Mesmo com os desafios resultantes da maior catástrofe climática do Estado, no ano de 2024, a área formada por 43 municípios dos Vales do Sinos, Caí, Paranhana, Serra e Litoral Norte gerou mais que o dobro de empregos com carteira assinada em comparação ao ano anterior. Conforme os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), o crescimento foi de 108% no saldo na geração de empregos (diferença entre contratações e demissões), totalizando 6.782 novas colocações formais, contra 3.258 em 2023.

Foto: Susi Mello/GES-Especial
O resultado positivo reflete um crescimento geral de 36,4% no Estado, com a abertura de mais de 63,5 mil postos de trabalho. No Brasil foram gerados 1.693.673 postos de trabalho contra 1.454.124 de 2023. Os dados representam um crescimento de 16,5%, conforme o Ministério do Trabalho.
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Novo Hamburgo se destacou como o município que mais contribuiu para essa recuperação, com a criação de 1.484 empregos formais em 2024, seguido por Canoas (1.449) e São Leopoldo (1.145). Esses números indicam não apenas a resiliência do mercado de trabalho regional, mas também a capacidade de recuperação.
José Gilberto Dieter, 53 anos, e Claudiomiro dos Reis, 53, por exemplo, se adaptaram em tempos de mudança e trabalham no comércio local. Dieter encontrou recolocação em supermercado Rissul e Reis passou a atuar em atacado.
*Colaboraram: Nicole Goulart e Priscila Carvalho.
Valorização do capital humano
Coordenadora da agência FGTAS/Sine Novo Hamburgo, Ingrid Pauly desempenha seu papel na promoção da empregabilidade na região. A agência tem sido o elo entre a expansão de novos supermercados e atacados em 2024 e a geração de empregos, como operadores de caixa, auxiliares de padaria e de estoque. Rosangela Mariano, gerente de Recursos Humanos do grupo UnidaSul, complementa esse cenário com suas ações voltadas para a contratação e a valorização do capital humano. Com cerca de 200 oportunidades efetivas nas cinco filiais de Novo Hamburgo, ela enfatiza a diversidade de funções disponíveis, desde atendentes comerciais até cargos de liderança.
Secretária de Gestão, Governança e Desburocratização em Novo Hamburgo, Andrea Schneider Pascoal afirma que buscar soluções que visam ao fortalecimento da economia é um dos pilares da administração. “Para 2025, queremos ampliar esse resultado, mostrando ao setor produtivo que na Prefeitura há uma administração consciente de suas obrigações.”
2025 deve ser positivo, mas com índices menores
A secretária de Desenvolvimento Econômico, Turístico e Tecnológico (Sedettec) de São Leopoldo, Regina Caetano, destacou que a expectativa é que a geração de emprego ao longo de 2025, também seja positiva. “Porém os índices de crescimento serão menores que os de 2024, haja vista que não haverá a injeção vultuosa de valores na economia local”, pondera.
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“Haverá dois grandes impactos na geração de emprego. Primeiro a elevação dos juros internos do Brasil, que causa a desaceleração da atividade econômica, gerando assim uma menor taxa de crescimento de emprego. Segundo, será a diminuição do efeito dos recursos injetados na economia da região”, estima ela, que também é vice-prefeita da cidade.
Serviços e construção colaboraram com o saldo
Vice-presidente de Serviços da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Canoas (CICS), Gerson Costa avalia o desempenho de Canoas. “Eu vejo com preocupação. O aumento do dólar e da taxa de juros desaqueceu a economia. Se não melhorar, o Brasil caminha para a recessão”, afirma. De acordo com o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Canoas, Éverton Netto, o consumidor foi mais cauteloso.
Os números do Caged mostram uma queda nos empregos por carteira assinada em Canoas. Em 2023, o saldo ficou em 3.418, enquanto que em 2024, 1.449. Nos dois anos, os setores de serviços e construção colaboraram para os números positivos.
Dezembro foi de queda
No País, o saldo em dezembro de 2024 apresentou uma redução de 535.547 de empregos, variação relativa de -1,12%. O Estado acompanhou a realidade brasileira. No último mês do ano houve redução de 28.384 empregos, dos quais 6.098 na região de 43 municípios dos Vales do Sinos, Caí, Paranhana, Serra e Litoral Norte.
O que dizem especialistas sobre resultado
Segundo André Momberger, vice-presidente de Economia da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha e Dois Irmãos, praticamente todas as regiões do Brasil apresentaram crescimento. “Mesmo com a enchente no Estado, os gaúchos vivenciaram o ‘efeito chicote’, ou seja, assim como cai, volta com a mesma intensidade. Tivemos que trabalhar mais, ir mais para cima, mas compensou”, destaca.
Professor na Universidade Feevale e economista, José Antônio Ribeiro de Moura destaca o desempenho positivo da agropecuária, das exportações e do setor de serviços em 2024, mesmo diante das dificuldades impostas pelas enchentes. Segundo ele, esses segmentos foram fundamentais para o aumento a mão de obra.
Fomento ao desenvolvimento
Estância Velha, onde 703 empregos foram gerados em 2024, a prefeitura destaca o fomento ao desenvolvimento econômico, responsável em criar um ambiente propício para investimentos.
“Há um movimento econômico que atrai diversas empresas de vários ramos, que acabam empregando. A mais recente agora é uma indústria de bicicletas, que fornece para grandes varejistas do País”, exemplifica Gabriel Boll Berlitz, secretário de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Turismo.
Ele acrescenta que, desde 2021, o esforço total é na diversificação da economia e no ambiente propício para investimentos, para desenvolvimento econômico sustentável do município, viabilizando a entrega de mais serviços, infraestrutura, segurança, escola, saúde para a comunidade.