Engana-se quem pensa que o figo é um fruto comum. Na verdade, o que parecem ser pequenas sementes que se encontram em seu interior são, de fato, os verdadeiros frutos. A parte carnosa que apreciamos é, na realidade, um pseudofruto.

Foto: Bruna de Bem/GES-Especial
SAIBA MAIS: Figo é o protagonista de tradicional festa na Serra gaúcha
Para esclarecer essa curiosidade, contamos com a expertise do biólogo Martin Grings, doutor em botânica. Ele explica que o figo (Ficus carica), pertencente à família Moraceae, é classificado como um pseudofruto. “Os frutos das plantas se formam a partir do ovário da flor após a fertilização, podendo ser carnosos ou secos. Os frutos carnosos servem para dispersar as sementes pela fauna. No caso do figo, a parte carnosa não é originada do ovário de uma flor, mas sim do receptáculo, que é a porção basal de várias flores reunidas no interior do figo”, detalha.

Foto: Bruna de Bem/GES-Especial
Grings prossegue detalhando que, inicialmente, o figo é uma inflorescência, ou seja, um conjunto de flores do tipo sicônio. “Após a fertilização de suas flores, o figo amadurece e se transforma em uma infrutescência, que é um conjunto de frutos”, enfatiza.
Alexandre Menegusso, do escritório municipal da Emater de Canela, corrobora a explicação de Grings. “O figo é um pseudofruto, pois o verdadeiro fruto é a sementinha que está em seu interior”, reforça.
Ele acrescenta que, no Brasil, a cultura predominante é a do grupo comum de figo. “Esse grupo é infértil, ou seja, ele desenvolve o pseudofruto, enquanto a fruta, do ponto de vista botânico, são as sementes que consumimos”, conclui.
Em resumo, é um alimento que pode ser consumido e até celebrado. É, assim, com festa, que Nova Petrópolis, na Serra gaúcha, comemora o cultivo do figo. A não fruta é celebridade por lá no evento conhecido como Festa do Figo. E já tem meio século de edições. Neste ano, a festa ocorreu nos dias 8 e 9 de fevereiro.