Marcada por polêmicas e rachas internos, a reunião do diretório estadual do PP, realizada em Porto Alegre na tarde de terça-feira (20), definiu o deputado federal Covatti Filho como pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul — caso o Progressistas decida lançar candidatura própria na próxima eleição. Presidente do partido no Estado, Covatti obteve 109 votos favoráveis, contra oito do seu adversário, Ernani Polo.

Foto: Filipe Lederhos
O encontro ocorreu após um manifesto assinado por 21 membros do diretório, que pediam a alteração da pauta. Na carta, entregue na sede do partido na manhã de segunda-feira (19), o grupo exigia que a reunião tratasse apenas da pré-candidatura, sem incluir discussões sobre alianças políticas. A mudança, porém, não se confirmou e a pauta original foi mantida.
Mesmo diante de ameaças de boicote e da possibilidade de ausência de lideranças, Covatti manteve a convocação.
“Essa reunião já havia sido marcada em dezembro, mas, a pedido de algumas lideranças, nós adiamos para janeiro. Não podemos mais postergar esse debate, até porque é a vontade da maioria da nossa base que a gente defina nosso caminho. O Progressistas é o único grande partido que ainda não tirou uma orientação e temos que fazer ouvindo a maioria. Vamos respeitar as divergências internas, mas manter a unidade por meio da participação e da escolha da maioria”, afirmou.
Para Covatti, o cenário nacional aponta para a formação de uma candidatura de centro-direita e o Rio Grande do Sul também deveria se organizar nessa direção. “Aqui no Estado, precisamos construir essa alternativa. E o Progressistas, junto com o União Brasil, tem condições de liderar esse projeto”, declarou.
O ponto central das divergências envolvia justamente a discussão sobre alianças políticas e a permanência ou não do PP na base do governo estadual — temas que motivaram o manifesto de parte do diretório. Entre os nomes críticos estava Ernani Polo, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, que deixou a pasta para se colocar como pré-candidato.
Durante a reunião, porém, o assunto foi levado à votação. A maioria se manifestou favorável a uma aliança com o PL, partido do pré-candidato Luciano Zucco. Também houve definição sobre o posicionamento em relação ao governo: 91 lideranças votaram pela saída da base, contra 25 que defenderam a permanência.
O que está por trás das disputas entre Polo e Covatti?
A disputa entre Covatti Filho e Ernani Polo, nos bastidores, representa duas estratégias diferentes para o partido. Polo defende que o PP construa o caminho eleitoral ao lado do atual vice-governador Gabriel Souza (MDB). Já Covatti quer aproximar a sigla do palanque de Luciano Zucco (PL). Com peso no tabuleiro político, o Progressistas passou a ser alvo de interesse tanto do grupo ligado a Gabriel quanto do setor que aposta na candidatura de Zucco.
Nos movimentos preliminares, o grupo que apoiava Polo chegou a articular uma candidatura própria do ex-secretário, sem a composição com Gabriel, como forma de ampliar o espaço interno e consolidar o nome do deputado dentro da legenda.