A decisão judicial que suspendeu o retorno das aulas na rede estadual pegou de surpresa não apenas estudantes e professores, mas também os fornecedores da merenda escolar. A Cooperativa Mista de Agricultores Familiares do Vale do Caí (Coopervalecai), responsável por abastecer 60 escolas nas regiões dos vales do Caí, Sinos e na região metropolitana, está entre os afetados pela medida.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
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Os agricultores já haviam colhido e separado os produtos para entrega nesta segunda-feira (10) quando a liminar foi expedida na noite de domingo (9), véspera do retorno previsto das aulas. O presidente da cooperativa, Paulo Alicio Orth, lamenta o impacto da decisão para os pequenos produtores.
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“Estamos surtando com o risco de perder os alimentos. Se as aulas não voltarem nesta semana, vamos perder duas câmaras frias cheias de produtos. São quase R$ 30 mil em alimentos. Para nós, é um prejuízo enorme”, afirma.
Produtos já estavam prontos para distribuição
A Coopervalecai reúne 27 agricultores familiares que fornecem frutas, verduras e legumes para a alimentação escolar. Na última quinta-feira (6), as escolas fizeram os pedidos, e os agricultores passaram o fim de semana organizando as entregas para garantir que os alimentos chegassem frescos às instituições de ensino.
Com a decisão judicial saindo apenas no fim da tarde de domingo, os produtos já estavam colhidos e armazenados. “Se essa decisão tivesse saído na sexta, por exemplo, não teríamos feito a colheita, e os alimentos poderiam ser preservados por mais tempo. Mas agora, com tudo já separado e pronto para a distribuição, o risco de perda é muito maior”, explica Orth.
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Mesmo com a suspensão, a cooperativa conseguiu descarregar alguns produtos em escolas da região para minimizar as perdas. A Escola Estadual Nelson Sirotsky Sobrinho, no bairro Santo Afonso, em Novo Hamburgo, foi uma das unidades que receberam parte da carga, incluindo sucos de uva e pacotes de feijão.
Prejuízo logístico
Além do risco de perda dos alimentos perecíveis, os agricultores já acumulam prejuízos com o deslocamento. “Fizemos o roteiro de entregas hoje e teremos que voltar quando as aulas retornarem. Isso significa mais um custo com combustível e logística para a cooperativa”, afirma Orth.
Agora, a incerteza é sobre quando os alimentos poderão ser entregues. “Nossa torcida é para que, até quarta ou quinta-feira, as aulas voltem. Se o retorno ficar só para a próxima segunda-feira (17), teremos prejuízos grandes. Estamos falando de 8 mil quilos de hortifruti”, alerta.
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