontade de fazer as coisas assim do dia a dia. Isso eu acho muito bom e também eu fiquei muito amigo das pessoas, tanto que eu fiz uma amizade há muito tempo que esse ano está na minha gestão, que é o Heitor, ele é uma pessoa muito importante pra mim”, lembra.
Sophia também destaca as amizades criadas no interior dos encontros do CTG e eventos do MTG como o ponto alto da vivência. “Fiz amizades principalmente agora indo para a região como prenda mirim da região, com pessoas de Estância Velha, Novo Hamburgo. Faço muitas amizades que são verdadeiras. Acho que essa parte é muito importante para mim.”