O Banco de Alimentos do Vale do Sinos aos poucos vai retomando suas atividades após as perdas e incertezas trazidas pela enchente de maio do ano passado em São Leopoldo. O prédio onde antes funcionava o Banco, na Rua Dr. Hillebrand, 595, no bairro Rio dos Sinos, foi severamente atingido pelas águas. Além de todo o estoque que estava no local, cerca de 250 quilos de alimentos, foram perdidos todo o mobiliário, equipamentos eletrônicos e documentos.

Foto: Renata Strapazzon/GES-Especial
A partir de setembro de 2024, a entidade começou a funcionar de forma provisória em uma sala do Centro Medianeira, na Rua Uruguai, 851, no bairro Campina. O Centro Medianeira também teve perdas e prejuízos por conta da enchente, concluindo sua reforma geral em janeiro. Por isso, fevereiro marca a retomada a pleno das ações do Banco.
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“Estamos em uma sede provisória até que se consiga reformar o prédio do Centro Medianeira no Centro, e que vai ser cedido ao Banco de Alimentos”, explica o vice-presidente da entidade, Valmir Tarciso Pizzutti. Segundo ele, a obra de reforma do prédio que abrigará de forma definitiva o Banco de Alimentos, na Rua Florêncio Câmara, deve levar em torno de um ano e está orçada em cerca de R$600 mil.
“Temos um engenheiro e um arquiteto voluntários, que estão fazendo o projeto de reforma do espaço para que possamos levar para a diretoria do Banco para aprovação e depois sair atrás de captação de recursos”, diz. Segundo ele, a ideia é realizar uma campanha para pedir doações de valores em dinheiro ou materiais para a obra junto a empresários e pessoas físicas.
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A futura sede, no Centro, será um prédio com quatro andares. No térreo, funcionará o depósito e recebimento dos alimentos. No segundo andar, ficará o setor administrativo. Para o terceiro, estão previstas salas de reuniões e um miniauditório. Já para no quarto andar, deverão ser instaladas salas de formação com cozinhas, onde serão ministradas aulas para projetos comunitários. A iniciativa será inédita em bancos de alimentos da região.

Foto: Acervo Pessoal
“A expectativa é muito grande, nosso sonho é fazer um Banco de Alimentos no Centro, bonito, que vá além de distribuir alimentos, formar e capacitar as cozinhas das comunidades, com cursos e formação sobre culinária, alimentação saudável. Um projeto ousado, que pretendemos iniciar em 2026”, conta a diretora do Centro Medianeira, Renata Rodrigues, que realiza atualmente, de forma voluntária, a função de gestora executiva do banco.
Equipe
Segundo Pizzutti, após a enchente, o Banco de Alimentos perdeu muito das doações financeiras que recebia tanto de pessoas físicas como jurídicas. Por conta disso, a equipe de colaboradores do Banco precisou passar por uma reformulação. Foram desligados da entidade, o antigo coordenador, Jair Reginato, que estava na função há 14 anos, e a nutricionista, que trabalhava no Banco há 12.
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“Estamos com nossos colaboradores atuando de forma voluntária, até que o Banco se reestruture”. Neste novo modelo de trabalho, Reginato voltou ao Banco, como voluntário na área de logística. O Banco de Alimentos do Vale do Sinos tem como presidente o padre Antônio Tabosa Gomes.
Estoque baixo e preparação para o Sábado Solidário
Atualmente, o Banco de Alimentos do Vale do Sinos conta com pouco mais de uma tonelada de alimentos em estoque. A instituição beneficia 26 entidades de quatro cidades. São 19 de São Leopoldo, três de Sapucaia do Sul, três de Esteio e uma de Portão, que totalizam 3,8 mil pessoas assistidas. Em todo o ano passado, foram arrecadadas 15 toneladas de alimentos. Entre os itens mais solicitados estão leite, arroz, feijão, massa e biscoitos.
“O Banco é de extrema importância porque a medida que ele procura suprir de alimentos as entidades, isso disponibiliza tempo para que elas em vez de estar buscando alimentos se dediquem a sua atividade principal, que é o atendimento a crianças e adolescentes, idosos. Se o banco conseguir suprir a necessidade de alimentos das entidades, elas podem dedicar o seu tempo a sua atividade fim integralmente”, destaca Pizzuti.
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Segundo Pizzuti, a principal fonte de arrecadação do Banco é por meio do Sábado Solidário. A ação, que normalmente acontece no primeiro sábado de cada mês nas portas dos supermercados, conta com o apoio de voluntários de clubes como Rotary e Lions e será retomada em março, no dia 15. Além disso, os alimentos são conquistados durante eventos e por meio de doações feitas diretamente ao Banco.
Interessados em ajudar podem levar doações na sede do Banco, na Rua Uruguai, 851, no bairro Campina. O atendimento é de segunda a sexta-feira das 8 ao meio-dia e das 13 às 17 horas. Contatos podem ser feitos pelo WhatsApp (51) 97400-6864 ou pelo Instagram @bancodealimentosvs.
Como funciona a Rede de Bancos de Alimentos do RS
A Rede de Bancos de Alimentos do RS é uma organização sem fins lucrativos que possui 25 bancos associados, e que reúne esforços de toda a sociedade para erradicar a fome, combater o desperdício e a má nutrição. Para cumprir sua missão, os Bancos de Alimentos atuam como gerenciadores de desperdícios administrando coleta, armazenamento e distribuição qualificada de alimentos.
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Segundo a Rede, todos os bancos utilizam da mesma metodologia e funcionam de forma padronizada. A sistemática de trabalho é muito simples. Os alimentos doados são coletados e armazenados na central de arrecadações, um depósito próprio do Banco de Alimentos.
Neste local, as nutricionistas analisam e determinam quais os tipos de alimentos necessários para as instituições, conforme as quantidades e valores nutricionais ideais para suprir suas necessidades. Posteriormente ocorre a distribuição qualificada dos alimentos, entregues gratuitamente às instituições assistenciais previamente cadastradas no Banco de Gestão e Sustentabilidade.