As projeções climáticas indicam forte tendência de formação de El Niño em 2026. Após o trauma do último evento no Rio Grande do Sul, o setor agrícola vê com expectativa a possibilidade de um verão com águas mais quentes no Pacífico, cenário que costuma favorecer o aumento das chuvas na lavoura.
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Foto: Reprodução
O verão climático de 2025/26, entre dezembro e fevereiro, foi marcado por tempo seco na região sul. Dados da rede de estações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontaram acumulados abaixo da média em grande parte dos municípios. Os déficits chegaram a 200 a 300 milímetros entre o sudoeste do Paraná e o norte gaúcho.
Próximos dias
Entre sexta-feira (6) e sábado (8), a chuva deve retornar ao Rio Grande do Sul, com volumes pontualmente elevados, aponta a MetSul Meteorologia. Em Santa Catarina também há previsão de acumulados mais expressivos, enquanto no Paraná a tendência é de chuva com volumes médios baixos. O episódio, porém, será curto e insuficiente para reverter a estiagem.
Cidades como Santo Cristo, Tupanciretã, São Luiz Gonzaga e Júlio de Castilhos decretaram situação de emergência diante das perdas, que já passam de 40% nas lavouras. Na Campanha, Bagé e Hulha Negra adotaram racionamento de água de 12 horas diárias. Mesmo com a volta da chuva, a recuperação não deve ser imediata.
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El Niño costeiro
O Oceano Pacífico passa por uma fase de neutralidade, mas o aquecimento recente, mais intenso no setor leste, já configura El Niño costeiro, com reflexos no aumento das chuvas sobre Equador e Peru. Para as próximas semanas, a previsão indica precipitações mal distribuídas no Estado, alternando pancadas rápidas com períodos secos e quentes.
Modelos apontam chuva abaixo da média nas semanas de 9 a 16 e de 16 a 23 de março. Entre 23 e 30, os volumes tendem a ficar dentro da média no sul e oeste. Na primeira semana de abril, a tendência é de precipitação dentro da normalidade em grande parte do território gaúcho, embora ainda com irregularidade na distribuição.
Nos próximos quinze dias, a metade norte pode registrar acumulados entre 100 e 150 milímetros. Ainda assim, a má distribuição e as altas taxas de evapotranspiração limitam a recuperação plena das áreas mais afetadas. A possível instalação do El Niño entre outono e inverno eleva a expectativa de aumento na frequência e no volume das chuvas, podendo encerrar a estiagem regionalizada e até provocar excesso de precipitação, dependendo da evolução do fenômeno.
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